Uma semana antes da estreia da 15ª edição do "Big Brother Brasil", Globo abre a casa do reality show para jornalistas

Retiro tudo que disse até hoje sobre a reação dos participantes no "Big Brother Brasil". Após aceitar convite da Globo para vivenciar a experiência de ser BBB por algumas horas, derrubei alguns dos poucos preconceitos que tenho sobre o reality show. Poucos porque, ao contrário de muitos amigos e familiares, sempre fui apaixonada pela ideia de acompanhar a rotina de indivíduos que não se conhecem e são forçados a conviver.

Brinde na casa 'BBB 15'
Globo/João Cotta
Brinde na casa 'BBB 15'

Gosto de BBB desde a “Casa dos Artistas”, quando um atrevido Silvio Santos passou a perna na Globo e transformou famosos de diferentes áreas em cobaias. E cobaias mesmo, já que foi a primeira vez no Brasil que o formato era colocado em prática, isso láááá em 2001. Fiquei fascinada. E gosto mesmo, nunca tive vergonha de dizer e até defender a atração em alguns casos. É claro que como jornalista incrédula, e mais, como fã bem chata que sou, tenho ressalvas diversas sobre algumas passagens. Ressalvas essas que, já disse, foram dizimadas no momento em que entrei na casa.

Queria morrer sempre que ouvia aqueles gritos assim que os aspirantes a ex-BBB pisavam no gramado do programa. Ou quando, nas 14 (todas) edições que acompanhei alguém dizia que nem parecia estar sendo vigiado 24 horas por dia. Que a noção de tempo se perdia em poucos minutos, que era fácil falar mais do que a boca ou mostrar o que não se deve em alguma troca de roupa. Pois bem, passei por isso e digo: eles falam a verdade.

Seleção

Numa tarde absolutamente trivial de trabalho, a repórter do Rio de Janeiro (trabalho em São Paulo) me avisa que a Globo vai me ligar para me fazer um convite. Normal, nessa área sempre recebemos convite para entrevistas coletivas, festa de lançamento de alguma novela ou programa. Mas não, desta vez era diferente.

A ideia era me levar à casa da edição 2015 do “BBB” uma semana antes da estreia para conferir a reforma, as novidades. Fiquei empolgada e, claro, aceitei. Eu não seria a única, outros jornalistas também fariam o que eu ainda pensava ser apenas uma visita.

Comecei a notar que o buraco era mais embaixo quando recebi um e-mail da Globo oficializando o convite com algumas orientações: “mande uma foto, use roupas sem logomarcas, fique à vontade para levar roupa de banho, não será permitida a entrada na casa com relógio, celular ou câmera fotográfica.”

Caramba, serei uma BBB!

E foi justamente o que aconteceu. No Projac, onde fica a casa do reality show, eu e mais 17 jornalistas recebemos instruções de que a tal visita não seria apenas uma visita. Nós viveríamos na casa como os participantes. Tudo bem que por apenas duas horas, mas valeria a pena.

Jornalistas convidados viram BBBs por duas horas
Globo/Paulo Belote
Jornalistas convidados viram BBBs por duas horas

No tititi, um queria saber se alguém entraria na piscina, o outro se preocupava se seríamos filmados, alguém lembrou que deveria controlar a boca para não falar besteira... A partir daí, tudo aconteceu como se fôssemos mesmo os selecionados.

Confinamento

Cada um recebeu microfone com seu nome e fotografou em frente à porta de entrada (e saída, é aquele espaço que recebe as famílias no dia das eliminações). Passamos pela porta e seguimos por um corredor todo forrado de preto, do chão ao teto, completamente escuro. E voilà, estávamos ali no jardim. E teve, sim, gente que gritou uhuuuu. Eu estava boquiaberta. A casa é um deslumbre. De cara dá para ver os espaços das fofocas, maquinações, panelinhas. Tudo muito bem decorado, digno de revista de design de interiores.

Em frente à entrada está o quarto do líder, que voltou à área externa. Infelizmente foi o único espaço trancado e não pudemos entrar. Ao lado da piscina, uma sauna seca, a lavanderia e a escadinha que leva ao piso onde secam as roupas. Eu tinha uma curiosidade especial sobre esse espaço, já que nunca aparece nas edições. E ainda bem que não aparece. O lugar é uma laje mal acabada, com piso de cimento, fios e refletores que iluminam o jardim lá embaixo. Não tem nada que interesse, apenas aqueles varais de chão proibidos de colocar na varanda do seu prédio justamente porque enfeiam a fachada. Não dá um pingo de vontade de ficar ali.

