Cenas ruins, edição atrapalhada e atuações fracas não conseguiram apagar o brilho da protagonista

Mari (Bruna Marquezine) e Danda (Tatá Werneck) no primeiro capítulo da novela
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Mari (Bruna Marquezine) e Danda (Tatá Werneck) no primeiro capítulo da novela


Existe uma série de requisitos que não pode faltar no primeiro capítulo de uma novela. A apresentação dos personagens principais, por exemplo, uma introdução aos lugares mais importantes da história e, digamos assim, a introdução a algumas tramas, para que haja o interesse do público no segundo capítulo.

E “I Love Paraisópolis” começou com uma cena das personagens de Bruna Marquezine e Tatá Werneck em Nova York, que dava a entender que tudo correria conforme o figurino. Até que houve uma volta de uma semana no tempo, ponto de partida para um primeiro bloco embolado, com uma sequência de cenas fracas, mal dirigidas e mal editadas, que se atropelavam e só encontraram salvação nas mãos, ou melhor, no talento de Marquezine e sua “parça” Tatá Werneck.

Santa Bruna!

Bruna, em especial, mostrou vigor e fez valer mesmo as cenas mais patéticas do primeiro capítulo, como o momento em que discute com uma moradora de Paraisópolis que leva um grupo de estrangeiros para fazer um tour na comunidade. E até conseguiu emocionar na cena em que devolve o colar de pérolas que a tia, Eva ( Soraya Ravenle , uma ótima surpresa) dá para ela vender e conseguir dinheiro para pagar sua casa.

A química com Tatá Werneck, algo sobre o qual a imprensa vem comentando há meses, de fato é impressionante. Mesmo tendo de lidar com diálogos e cenas em que elas se envolveram em situações que nem caberiam na antiga versão do humorístico “Zorra Total”, elas foram encantadoras.

Elenco mais ou menos...

E se é pra falar de mais um ótimo destaque do elenco, Maurício Destri , que já havia se destacado em “Sangue Bom”, chegou chegando como Benjamin. E já dá para aproveitar e dizer que Caio Castro deixou a desejar como Grego, o chefão da favela. O esforço no sotaque paulistano, “meu”, soou forçado.

Letícia Spiller também pesou a mão em sua interpretação e mostrou que sua Soraya é o estereótipo gritante de uma mulher milionária que odeia os “faveladinhos”, não tem paciência com os filhos e quebra o espelho ao ser contrariada. Menos, Letícia.

Pouco tempo para tantos nós...

Até que deu para se situar entre os espaços onde rola a ação toda e sacar algumas tramas, mas foi tudo muito mal feito. Servem como exemplo as maneiras engasgadas como foram mostrados o projeto de Benjamin para revitalizar Paraisópolis e as tramoias do vilão Gabo, vivido por Henri Castelli (que cumpriu bem o seu papel, assim como Maria Casadevall ). 

A trilha sonora é boa, mas a quantidade de músicas diferentes tocadas no primeiro capítulo foi tão exagerada quanto o atropelamento das cenas. Enfim, foi um primeiro capítulo fraco, embolado e nem um pouco inspirado, salvo pela beleza e pelo talento de Bruna Marquezine, Tatá Werneck e Maurício Destri. A gente espera que os nós se desenrolem nos próximos capítulos...

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