Na pele de Carlos, ator tem desafio de transmitir o sentimento legítimo por outro homem apenas no silêncio e no olhar

Marcos Pasquim
Divulgação/Globo
Marcos Pasquim

Marcos Pasquim está que não aguenta de ansiedade pela estreia de “Babilônia”, nova novela das 21h que chega às telas da Globo na próxima segunda-feira (16). O nervosismo é válido: apesar de ser macaco velho na profissão, esta é a primeira trama da faixa das 21h que ele participa. E mais! Ele, que sempre teve o estigma de gato descamisado que pega todas as beldades da história, desta vez será um pai de família que esconde a sexualidade no armário.

Foi o desafio duplo que fez Pasquim topar criar o personagem Carlos. “É diferente de tudo que já fiz. Com certeza ele me tira da minha zona de conforto. Além disso, é um horário novo para mim. Estou amando. A novela tem uma galera muito interessante e trabalhar com o Dennis (Carvalho, diretor) é muito bacana. O astral da novela é bacana, sabe? Estou muito animado”, disse ao iG .

Por sair tanto do que o público está acostumado a ver de Pasquim na ficção, ele mergulhou em pesquisa. Tudo isso porque Carlos, um treinador de saltos ornamentais, é um cara que não dá pinta. “Sem ter a bengala do trejeito é bem mais difícil interpretar, porque é preciso mostrar internamente o conflito dele. Se uma pessoa começa a conversar com você sem trejeito, você nunca vai rotular se é gay ou não. O Carlos vai se descobrir com olhares, com silêncio”, contou.

Casado, pai de família e exemplo no seu trabalho, o personagem vai ter a vida virada de cabeça para baixo quando começa a reparar no que está por acontecer. Do outro lado da linha está Marcello Melo Jr , que interpreta o instrutor de slackline e gay bem-resolvido Ivan. “O Carlos tem muitos conflitos na cabeça. Se esconde, está total no armário, e quando se vê olhando, admirando, querendo outro homem, toma um susto, dá um nó na cabeça dele”, falou.

“O que eu acho é que esse tipo de situação, de ter um cara casado, com filhos, que depois quer ser livre para viver suas escolhas é muito comum, mais do que se imagina. Nosso objetivo é tentar fazer a coisa sem trejeitos. A TV tem caricaturado o gay um pouco. E aqui queremos o personagem sem nada, liso. É só o sentimento mesmo em cena”, continuou o ator.

Na onda da igualdade, Pasquim reconhece o grande serviço da TV na luta contra a homofobia e torce por um beijo entre o casal. “Estou a serviço da arte. Se precisar, vam'bora”, garantiu. “Teve uma coisa que eu li e não gostei. Falaram que vou fazer ‘o machão’ da relação. Não é isso. Ele é um cara normal que mais lá na frente vai falar ‘eu te amo’ para outro cara. O sentimento não tem trejeito”, decreta.

Veja fotos da festa de "Babilônia" na galeria abaixo!


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