Sophie Charlotte dará a vida a Alice, que enfrenta os anos de chumbo por um amor impossível em “Os Dias Eram Assim”

A nova novela das 23h da Rede Globo, batizada de “ supersérie ”, trará de volta as duras lembranças do período de ditadura no Brasil. “Os Dias Eram Assim” utilizará um dos contextos políticos mais conturbados do país como pano de fundo para a história de amor de Alice (Sophie Charlotte) e Renato (Renato Góes). A produção irá cobrir quase 15 anos, desde 1970 até o movimento “ Diretas Já ” de 1984. A trama nasceu da vontade de contar uma história de amor forte como o tempo e apesar do tempo”, explica a autora Angela Chaves no material divulgado a imprensa. “Vamos acompanhar suas vidas atravessando os anos de chumbo, passando pela anistia política e chegando até a campanha pelas Diretas Já, em 1984, ano em que a maior parte da trama se concentrará”, completa a também autora Alessandra Poggi.

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Sophie Charlotte e Renato Góes são um casal que vive um amor impossível em
Divulgação/TV Globo
Sophie Charlotte e Renato Góes são um casal que vive um amor impossível em "Os Dias Eram Assim"

Sophie Charlotte estrela a série como Alice, uma estudante de letras que vive confortavelmente com seus pais Arnaldo Sampaio e Kiki (Natália do Vale). Ela questionando o pensamento conservador da família, que quer limitar as mulheres ao papel de boa esposa e mãe. Seu pai é autoritário e acha que é com pulso firme que se mantém uma família unida. Ironicamente, no entanto, esse comportamento fez com que o único irmão e sócio, Toni (Marcos Palmeira), se afastasse dele.

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Em outra parte da cidade, Renato Reis ajuda a prover para a família, que inclui a mãe Vera ( Cássia Kis ), e os irmãos Gustavo (Gabriel Leone) e Maria (Carla Salle). A vida de Renato e Alice se cruza de maneira improvável, ao mesmo tempo que o país passa por um de seus períodos mais repressores.

O irmão de Renato, Gustavo, resistente a ditadura , planeja um ataque contra a construtora Amianto, financiadora de grupamentos de repressão. Com seu amigo Túlio ( Caio Blat ), eles explodem a fachada do edifício da empresa. Furioso, Arnaldo quer que todos os responsáveis pelo ataque sejam presos, o que faz com que Gustavo comece a ser perseguido. Essa é a gênese da relação divergente entre as famílias Reis e Sampaio Pereira, que vai acabar dando contornos dramáticos à história de amor entre Renato e Alice.

Daniel de Oliveira interpreta o vilão Vitor, que fará de tudo para separar Alice de Renato
Divulgação/TV Globo
Daniel de Oliveira interpreta o vilão Vitor, que fará de tudo para separar Alice de Renato

Em meio a esse conflito, outros personagens tomam forma, como a maldosa Cora ( Susana Vieira ), mãe de Vitor ( Daniel de Oliveira ), então namorado de Alice. Vitor é braço-direito do severo e conservador Arnaldo e tem um relacionamento de longa data com Alice. Mas a menina, sempre contestadora, começa a se insatisfazer com o rapaz, e sua mãe o pressiona a agilizar o pedido de noivado antes que seja tarde demais. O casamento de Vitor e Alice é para Cora a chance de recuperar o poderio financeiro da família Dumonte. Herdeira de tradicionais fazendeiros da época de ouro do café, ela viu sua herança minguar com o passar das gerações ociosas. Hoje, vive do sobrenome e do salário do filho na construtora, o qual, nem de longe, dá para manter o padrão de vida ao qual esteve acostumada.

 Vitor acha que o rompante de Alice será facilmente contornável. Sempre o é, ele diz. O que ele não poderia esperar é que, em poucas horas, a namorada voltasse para casa diferente e determinada, como nunca havia visto. Quando o advogado se dá conta de que outro homem, Renato, entrou na vida de Alice de um jeito que ele não foi capaz de fazer, acaba colocando para fora o pior de si: dissimulado, vai fingir entender os sentimentos de Alice enquanto arma um plano para tirar o rival do caminho.

Vida exilado

A vida de  Renato e Alice muda mesmo quando o jovem, perseguido pelos militares por causa de seu irmão, decide se exilar no Chile. Os dois então se separam e, enquanto Alice fica no Rio de Janeiro grávida de Renato, ele parte para o arquipélago de Chiloé, no Chile . É lá que conhece a jovem médica Rimena ( Maria Casadevall ), uma mulher livre e sedutora que logo se encanta por ele.

Renato resiste às investidas, mas sem poder voltar ao Brasil por ser um foragido do regime, resolve construir sua vida longe de casa. O amor por Alice persiste, mas é com Rimena que ele acaba formando uma família. Juntos, viajam pelo mundo, participando de um grupo de medicina humanitária.

No Brasil, a estudante, que pensa que o namorado está morto por uma armação de seu pai e seu ex-namorado Vitor, também tenta seguir sua vida. Ela se casa com Vitor e se dedica à fotografia, paixão que a transformará numa profissional reconhecida. 

Passam-se nove anos até 1979, ano que se instituiu a Anistia . Renato volta ao Brasil, quase uma década após aquele 21 de junho que mudou radicalmente a sua vida e a de Alice. O reencontro dos dois é uma questão de tempo e de sorte.

Exilado, Renato vai para o Chile onde conhece e se casa com Rimena (maria Casadevall)
Divulgação/TV Globo
Exilado, Renato vai para o Chile onde conhece e se casa com Rimena (maria Casadevall)

“Renato e Alice nunca vão se esquecer um do outro, pois foram separados no auge da paixão de uma forma muito traumática. O tempo e a distância vão amenizar o sofrimento e deixar aquele sentimento adormecido. Quando se reencontrarem e descobrirem o que realmente os separou, o amor voltará a falar alto e a chama se reacenderá”, comenta Alessandra.

“Os Dias Eram Assim”

No meio de toda a intensidade do período, o Rio vivia uma revolução comportamental, que o diretor artístico Carlos Araújo promete que estará na trama: “O Rio vivia um momento muito especial. Era uma época em que a vontade de viver, a busca pela liberdade e o encantamento pelo novo afetavam diretamente o comportamento da nossa juventude. Os tempos eram sombrios, mas havia um movimento solar, romântico, que lutava contra isso. O movimento de contracultura, o surgimento do surf, o verão do píer de Ipanema, em 1972, são pontos desse período que trataremos”, comenta.   

A autora Alessandra Poggi comenta ainda o que ela espera que as pessoas absorvam de “Os Dias Eram Assim”: “que em nome do amor não devemos disseminar o ódio. Que em nome da liberdade, não devemos apoiar a violência. Que para haver respeito, é preciso por um fim no preconceito. E que devemos lembrar sempre dos nossos erros para que eles nunca mais se repitam, conclui.

A superserie estreia dia 17 de abril e, além de Sophie Charlotte e Renato Góes, a série conta com Letícia Spiller , Mauricio Destri, Carla Salle, Marco Ricca e Mariana Lima.

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