No ar com a última temporada de "Tapas & Beijos", ator se prepara para protagonizar a próxima novela das 19h da Globo

Fábio Assunção
Divulgação/Globo
Fábio Assunção

Os fios brancos que começam aos poucos a tomar conta da cabeça de Fábio Assunção não incomodam o ator. Aliás, hoje com 43 anos, pouca coisa o incomoda. No ar como Jorge em “Tapas & Beijos”, série que estreou a quinta e última temporada na última terça-feira (14) na Globo, Fábio anda numa fase bem “easy going”: profissionalmente, está tocando apenas projetos que lhe enchem os olhos, e como pessoa, vê com felicidade a marca dos 25 anos de carreira.

“Estou exatamente fazendo o que eu queria. Consigo fazer trabalhos que são importantes profissionalmente para mim. A minha peça, por exemplo, permite que eu tenha voos, que desenvolva uma linguagem. E agora eu posso fazer teatro sem estar num intervalo entre uma coisa e outra na TV. Teatro e cinema sempre fiz assim nesses últimos anos, na correira. Agora consigo fazer tudo com calma”, disse.

A tal peça é “Dias de Vinho e Rosas”, segundo trabalho como diretor, em cartaz em São Paulo. Cheio de orgulho da cria, ele capricha em adjetivos para elogiar a montagem e sua equipe. Como ator, diz ter um olhar mais apurado para guiar o seu elenco, formado por Carolina Mânica e Daniel Alvim .

“Eu dirijo com o ponto de vista de ator. Naturalmente eu coloco o foco principal na temperatura dos atores, no conflito das personagens, e acho que todo entorno é guiado por isso. Tudo está em cena apoiando esse jogo dos atores. Não tem nenhuma opção que eu faça que seja para mim. O ritmo que eles têm em cena é uma coisa muito cotidiana, do dia a dia. Buscar isso como diretor é também estar atuando com eles”, falou Fábio, que tem como assistente a também atriz Clara Carvalho .

O peso dos 25

Fábio começou na TV em 1990, na novela “Meu Bem, Meu Mal”. De lá para cá, teve personagens que foram um estrondo, outros nem tanto, situações cotidianas complicadas (como quando deixou o elenco de “Negócio da China”, em 2008, para se internar em uma clínica de reabilitação), alguns relacionamentos e dois belos filhos. “Todos os trabalhos que fiz, eu que quis fazer, e todos me transformaram. Acho que continuo assim. Não é que tenho mais critério hoje, mas quando escolho um trabalho hoje ele ocupa um lugar maior para mim. Não é uma coisa que compartilho com mais seis trabalhos, sabe?”, afirmou.

Eu fico feliz que depois de tanto tempo eu esteja fazendo coisas que eu goste e que eu escolha

Ele continua: “O fato de serem 25 anos de carreira, você podia falar em 20, ou 30, ou 40… Eu fico feliz que depois de tanto tempo eu esteja fazendo coisas que eu goste e que eu escolha. Acaba que os trabalhos que estou fazendo esse ano são bem legais. Estou dirigindo minha peça, o ‘Tapas’ é a última temporada, e também tem um filme do ( José Eduardo ) Belmonte que fiz com meu filho… São trabalhos muito prazerosos e particulares. São trabalhos que estou saboreando muito”.

O tal filme é "A Magia do Mundo Quebrado", que estreia no próximo mês ao lado de João, seu primogênito de 12 anos, fruto do relacionamento com Priscila Borgonovi (o ator ainda é pai de Ella , com a ex-mulher Karina Tavares ). “O filme, na verdade, é uma história de pai e filho. A mãe do menino foi embora e esse cara foi meio pai, meio mãe. Eles decidem, em determinado momento, ir em busca dessa mãe. Na história, fica bem clara a cumplicidade dos dois”, falou.

“Meu filho não é ator, ele nunca quis isso. O João gosta de futebol e WhatsApp. Ele quer ser o Neymar e ficar no celular. É a vida de todas as crianças de hoje em dia. Mas ele topa qualquer coisa. Se você chamar ele para mergulhar, ele topa fazer um curso de mergulho. Ele se adequa, faz tudo e é muito tranquilo. Quando falei do filme, ele curtiu a ideia. E em nenhum momento teve essa ansiedade, ele não tem essa relação com ‘quero ser ator, trabalhar na TV’, e etc. Ele vive as coisas, saboreia as coisas. Acabou o filme, ele não falou ‘vamos fazer outro’, ou coisa do tipo. Ele foi pela diversão, pela experiência”, contou Fábio.

O convite e ideia para chamar João para dividir a telona com o pai partiu em conjunto com Belmonte. “A gente estava em uma festa na casa do Otávio ( Müller ). O João, na época, tinha nove anos, e hoje ele tem 12. Eu estava conversando com o Belmonte e ele lançou ‘precisamos escolher seu filho, né?’. Na hora me veio o João. O Belmonte estava cheio de dedos, e na hora pesquei, sugeri e topamos. Foi uma coisa que aconteceu”, relembrou.

A performance do filho, para o pai babão, foi nada menos que incrível. “Ele é um minigênio, fez muito tranquilamente. Eu não sei a hora que ele decorava o texto, porque toda vez que o chamava para isso ele já tinha tudo na ponta da língua. Quem já viu o filme pronto disse que ele está muito natural, verdadeiro. Isso combina com ele. De qualquer forma, acho que o mais legal é ter esse registro com ele, da minha convivência com ele de uma forma cinematográfica. Isso é fantástico”, disse.

A trama de amizade entre pai e filho ultrapassa um pouco o limite da ficção. No caso de Fábio e João, eles se enxergam naquela situação. “Eu me separei da mãe do João ele era muito pequeno, então também tenho uma vida independente com o João. Eu e ele. A forma como eu convivo com ele, as coisas que a gente faz juntos, é uma coisa escolhida por nós dois. Eu sou o pai dele, mas poucas vezes tive que ter alguma autoridade, porque a gente se conquista pela parceria mesmo”, avisou.

De volta às novelas

Com o fim de “Tapas & Beijos” e após a estreia do filme, Fábio volta suas atenções para o novo desafio na TV: seu retorno para as novelas. Ele será o protagonista de “Poderosa” (nome provisório), que Rosane Svartman e Paulo Halm escrevem para a faixa das 19h. “Pois é, depois disso tem uma novela. Cansei só de falar agora essa palavra (risos). Brincadeira. Começo a gravar a partir de agosto. Sei muito pouco sobre o trabalho. Vou emendar, mas vai ser incrível. Estou preparado para voltar (para ritmo de novela), vam’bora”, garantiu.

E sobre os tais fios brancos que nos chamaram atenção no início da matéria? “Eu, na verdade, até gosto de um pouquinho de grisalho. No ‘Tapas’ não dá para deixar ainda mais branco. Mas não tenho problema com isso. Os personagens são personagens e eu sou eu. Estou com 43 anos, e não tenho nenhum problema em envelhecer. Zero. Aliás, quero envelhecer logo (risos). Estou brincando”.


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.