Ex-galã da Globo, Sérgio Marone estreia na Record em "Os Dez Mandamentos" e critica exclusividade da TV brasileira

Sérgio Marone
Michel Angelo/Record
Sérgio Marone

Sérgio Marone estava há dois anos e meio longe da rotina puxada de uma novela. Fazendo participações aqui e ali e tocando projetos pessoais, o ator de 34 anos recebeu das mãos da diretoria da Record o convite, segundo ele, mais diferente da carreira. Marone analisou a proposta, a história e a equipe e disse sim para o papel de Ramsés na novela “Os Dez Mandamentos”, que estreou nesta segunda-feira (23), às 20h30.

Como o príncipe egípcio, Marone faz sua estreia na concorrente direta da Globo. As primeiras cenas irão ao ar a partir da próxima segunda (30). Em conversa com o iG , ele analisou o novo passo. Com calma, afirmou que não deu ouvidos para discursos vazios e preconceituosos, e que acredita piamente que a disputa entre os canais é algo saudável.

Liberação da Globo

Um detalhe, contudo, incomoda o ator. A exclusividade dos contratados no Brasil é algo antiquado e deveria ter fim. “Acho um absurdo você ser da Globo e não poder divulgar seu trabalho na Record, ou no SBT… Tem que pedir liberação. Nos Estados Unidos eles jogam juntos. Você tem um cara que faz uma série na Fox e aparece na HBO falando. Eu acho que tinha que acabar com isso. Seria muito mais interessante para o mercado, público, para todos nós… Menos para a emissora que é líder, obviamente, que quer continuar como líder e com essa distância toda”, falou.

No mais, sob a batuta do diretor Alexandre Avancini , Ramsés deve mesmo entrar para o currículo de Marone como um dos maiores desafios já enfrentados. A carga de gravação (contando com ensaios e maquiagem) ultrapassa as 14 horas por dia algumas vezes. Mesmo assim, ele anda feliz da vida e satisfeito com o que já conquistou. “É um ano de entrega, é um ano que a vida vira isso. Mas quando você ama o que faz, não fica tão difícil. Só preciso encarar que isso aqui é minha vida até o fim do ano”, falou. Confira entrevista completa abaixo:

iG: É uma estreia e tanto em uma nova casa, né?
Sérgio Marone : Acho que não podia sem em melhor hora e nem em produto melhor. É o que a casa faz de melhor em termos de dramaturgia. E a história é muito além de uma novela bíblica. A trama fala de personagens que vivem emoções intensamente, e eu acho que, num mundo onde estamos cada vez mais apáticos, ter essas história de pessoas que entregariam suas vidas em busca de suas ideologias é muito bonito. Acho fantástico, mágico.

iG: Você nem pensou duas vezes?
Sérgio Marone : Não, de maneira nenhuma. Eu já estava há dois anos e meio sem fazer novela, e não estava muito nos meus planos. Mas quando eu recebi o convite vi que era irrecusável. Eu sempre tive vontade de trabalhar com o (Alexandre) Avancini, que é um cara que desde a Globo eu admiro. Essa novela vai ser vendida para o mundo inteiro, vai quebrar um paradigma. É um trabalho épico, é uma saga que a gente faz quase todos os dias.

Sérgio Marone como Ramsés
Michel Angelo/Record
Sérgio Marone como Ramsés

iG: Você está gravando quanto tempo por dia?
Sérgio Marone: Trabalho umas 14, 15 horas por dia, mais ou menos. Às vezes eu não gravo, mas daí eu vou treinar, ou vou decorar texto, estudar… É um ano de entrega, é um ano que a vida vira isso. Mas quando você ama o que faz, não fica tão difícil. Só preciso encarar que isso aqui é minha vida até o fim do ano.

iG: Como foi a exigência corporal para esse personagem? O que você anda praticando?
Sérgio Marone : Eu emagreci bastante para o personagem. Estou fazendo um treinamento funcional bem intenso, cinco vezes por semana, e ainda treino mais uma vez por semana sozinho (sempre com acompanhamento profissional, claro). Dieta (como de três em três horas), muito aeróbico para secar, porque eu não podia ficar grande, forte. Eu não perdi muito peso, sempre fui muito esportista, então só troquei massa gorda por massa magra. Eu mais defini do que perdi.

iG: Ele tem muita cena de peitoral à mostra?
Sérgio Marone : Tem, tem… Quando aparece ele no treinamento, é sem camisa. E no dia a dia, as meninas do figurino exploram bastante decotes, as batas dele são mais abertas, diferentes das outras batas. O figurino está, realmente, incrível. Como ele é guerreiro, tinha que ter um corpo definido, e a roupa traduz um pouco de como ele é. É extremamente vaidoso.

