Na história, personagem Irene sofre uma reviravolta e decide partir para a adoção, mas nada é tão simples quanto parece

“Sete Vidas” está há poucas semanas no ar, mas já o suficiente para fazer barulho. E para quem gosta de trama com pé no chão, com conflitos reais, amores tortos, felicidade na medida e dramas profundos, a novela das 18h da Globo é arco, flecha e alvo. Que o diga Irene, personagem de Malu Galli , que a partir da próxima semana vai começar a dançar por um leque de emoções criado pela autora, Lícia Manzo .

O iG acompanhou direto da Cidade Cenográfica da história, no Projac, uma pequena cena entre Malu e Bianca Comparato , que vive a jovem Diana. Do topo da sua altivez e certeza, Irene começará a trilhar o caminho inverso, o da dúvida. “Ela começa a novela de um jeito bem construído, workaholic, dona da verdade, com crise de maternidade, crise no casamento, dizendo o que a irmã tem que fazer… Só o início já daria uma novela. Ela se separa logo de cara, começa a namorar outro, descobre que não pode ser mãe, e mais um monte de surpresas que não vou adiantar. Até ela conhecer a Diana e se propor a adotar o filho da jovem, ainda vai acontecer muita coisa. E depois disso também, a história não se estabiliza”, disse Malu.

O lance é que Diana é uma jovem que está grávida, não tem a mínima condição de criar o bebê e decide colocá-lo para adoção. É onde Irene entra. Depois de tanto adiar a maternidade pelo trabalho, ela começa a considerar a possibilidade de adotar essa criança. Mas nada é tão simples quanto parece, assim como a vida.

“É uma questão social que a Lícia está abrangendo com muita sensibilidade e cuidado. Não é que a Diana não quer o filho, ela não pode ficar com o filho. E para Irene é muito complicado tudo isso também. Ela chega a se questionar como pode ficar com um filho que não ficou com a mãe porque a mãe não tinha condição? A Irene tem. Isso justifica pegar o filho da outra? São as mães que são abandonadas no nosso país, não os filhos. A Diana é uma menina abandonada pelo Estado. Isso é muito complexo”, comentou Malu.

Malu Galli
Alex Carvalho/globo
Malu Galli

O contato inicial das duas será delicado. Se Diana vai acabar enxergando em Irene a mãe que nunca teve, ou se Irene vai tratar os dois - Diana e bebê - como os filhos que até então nunca desejou, só Lícia pode dizer. Fato é que a publicitária tão cheia de si vai descobrir novos valores. “E vai se descobrir também. Essa relação com o trabalho desmedida afasta a Irene dela mesma. Ela não sabe muito sobre ela. Durante a novela ela vai se entendendo cada vez mais. A correria do dia a dia faz isso com a gente. Daí as pessoas correm para o analista (risos)... A gente terceiriza o contato consigo mesma”, falou.

Jogo de cena

Nos bastidores, o jogo é completo com todos os peões do tabuleiro. No dia em que fomos no estúdio, Bruno Moraes era o diretor de cena. “A gente teve uma sorte muito grande de poder trabalhar com amigos, parceiros antigos de trabalho. A gente se muito à vontade, tem um clima de confiança, de admiração mútua, sabe? A gente gosta dos personagens, da história. A direção é muito carinhosa com a gente e a Lícia é muito presente, muito mais que o normal. Ela vem, visita as gravações, conversa. É muito bom”, revelou Malu.

“Essa maneira como a novela está sendo produzida também ajuda. A gente começou muito antes. Acho que a Lícia entregou mais de 40 capítulos antes de começarmos a gravar. Isso tudo é muito confortável, é só para melhor”, completou ela.

Culpa eterna

Mãe de Luiz, de 14 anos, Malu assumiu que a tal culpa tão comum entre mulheres trabalhadoras que são mães nunca a deixou em paz. “Acho que vou morrer culpada (risos). Mãe tem culpa, não tem jeito. Se a criança fica estragada, é culpa da mãe. Se o filho homem dá problema com mulher, é porque a mãe fez isso e aquilo”, disse.

Ela continuou: “É um drama de todo mundo, de todas as mulheres que trabalham e que gostam do que fazem. Eu vivo fases, nossa vida é muito sem rotina. Tem meses que estou de um jeito por causa de um trabalho, outros meses estou mais tranquila esperando outro que ainda não começou… Vai variando, mas já tive fases que estava completamente tomada de trabalho com meu filho pequeno com bronquite, minha mãe me ligando meia-noite, eu em SP ensaiando… Sabe? Você quer morrer, quer se dividir em duas, você não tem o que fazer!”

E faz o que quando o calo e o coração apertam? “Nada, é assim. Ele sobreviveu, está ótimo (risos). Eu acho que a mulher carrega muita culpa ainda por causa da sociedade machista. A gente tem culpa de trabalhar, de delegar o filho para outra pessoa naquele momento. Claro que há casos e casos, mas acho que a gente precisa, em primeiro lugar, se livrar dessa culpa”, opinou.

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