Trama chega ao fim com pegada forte no melodrama, cenas muito bem dirigidas e atuações primorosas


E como havia sido anunciado, Aguinaldo Silva resolveu, realmente, matar o personagem principal de "Império". No último capítulo da novela o comendador, interpretado com maestria por Alexandre Nero durante toda a novela, acabou morto pelo filho, José Pedro ( Caio Blat ) a identidade secreta de seu maior vilão, Fabrício Melgaço.

O autor disse em entrevistas recentes que quem faz novela não pode ter medo de perder o senso do ridículo porque novela é melodrama. E ele tem toda razão. É fato que os últimos capítulos da novela pareceram, de certa maneira, desconectados de tudo o que havia acontecido anteriormente.

Vimos diálogos fracos, Maria Marta se transformar, do nada, em uma mulher que, nem de longe parecia a personagem que Lilia Cabral interpretou durante a trama. Mesmo a escolha de Caio Blat como o grande vilão não foi das melhores ( Othon Bastos segurou muito melhor a onda quando Silviano mostrou seu lado obscuro).

Mas a coragem de matar o anti-herói no último capítulo, quando todos esperam que novelas devem ter finais felizes, sem contar o primor com que a cena da morte de Zé Alfredo foi realizada, só fez comprovar a tese de Aguinaldo. 

Sem falar da cena em que o comendador é cremado. O momento em que Maria Marta chama cada um dos familiares para a frente do caixão e todos fazem um círculo, de mãos dadas, coroou o capítulo. Melodrama no melhor significado da palavra. Arrepiante, emocionante, de arrancar muitas lágrimas. Assim como o momento em que "as mulheres do comendador" jogam suas cinzas no Monte Roraima.

E o ponto alto: a aparição do comendador na janela da mansão dos Medeiros 8 anos depois, quando os familiares posam para a foto oficial durante festa de aniversário da Império Joias.

Justiça seja feita: a direção mandou muitíssimo bem nas cenas de ação escritas por Aguinaldo, principalmente no penúltimo capítulo, e no clima de tensão, suspense e melancolia do último.

No mais...

Precisava transformar a história de Magnólia ( Zezé Polessa ) e Severo ( Tato Gabus Mendes ) num drama de filme de Sessão da Tarde? Aí já parece um pouco de abuso. Mas Zezé a Tato Gabus foram tão convincentes, que a gente aceita mais esse abuso de Aguinaldo.  

Humor

Império vai ficar marcado por núcleos hilários. De Xana Summer ( Aílton Graça ), Naná ( Viviane Araújo , a grande revelação da teledramaturgia graças à atuação) e a impagável Lorraine a Paulo Betti e seu maravilhoso Téo Pereira, afetadíssimo na fala, nos trejeitos, dono de frases e expressões inspiradíssimas.

Talento de sobra

Império contou com atuações insquecíveis. Muitos atores deram um banho de talento. Marjorie Estiano e Drica Moraes , que se dividiram no papel de Cora, Leandra Leal , que fez a mocinha perfeita, Cristina, e teve muita química com Rafael Cardoso , o Vicente, Andreia Horta , no papel de Maria Clara, Joaquim Lopes como Enrico, Klebber Toledo como Leonardo, Suzy Rego sensacional como Beatriz etc...


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