Ao iG, Monica Pimentel comenta crescimento de produção televisiva no Brasil em contraponto com crise da TV aberta


Monica Pimentel tem um extenso currículo em comunicação, principalmente em televisão. São mais de 20 anos de experiência em emissoras como SBT, Rede TV! e, mais recentemente, como vice-presidente dos canais da Discovery Brasil. 

'Boom' da TV paga

Há um ano e meio, quando decidiu migrar da TV aberta para a TV por assinatura, a executiva foi atraída pelo desafio do que ainda era desconhecido, mas promissor. "Sou profissional de comunicação mais do que de uma indústria ou de outra. A minha migração para a TV por assinatura foi por ver uma grande oportunidade em um setor em amplo crescimento. Saí da TV aberta porque fui vendo potencial, um 'boom' nos últimos quatro anos nesse mercado, que passava de um público de 8 milhões pra 20 milhões", lembra.

Galisteu é um sucesso

Apesar da insistência em galgar um lugar ao sol na TV aberta, Adriane Galisteu é um dos grandes nomes da Discovery, garante Monica. "Encontrar talentos não é fácil e temos duas estratégias: descobrir novos talentos e contratar nomes que são importantes para gerar conexão dos canais com o público que já os conhecem. É o caso da Adriane, que foi um sucesso com as 'Quartas de Beleza'. A  Gaby Amarantos também está sendo incrível, o Seu Jorge ...", conta.

Desde que assumiu, Monica comandou um trabalho de restruturação de produção, programação e marketing da empresa. No período, trouxe sete canais da programação, que era totalmente feita em Miami, nos Estados Unidos, para o Brasil. "Isso nos dá oportunidade de ter projetos de produção mais local naquilo que o brasileiro tem interesse, o que trouxe benefício de audiência", comemora.

Tanto que, em 2014, a Discovery conquistou o melhor ano da sua história, com liderança nos públicos infantil, feminino e de aventura. "Isso, sem dúvida, está ligado à oportunidade de trabalhar localmente. Por ser uma companhia global, o nosso interesse é usar o melhor das produções internacionais para o Brasil e produzir conteúdo brasileiro que possa viajar", explica.

Um dos exemplos é o programa de aventura inédito "Missão Extrema", apresentado pela médica Karina Oliani , que estreia em 26 de abril. "O programa tem todos os elementos e potencial para ser exibido em outros países. É mega importante isso para a gente".

Cota para os nacionais

Com a Lei da TV por Assinatura, que fomenta as produções nacionais, algumas produtoras de conteúdo internacionais - como a Freemantle, por exemplo - , acabaram perdendo terreno no Brasil. A nova legislação prevê, há dois anos, que canais de filmes, séries, animações e documentários exibam 3h30 por semana de conteúdo audiovisual brasileiro no horário nobre.

A crise, no entanto, passa longe da Discovery. "A lei limita as empresas internacionais de formato, mas, para a gente, é o contrário. A gente teve um incrível acréscimo de produção local em 2015 e, no ano que vem, vai ser ainda mais", adianta, sem divulgar os números, sigilosos.

A lei limita as empresas internacionais de formato, mas, para a gente, é o contrário. A gente teve um incrível acréscimo de produção local em 2015 e, no ano que vem, vai ser ainda mais"

Cadê a audiência?

O crescente mercado da TV paga, que já atraiu outros profissionais do ramo, como o apresentador Marcelo Tas , por exemplo, coincide com o momento de crise da TV aberta. As emissoras tradiocionais perdem a cada mês fiéis telespectadores do passado fascinados pelas possibilidades de um futuro que está aí, seja na vasta oferta de canais pagos ou da internet.

"O que acontece na TV aberta obviamente é que, tendo outra indústria em amplo crescimento, há uma diluição de público. Além disso, a classe C tendo mais poder aquisitivo, a oferta incrível de canais e programação diversificada atrai esse público cada vez mais exigente. E não digo exigente em termos de qualidade, apenas, mas também diversidade no cardápio", explica. "Isso, é o desafio pra quem ainda está na TV aberta, além da própria internet. É uma demanda que força os canais a serem mais criativos e terem mais investimentos e ousadia para não repetir fórmulas de sucesso no passado. Agora, o cenário é outro", alerta.

Polêmica em "Babilônia"

O novo momento apresentado por Monica já é sentido com preocupação pelas emissoras e, mais recentemente, pela maior produtora de conteúdo do país, a Globo.

A vida já está tão enfadonha no Brasil por tanto vilanismo que, essas sacadas, essas percepções se fazem necessárias na TV aberta. Ter que estar muito vaporoso às mudanças do público e entender que não adianta repetir o que foi sucesso é sobrevivência"

"Tenho lido e acho superinteressante o caso como a Globo está tendo que rever seus conceitos em 'Babilônia' pelo tanto que impactou negativamente a quantidade de vilões na trama. É engraçado isso porque os vilões sempre funcionaram bem e, de repente, você se esforça para criar uma obra só de vilões e não dá certo", pontua.

"Considero que as pessoas não querem assistir a isso de entretenimento, até por estarem vivendo esse momento de escândalos. A vida já está tão enfadonha no Brasil por tanto vilanismo que, essas sacadas, essas percepções se fazem necessárias na TV aberta. Ter que estar muito vaporoso às mudanças do público e entender que não adianta repetir o que foi sucesso é sobrevivência", opina.

Vê o quê?

Entusiasta da programação nacional, Monica é do tipo de executiva de comunicação que senta em frente à TV por prazer. "O Discovery tem onze canais, não é fácil achar tempo pra ver todos, mas gosto de assistir por diversão, mesmo. Meu gosto é variado, por isso me faz bem ter um portifiolio tão diversificado para acompanhar na televisão. Assisto como fã aos canais de aventura. Atualmente, estou superligada no Turbo. Lançamos recentemente o canal no pacote da Sky e é muito bom ver com os amigos, por exemplo, o Kaká Bueno nos bastidores das corridas. Gosto de ouvir a percepção deles, o que acham bacana no que temos a oferecer. Também gosto muito de 'Troca de Estilo', com a Gaby", lista.



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