A atriz coleciona trabalhos memoráveis, mas o texto fraco e o desempenho aquém deixam Duda/Beth de "O Outro Lado do Paraíso" na lista de piores trabalhos da carreira da veterana e consagrada atriz. Veja o por quê

Glória Pires tem uma vasta carreira, com personagens memoráveis. De Ruth e Raquel em “ Mulheres de Areia ” a Nice de “Anjo Mal”, passando por “O Rei do Gado”, “Cabocla”, “Segredos de Justiça” e “Belíssima”, ela é uma das maiores estrelas da teledramaturgia brasileira, sem dúvidas. Esse fato, porém, só aumenta o abismo entre sua brilhante carreira e seu papel atual, onde interpreta Beth/Duda em “ O Outro lado do Paraíso ”.

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Glória Pires está pouco inspirada em
Divulgação/TV Globo
Glória Pires está pouco inspirada em "O Outro Lado do Paraíso" e, com o texto ruim, está em fase ruim da carreira

Anunciada como uma das protagonistas da trama, ela apareceu a partir do segundo capítulo, como uma mulher que ama o marido e vive para se dedicar a família, mas que se sente muito solitária devido as constantes ausências do marido. O sogro, que não a suporta, arma para que ela suma de vez da vida da família, fazendo com que ela perca sua identidade e se afaste de todos que ama. A partir daí ela se torna Duda , retorna ao Tocantins, de onde veio, e refaz sua história como dona de bordel, até que a verdade, ou parte dela, venha à tona. O problema é que sua personagem é tão mal desenvolvida que fica difícil até de sentir dó de sua história. Com isso, o papel de Glória Pires na novela é ainda pior que sua participação como comentarista da transmissão do Oscar em 2016, o que diz muito sobre seu momento atual. Confira:

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Andando sem rumo

Depois de perder tudo, Beth se rendeu ao álcool e passou boa parte de seus dias vagando pelo Rio de Janeiro bêbada e sem rumo. Mesmo uma atriz do calibre de Glória não consegue sustentar essa “barriga”, que se estendeu por toda a primeira fase da novela. Sem utilidade para a trama, ela ficou perdida até que voltasse a fazer sentido para o roteiro na segunda fase, quando reencontra sua filha perdida, Clara ( Bianca Bin ).

A mulher amargurada

Com tantas desgraças em sua vida, é normal que Duda tenha se tornado uma mulher triste e amargurada. Mas a falta de bons diálogos, ou até mesmo boas cenas, transformam a personagem em uma casca vazia. Seja um tropeço de Glória ou texto fraco de Walcyr Carrasco , mas poucas cenas da personagem tem alguma emoção. Parece que Glória está apenas repetindo o texto, sem nenhuma preocupação em oferecer emoção.

Revival?

Imagine a cena: você tem um amante, mas se arrependeu do caso e encontra com ele para terminar de vez a relação. Em uma discussão acalorada ele te agarra e você o empurra. Ele cai do segundo andar e parece estar morto. Para se livrar da cadeia, você muda de identidade e deixa todos para trás, começando uma vida nova. Anos depois, durante um julgamento por OUTRO assassinato, você descobre que na verdade ele está vivo. Qual a sua reação? Marcar um encontro com ele em um restaurante? Pois é isso que Duda faz. A situação é tão absurda, que acaba refletindo na maneira de Glória interpretar. Durante um diálogo com frases genéricas, ela se altera do nada e começa a gritar dizendo que não era mais a mesma de antes. Toda a situação é estranha, mas esse momento em particular ficou bem desconexo.

Clara, I am your mother

Que momento! Revelar para sua filha que cresceu sem a mãe que na verdade foi você que deu luz a ela. Deveria ser um dos pontos altos do capítulo. Mas, mais uma vez, a cena decepcionou. O diálogo, como sempre, não ajuda, mas Glória estava pouco inspirada. Enquanto Bianca Bin ainda tenta trazer mais emoção , Glória manteve a estética desenvolvida para personagem que é, simplesmente, vazia.

O julgamento

Julgamentos na vida real são bem cansativos. Na ficção, eles costumam ser bem mais emocionantes, mas até nisso Carrasco decepcionou. A cena do julgamento de Duda foi longa e ocupou vários capítulos. Quando chega o grande momento da personagem dar seu testemunho, são quase 10 minutos dela recontando a história que já vimos desde o começo da novela, enquanto derruba algumas lágrimas. No final, ao ficar chocada com a revelação da filha de que é sua mãe (?), ela põe a mãe na cabeça e desmaia, com um princípio de AVC.

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