Chegando ao fim, "Império" coroa o trabalho de Alexandre Nero como o comendador José Alfredo


É fato que, para uma novela dar certo, é necessário uma combinação de diversos fatores: uma trama intrigante, diálogos inteligentes, grandes vilãs ou vilões interpretados por atores talentosos, mocinhas e mocinhos convincentes, romance, comédia e drama no ponto certo etc etc etc...

Mas existem casos em que além dos ingredientes todos estarem em perfeita harmonia, a novela chega ao público com um algo a mais. E é nessa categoria que “Império” se encontra. Aguinaldo Silva foi brilhante ao desenhar o anti-herói José Alfredo para protagonizar sua trama. E ainda mais incrível foi o fato de que ele ganhou vida com Alexandre Nero . Porque uma coisa é fato: o comendador não seria tudo isso, se não fosse o trabalho desenvolvido pelo ator ao longo da trama.

Fair play

Alexandre Nero é um ator como poucos. Ele joga limpo, não se camufla e deixa escancarado quem é. Tá nas redes sociais para quem quiser ver. Seu Instagram é impagável! Ele conversa com os fãs, faz piada... Suas entrevistas costumam ser muito claras, sem rodeios. Aliás, ele sabe lidar muito bem com a imprensa (nós agradecemos!). E ainda sabe dar risada de si mesmo. E não tem como a personalidade dele não interferir em seu trabalho como José Alfredo.

O personagem certo para o ator certo

Se formos pensar na última novela que Nero fez, “Além do Horizonte”, fica até difícil lembrar que era ele um dos principais vilões da história. Não por acaso: foi uma trama que praticamente passou batida, ainda que o ator tenha desempenhado seu papel com honestidade.

Já em “Império”, foi como se Aguinaldo Silva tivesse costurado o personagem no corpo do ator. Os diálogos, as ações, tudo o que o autor pensou para o personagem, foi desempenhado com maestria por ele.

E, abrindo parênteses aqui, Chay Suede brilhou muito como José Alfredo na primeira fase da trama, outra aposta certeira da novela.

Carisma

Esse é um fator que: ou você nasce com ele, ou pode esquecer. Não tem escola que ensine alguém a ser carismático. E Alexandre Nero tem carisma de sobra. Com toda a (charmosa) truculência de seu personagem, um empresário milionário, porém avesso às regras de etiqueta, é um personagem extremamente querido pelo público, 

Charme

Ele não é um Gianecchini, um Fábio Assunção, esses atores que tem uma beleza que podemos chamar de óbvia. Podem, inclusive, até considera-lo feio. Mas ele tem “borogodó”, que é mais uma das coisas que não é qualquer homem que tem. O jeito de falar, o sotaque, os sussurros ao pé do ouvido de Maria Ísis, o cabelo desgrenhado, a barba grisalha, e o charme, que transborda, fez com que ele conquistasse o posto de sex symbol. E, cá entre nós, não teria como ser diferente.

Talento

É, de certa forma, repetitivo, mas não fosse o talento de Alexandre Nero, a novela certamente estaria em maus lençóis. É preciso muita confiança no próprio taco para viver um personagem que pode parecer simples, mas é composto de total complexidade. O comendador tem um humor muito peculiar, precisa manter sua fama de mau ao mesmo tempo em que se mostra o mais carinhoso dos amantes, passou por poucas e boas, sendo obrigado a fingir a própria morte e em sua reta final está prestes a perder o controle por estar na mira de um assassino que pode liquidá-lo a qualquer momento. Tirou todos os desafios de letra.

Como num jogo de vôlei, Alexandre Nero não errou uma manchete, soube receber todas as levantadas e deu cortadas fundamentais para que seu time fosse campeão. O que os melhores capitões de suas equipes sabem que devem fazer.

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