Na lateral da piscina, o Big Fone em uma minicabine londrina. E enfim, a casa. Não achei o espaço interno maior ou menor, mas bem fiel ao que aparece na TV. O ar-condicionado é realmente muito forte, o que justifica a soneca sob edredons durante dia e noite. Na cozinha, encontramos duas tortas, geladeira e frigobar cheios. Tudo só para nós. Em poucos minutos a pia estava cheia e pelo balcão, vários potes de comida abertos sem que ninguém estivesse comendo. Alguém assumiu a louça e outra (no caso, eu), passou fechando os potes e guardando na geladeira. Não éramos mais jornalistas, éramos nós.

E então o Big Fone toca! Todos correm para atender, mas o colega que tira do gancho ouve o silêncio. Rá, foi pegadinha. Minutos depois, toca de novo e eu atendo. Pegadinha pela segunda vez! Voltamos a explorar a casa, que tem dois quartos, um extremamente colorido que chega a doer a vista, e o outro, uma suíte, em tons de azul e verde, mais sereno. Ainda no andar de baixo, o banheiro maior, todo aberto, a despensa e o confessionário. Todas as portas de espaços que possibilitam eventual contato com alguém de fora têm uma luz sobre elas. Vermelho: trancada. Verde: liberada. O confessionário estava verde e entrei sem cerimônia. A parede atrás da poltrona (toda enjoada, daquelas que você só vê em ambientes da Etna) tem um megatelão que, naquele momento, exibia o logotipo do “BBB”.

No andar de cima, só a academia. Uma academia indoor. Seria o cômodo que eu passaria menos tempo, mas tem tudo para todos os gostos. Neste momento, o primeiro aviso sonoro da produção: “Despensa liberada”. Um bolo com o número 15 na vela, balões dourados, três garrafas de espumante e taças coloridas. Começou a tocar “seeee, querer é podeeer, tem que ir até o final, se quiser venceeeer.” Brindamos do mesmo jeitinho que os participantes fazem. Lembrem, não éramos jornalistas, éramos nós.

Em minutos falávamos sobre nossas vidas, criávamos impressões uns dos outros e imaginávamos como seria conviver com aquele ou esse por dias seguidos. Seis entraram na piscina. Eu não, e me arrependi.

Eliminação

O segundo aviso sonoro ordenava: “todos na sala em cinco minutos”. Você é pego de surpresa com essas intervenções e dá facilmente para ficar sem entender. Nunca mais julgo o que pensava ser lerdeza ou má vontade dos participantes quando pediam reprise do aviso. Acomodados na sala, demos de cara com Pedro Bial na TV. Tal e qual as cobaias, comemoramos a aparição, fizemos tchauzinho. Que mico! Bial apresentou o novo diretor da atração, Rodrigo Dourado , que estava a seu lado, e só quando disse que podíamos começar a perguntar sobre o “BBB 15” lembrei o que estava fazendo ali.

Leia a entrevista com Pedro Bial de dentro da casa do BBB

Terminou a conversa. Ok, vamos voltar para a piscina, confraternizar e refrescar nesse calor infernal do Rio de Janeiro. Claro que não. Hellooooo, você é jornalista! “Podem se arrumar para deixar a casa”, comunica a produção no terceiro e último aviso sonoro da experiência. Sério isso?

E então fomos deixando a casa. As meninas que tinham entrado na piscina sofreram um bocado para trocar de roupa sob os edredons, mas saíram vitoriosas, sem mostrar peito ou bunda, dizem.

No sofá da sala, de olho em Bial na TV
Globo/João Cotta
No sofá da sala, de olho em Bial na TV

Lá fora, os responsáveis pelo convite riam e comentavam nossa atuação. Acompanharam todos os minutos que ficamos lá dentro. Pensei: “nossa, verdade, tinha câmera por cada canto”. E, sim, esse pensamento era um dos meus preconceitos com BBBs. Como assim você esquece as câmeras? Cala a boca, é impossível! Caiu minha máscara, é assim mesmo.

Saímos a tempo de ver a produção removendo as taças coloridas pela casa construída ao lado da do BBB, onde existe o acesso à despensa e ao confessionário. E admito que ficou um gostinho de quero mais. Eu ficaria trancada lá até o fim do “BBB”, ou até quando o Brasil me suportasse, mas fui eliminada em apenas duas horas, recorde de rejeição.

Que venha o “BBB 15”, estou de olho!


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