"Agosto" volta ao ar no Canal Viva, contando na TV uma história que a gente aprendeu na escola

José Mayer e Vera Fischer em cena de
Divulgação/Viva
José Mayer e Vera Fischer em cena de "Agosto"


O Canal Viva coloca no ar em 10 de agosto a reprise da minissérie "Agosto", exibida pela TV Globo originalmente em 1993. A série, como o nome já diz, focaliza o mês de agosto de 1954 - quando o então presidente do Brasil, Getúlio Vargas , se suicidou.

A obra mesclava realidade com ficção, baseando-se no livro homônimo de Rubem Fonseca , e também nos acontecimentos reais ocorridos no período. José Mayer é o policial Matos, encarregado de desvendar um crime passional que acontece no Rio de Janeiro naquele momento.

O crime fictício tem ligação com um crime real: o atentado a Carlos Lacerda , político que fazia oposição a Getúlio Vargas, em Copacabana. Em meio às investigações, o policial Matos continua envolvido com duas "mulheres fatais": Alice ( Vera Fischer ) e Salete ( Letícia Sabatella ).

A minissérie foi muito elogiada no período da exibição, mantendo assim uma tradição da TV Globo, de produzir séries caprichadas, com bela - e perfeita - reconstituição de época. Muitas dessas séries focalizavam momentos históricos e políticos do Brasil.

Vera Fischer e José Wilker em
Divulgação/Viva
Vera Fischer e José Wilker em "Agosto"

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As precursoras

A primeira série produzida pela Globo, por sinal, já tinha esse cunho: exibida em abril e maio de 1982, "Lampião e Maria Bonita" se passava em 1938, dias antes do assassinato do famoso casal de cangaceiros (interpretados por Nelson Xavier e Tânia Alves ). Em 1984, a emissora exibiu "Padre Cícero", seguindo a mesma linha.

Deixando o nordeste brasileiro de lado, a próxima investida foi nos imigrantes italianos que habitavam São Paulo nas décadas de 1930 e 40: "Anarquistas Graças a Deus" (84) foi estrelada por Ney Latorraca e Débora Duarte .

Grandes fatos históricos do Brasil também geraram séries globais: "O Tempo e o Vento" (1985, baseada na obra de Érico Veríssimo ) registrou as lutas políticas no Rio Grande do Sul do século XIX; "Abolição" (88) abordava a libertação dos escravos, produzida exatamente 100 anos após a Lei Áurea; e "República" (89) também comemorava um centenário, desta vez o da Proclamação da República.

Ana Paula Arósio viveu Yolanda Penteado em
TV Globo
Ana Paula Arósio viveu Yolanda Penteado em "Um Só Coração", que retratou a São Paulo da época do movimento modernista e a semana de arte moderna de 1922

Pano de fundo político

Também existem as séries românticas e passionais, que utilizam o momento político e histórico do Brasil como pano de fundo para os dramas dos personagens. Nessa categoria, se encaixam as obras-primas de Gilberto Braga "Anos Dourados" (86) e "Anos Rebeldes" (92), ambas recentemente reprisadas pelo Canal Viva. A primeira mostrou o Rio de Janeiro na década de 50, e a segunda enveredou pelos anos 60, abordando a ditadura militar.

A ditadura é um tema bastante explorado pela dramaturgia no Brasil. Já rendeu muitos filmes e também é tema de uma novela em cartaz atualmente no SBT: "Amor & Revolução", escrita por Tiago Santiago .

A minissérie "Decadência" (95), de Dias Gomes , optou por mostrar o período de 1984 a 1992. Através da trajetória de Mariel ( Edson Celulari ), que se torna dono de uma rede de igrejas evangélicas, a série fez um retrato da sociedade burguesa do período. A obra incomodou alguns religiosos, que não gostaram do tom utilizado para retratar Mariel, e chegaram a processar a Globo.

Débora Falabella e Wagner Moura em
TV Globo
Débora Falabella e Wagner Moura em "JK", exibido pela Globo em 2006

Formação do Brasil

Na década de 2000, as superproduções históricas contando a formação do Brasil viraram moda. Assim, a Globo passou a produzir praticamente um produto do gênero por ano.

Sucederam-se "A Muralha" (2000, sobre os bandeirantes e jesuítas em terras paulistas), "O Quinto dos Infernos" (2002, usando a comédia para narrar a Independência do Brasil), "A Casa das Sete Mulheres" (2003, novamente abordando o Sul do Brasil, desta vez especificamente a Revolução Farroupilha), "Um Só Coração" (2004, situando-se no Movimento Modernista de 1922) e "Mad Maria" (2005, sobre a construção de uma ferrovia na Amazônia).

Cássio Gabus Mendes na pele de Chico Mendes em
TV Globo
Cássio Gabus Mendes na pele de Chico Mendes em "Amazônia"

Personagens célebres

Com o relativo fracasso de "Mad Maria", a Globo decidiu mudar o foco. Tornou-se importante que as séries políticas tivessem um - ou mais - personagens célebres, que alavancassem a narrativa e cativassem o público. Assim, as séries seguintes sempre tinham como protagonista uma figura carismática de fácil identificação.

"JK" (2006) já explicitava isso no título: era a história de Juscelino Kubitschek ( José Wilker / Wagner Moura ), presidente do Brasil entre 1956 e 1961.

"Amazônia" (2007) narrava a trajetória dessa região brasileira, apoiada nos personagens reais Luiz Galvez (José Wilker) e Chico Mendes ( Cássio Gabus Mendes ).

Adriana Esteves e Fábio Assunção nos papéis títulos de
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Adriana Esteves e Fábio Assunção nos papéis títulos de "Dalva e Herivelto"

Por fim a produção do núcleo deu uma guinada e optou por abordar celebridades do meio artístico. "Maysa" (2009) e "Dalva e Herivelto" (2010) retrataram figuras imponentes da MPB - a cantora Maysa e o conturbado casal de cantores Dalva de Oliveira e Herivelto Martins .

O público reagiu muito bem, e, assim, a próxima série do estilo estreia em 2012, retratando uma personagem também extraída do mundo artístico, e que até pouco tempo atrás ainda estava por aqui: Dercy Gonçalves . A lendária comediante deve ser interpretada por Heloísa Perissé e Fafy Siqueira . "Dercy" será exibida em janeiro, após o "Big Brother Brasil".

Larissa Maciel como
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Larissa Maciel como "Maysa"

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