A novela soube trabalhar bem suas tramas, teve bons protagonistas e conquistou a internet. “A Força do Querer” se encerra com um sucesso

“A Força do Querer”, que se encerra este mês, passou num piscar de olhos. Ao contrário de sua antecessora “ A Lei do Amor ”, a novela não ficou cansativa, nem precisou rever rumos para melhorar a audiência. A maior sacada de Glória Perez , e que deveria ser adotada mais vezes por outros autores, foi a troca de protagonistas.  Às vezes, uns tinham mais destaques que outros, o que evitou colocar toda a história em cima de um núcleo só. Glória também soube aproveitar a relação entre as personagens, gerando bons momentos. Os personagens secundários também foram, no geral, bem aproveitados e Elizângela brilhou como Aurora, a mãe de Bibi ( Juliana Paes ).

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Rivalidade entre Jeiza (Paolla Oliveira) e Bibi (Juliana Paes) foi um dos pontos fortes da novela
Reprodução/Globo
Rivalidade entre Jeiza (Paolla Oliveira) e Bibi (Juliana Paes) foi um dos pontos fortes da novela

Outro aspecto bem trabalhado na trama foi o maniqueísmo, ou a falta dele. É muito comum em novelas ver personagens completamente bons ou completamente maus. Mas não em “ A Força do Querer ”. No folhetim, os personagens tem qualidades e defeitos o que, convenhamos, é o mais comum na realidade. Na prática, ele evita personagens “bobinhos” e sem personalidade (como, por exemplo, todos os personagens de Paolla Oliveira antes da Jeiza).

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Transexualidade

Glória Perez falou de transexualidade em
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Glória Perez falou de transexualidade em "A Força do Querer"

Glória Perez também não evitou temas espinhosos e, por isso, pela primeira vez na televisão aberta, vimos um personagem transexual. Ao longo da novela, pudemos acompanhar a batalha de Ivana ( Carol Duarte) com ela mesma, tentando entender sua relação de desprezo com seu corpo. Mesmo que tenha gerado algumas críticas, o arco não teve um tom “educacional” que costuma ser irritante, e apresentou os conflitos de um grupo marginalizado na sociedade e, mais ainda, nas artes.

O que o povo gosta

Outros pontos positivos são mais simples e leves, como os núcleos mais descontraídos, envolvendo principalmente as pessoas de Parazinho. Glória sempre foi boa em emplacar bordões (“Isha’Allah”) e dessa vez não foi diferente. Ritinha (Isis Valverde), Zeca (Marco Pigossi) e Seu Abel (Tonico Pereira) são adeptos do termo “Égua”, que caiu na boca do povo.

Os esquecidos

A sereia, bem como a relação
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A sereia, bem como a relação "Mística" entre Ruy e Zeca ficaram de lado em "A Força do Querer"

Nem tudo na novela deu certo, porém. O misticismo apontado logo no começo, com a relação entre Zeca e Ruy (Fiuk) traçada por um índio quando os dois caem num rio acabou não rendendo. Mesmo com os conflitos entre eles, o aspecto “mágico” não gerou interesse.

Além disso, alguns personagens foram ignorados na novela. Marilda (Dandara Mariana), Amaro (Pedro Nercessian) e Simone (Juliana Paiva) só existiram para servir de “muleta” para os protagonistas. Outros menos sortudos como Raul Gazolla, Lua Blanco e Lucy Ramos, foram completamente esquecidos.  

Ainda assim, “ A Força do Querer ” foi uma força (desculpe o trocadilho!) no horário e mostrou que as novelas continuam sim muito bem.  

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