A nova trama do SBT, que estreia em abril, fala sobre o período da ditadura

Graziella%20Schmitt%20como%20Maria%20Paixao%20e%20Claudio%20Lins%20como%20Jose%20Guerra,%20os%20protagonistas%20da%20trama
Lourival Ribeiro/Sbt
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Para o lançamento de "Amor & Revolução" , que tem como pano de fundo os anos da ditadura militar, O SBT levou a imprensa ao espaço Maria Antonia, em São Paulo. O local, antigo campus da USP, é hoje patrimônio histórico por ter sido palco de protestos a favor da democracia. Anunciada como a "primeira telenovela a abordar a ditadura no Brasil", o folhetim é também o primeiro a ser filmado em HD na emissora, que tem grandes expectativas de retorno. "Esperamos que a audiência seja pelo menos igual aos que temos hoje no horário, que são 5 pontos", diz Daniella Beyrute , diretora de programação do SBT. Atualmente, na faixa das 22h, é exibida a novela “Ana Raio e Zé Trovão”, filmada em 1990.
Tiago Santiago , o autor do folhetim, quer mais que isso, e sonha alto com o projeto: "Quero que essa novela seja vista no mundo todo".

No SBT desde 2010, quando comandou "Uma Rosa com Amor", Santiago ofereceu o roteiro de "Amor e Revolução" a Globo - onde trabalhou como colaborador de 1991 a 2000 - em 1995, mas a emissora não se interessou. "Eu guardei comigo esta ideia por muitos anos. Aqui no SBT tive liberdade para produzir essa história", conta Santiago, que explica ter sido a falta de espaço para suas criações o motivo que o fez ir para a Record em 2004 como autor principal.

Também é de artistas que firmaram as carreiras na Globo que vêm a grande maioria do elenco formado por Santiago, que resgatou do 'esquecimento' do mercado nomes como Nicole Puzzi, Marcos Breda, Jayme Periard, Antônio Petrin e Claudio Cavalcanti . "As pessoas precisavam de alguém que as trouxesse de volta à TV", diz Santiago, que escalou Lucia Veríssimo como a líder do núcleo dos guerrilheiros que lutam contra a repressão.

Ambientada no Rio e em São Paulo ná década de 1960, a história da jovem guerrilheira que se apaixona pelo ‘malvado’ militar, inspirada em “Romeu e Julieta”, como explica Santiago é a responsável pelo grande desenrolar da trama. Vividos por Graziella Smithtt e Claudio Lins – também ex-Globo-, a dupla de mocinhos deverá lutar pelo amor em meio às lutas armadas e perseguições violentas e implacáveis dos vilões, a polícia militar. Num mundo quase maniqueísta em que mocinhos são guerrilheiros e bandidos são militares, sobra espaço para personagens que ‘viram a casaca’ e mudam de time, como o de Lins, o militar José Guerra. Enquanto os militares são torturadores desalmados e calculistas, com direito a um carrasco que estupra e sodomiza seus presos – homens e mulheres- os mocinhos se defendem de forma politicamente correta: com golpes e tiros nas mãos ou nos pés dos inimigos.

Muito comentada em janeiro pelo burburinho que geraram as cenas de tortura com a personagem de Gabriela Alves, que vazaram no You Tube , “Amor e Revolução” também quer dar espaço a relacionamentos homossexuais, garante o o autor: “Quero retratar todos os públicos”. Luciana Vendramini , que vivera uma médica, é lésbica assumida e se apaixonada pela melhor amiga, a jornalista de esquerda interpretada por Giselle Tigre . Outros três personagens gays também estão na trama, sendo que um é um homem de mais de 40 anos que “é enrustido, então quando bebe começa a dar em cima dos menininhos”, nas palavras de Santiago.

Não seria esse personagem um clichê? “É, pode ser que sim, mas se o público se identificar com ele...”. O sucesso de todos esses relacionamentos, porém, é condicionado à pesquisas de audiência encomendadas pelo autor. Os beijos gays, por exemplo, não vão acontecer até serem “aprovados”. “Amor e Revolução” estreia no dia 5 de abril, às 22h15, e será exibida diariamente. A classificação indicativa é de 14 anos.

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