iG: Alguma vez você já imaginou que iria interpretar um personagem como esse na vida?
Sérgio Marone : Nunca (risos). Com esse personagem eu estou fazendo coisas que nunca tinha pensado, como andar de biga, sabe? É aquela carruagem egípcia redondinha. Essa, aliás, é a primeira sequência do Ramsés e Moisés ( Guilherme Winter ) adultos. Gravamos na Pedreira (Pedra de Guaratiba). Também nunca imaginei gravar de saia o dia inteiro, e nem passar essa maquiagem pesada… Depilar!

iG: Depilou o corpo todo?
Sérgio Marone : Precisei! Perna, peito, tudo… Só braço, como tenho pouco pelo, consegui fugir. Mas tive que tirar tudo, porque naquela época eles não tinham pelos por um questão de higiene mesmo.

iG: Você é um cara bonito, que chama atenção, e já foi chamado de sex symbol. O que você acha do título?
Sérgio Marone : Não sei, não acho muito. Vocês gostam de rótulos e eu já tive alguns algumas vezes. Mas eu não abraço isso. Não é uma coisa que me seduz. Agora, eu acho que tenho um pouco do tipo do personagem. Televisão é muito isso, é você ter a cara do personagem, a energia dele. Acho que isso eu tenho. É uma das poucas coisas que tenho de semelhança com Ramsés.

iG: Sobre as cenas de lutas, como funciona? Rola uma coreografia?
Sérgio Marone : Isso é outra que eu nunca tinha feito, gravado com o fundo verde. É muito interessante. Fizemos duas semanas de aula de luta e gravamos sequência homéricas (risos). As cenas da primeira batalha acho que gravamos 30% com o fundo verde, e você precisa se imaginar naquele lugar, naquele clima, com um monte de gente, quando na verdade só tem você e um dublê vindo te golpear (risos). É mágico, não sei outra palavra para definir.

iG: O envolvimento do Ramsés com a Nefertari (Camila Rodrigues) acontece porque ele realmente gosta dela ou ele quer enfrentar o Moisés (Guilherme Winter)?
Sérgio Marone: As duas coisas. Ele é apaixonado por ela sim, porque entre os três o amor passa um pouco dessa coisa fraternal. Claro, não existe nada homossexual entre Ramsés e Moisés, mas com Nefertari passa um pouco desse limite. Ao mesmo tempo, tem uma coisa de disputa, tem a vaidade do Ramsés, que não aceita perder para Moisés.

iG: Ele começa a história como um príncipe, mas no fim das contas ele vira um déspota. É o poder que transforma o Ramsés?
Sérgio Marone : É o poder. É aquela coisa: para conhecer uma pessoa de verdade, dê poder para ela. E tem gente que se deslumbra com pequenos poderes, né? Eu fico imaginando aqui sentado nessa cadeira (ele aponta para o trono do Faraó, no cenário da novela), você pensando que isso tudo é seu, você pode fazer o que quiser, na hora que quiser… Tem que ter uma estrutura psicológica muito grande para saber lidar. Eu ficaria muito desconfortável nessa situação, mas tem gente que gosta, que vive para isso e só existe por causa disso. É normal que você pire. Tem que ter uma cabeça bem formada para não ter nenhum deslumbramento. A gente, quando faz a primeira novela das 21h, já fica um pouco deslumbrado. Agora, perder a cabeça do jeito o Ramsés perde, eu acho até um pouco compreenssível, porque realmente é muito louco.

iG: Você tem uma história legal na Globo, já fez muitas produções lá, e realmente existe uma concorrência clara entre as duas emissoras…
Sérgio Marone: Que bom, né? Concorrência é bom para todo mundo...

iG: Mas quando você anunciou sua vinda para cá, você ouviu muita coisa desagradável do público ou algo parecido com isso?
Sérgio Marone : Ah, sim, teve gente que falou que eu não era a cara da Record e tal… Mas eu acho que a gente tem que batalhar - e quando eu falo a gente, é todo mundo: mercado, imprensa, as pessoas que trabalham nesse mercado, e até o público - por um mercado melhor distribuído. Isso é bom para todo mundo. É melhor para a produção audiovisual brasileiro, é melhor para os produtos que a gente faz aqui. Nos Estados Unidos, são tantos canais, tantos produtos e não tem essa (de exclusividade). Eu acho um absurdo você ser da Globo e não poder divulgar seu trabalho na Record, ou no SBT… Tem que pedir liberação. Lá fora eles jogam juntos. Você tem um cara que faz uma série na Fox e aparece na HBO falando. Eu acho que tinha que acabar com isso. Seria muito mais interessante para o mercado, público, para todos nós… Menos para a emissora que é líder, obviamente, que quer continuar como líder e com essa distância toda. Então, eu não escutei o que as pessoas falaram. Assinei um contrato por obra, não sou recordista, como gostam de dizer, ou global. Odeio qualquer tipo de rótulo. Acho que o importante é fazer bons trabalhos, estar feliz com a oportunidade que vocês está tendo independente de emissora. Acho tudo isso uma bobagem.


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