Com mais de 30 anos de carreira na TV, Marcelo Tas analisa que "emissoras abertas estão sangrando diante de uma mudança colossal" e alfineta fim do "Agora É Tarde"


Marcelo Tas tem mais de 30 anos de carreira televisa e fez história: do repórter inconveniente Ernesto Varela, lá na década de 1980, ao apresentador queridinho dos jovens e artistas no anos 2000, ele se consolidou como um dos mais prestigiados nomes do "tubo infecto", como ele mesmo gosta de apelidar o aparelho. 

De 2008 a 2014, ele foi o grande nome à frente do humorístico da Band, que passou por inúmeras mudanças de elenco e formato. Segundo o jornalista, o ciclo no programa foi cumprido e comprido. "Me movo muito por intuição e minha saída do 'CQC' teve muito a ver com isso. Creio que colaborei bastante, deixei o 'CQC' com 14 patrocinadores, um projete muito sólido de 7 anos, é só você olhar o que está no ar. Uma missão cumprida e comprida", diz, rindo.

Dan Stulbach

As críticas a seu substituto, segundo Marcelo Tas, são inerentes ao pouco tempo de Dan Stulbach na bancada. "Estou gostando do Dan, ele é talentoso. Claro que tem uma natural adaptação e dificuldade de começar uma história, como quando você compra um sapato novo. Para mim, o Dan é um cara que tem uma história, um estilo próprio, e os meninos todos do 'CQC' são muito talentosos, os que aparecem e os que não aparecem. Audiência tem a ver com um quadro geral, principalmente o público jovem, que é o público do 'CQC', um público inquieto, com todas as opções disponíveis".

As pessoas gostam de coisas boas, de qualidade. E os programas de qualidade continuam, só o que é bom permanece. É o caso do Jô Soares e do Danilo Gentili, que é muito dedicado no que faz, muito esforçado"

Crise na Band

Dizendo-se um tanto "por fora" da crise pela qual passa a Band, Tas explica que fez questão de encerrar definitivamente seu contrato com a emissora. "A Band ainda me propôs um contrato para ficar lá e pensar em algo no jornalismo e foi uma proposta muito honrosa porque eu gosto muito do jornalismo da Band, respeito o trabalho deles. Mas a televisão aberta está passando por uma transformação muito profunda e infelizmente ainda não se deu conta. A TV aberta, tem que se jogar de verdade, e não estou falando de mudança é tecnológica. O foco tem que ser nas pessoas em casa, que estão fazendo outras coisas em pequenas e grandes telas. As emissoras não entenderam que estão sangrando diante dela uma mudança colossal", opina.

Rafinha Bastos

Sobre o fim do "Agora É Tarde", apresentado por Rafinha Bastos, ele vai mais fundo e é mais direto. "Não acho que é uma onda, não acredito nisso. As pessoas gostam de coisas boas, de qualidade. E os programas de qualidade continuam, só o que é bom permanece", alfineta. "É o caso do  Jô Soares e do Danilo Gentili , que é muito dedicado no que faz, muito esforçado. Ou do Caco Barcellos , que está sempre se renovando. Também gosto desse programa novo do Marcius Melhem e Marcelo Adnet , o 'Tá No Ar'", diz. 

A saída é rir de si mesmo

Para ele, a Globo acertou ao permitir as piadas sobre a própria programação e as críticas à emissora no 'Tá No Ar'. "Essa é uma boa inspiração. Quando a emissora líder se arrisca, é uma boa dica para as outras pensarem: 'por que será que a emissora líder está se arriscando?' Ela está fazendo muito bem porque, se acomodar, o público vai pra outras telas", finaliza.



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