Cada vez mais a internet ganha força. O desafio agora é usá-la como complemento, e não como adversária da TV

Foi-se o tempo em que a TV mandava na agenda. Foi-se o tempo do horário marcado. Hoje, cada um faz sua TV da maneira que bem entender. Milhões de opções e plataformas entraram na ciranda para dançar lado a lado com o telespectador. TV, gravador digital, internet, celular, vídeos, TV a cabo… São diversos caminhos para a produção de entretenimento (seja novela, série, filme, programas de humor, jornalísticos e etc). E, por isso, a maneira de fazer TV aberta está, hoje, suspensa. Ninguém sabe muito bem para onde ir e o que fazer para reconquistar a audiência perdida nos últimos anos. Por isso, colocamos a questão em discussão.

Para começo de conversa, a medição da audiência por instituições como o Ibope ainda é um tipo de prêmio para quem atinge e ultrapassa metas. Mas calcular a popularidade de determinada atração pelo número de televisores ligados nas gigantes Rio de Janeiro e São Paulo já está longe do ideal. Estamos na era on demand. Se fulaninho não conseguiu assistir ao capítulo da novela na noite de ontem, ele vai recuperar pela internet na manhã de hoje. E aí, e essa medição?

Grandes comunicadores do País seguem se perguntando a mesma coisa. Como bater essa cobrança pela audiência e, ao mesmo tempo, manter o lucro com anunciantes na era on demand? Em um encontro que o iG teve com Marcelo Tas , ele comentou: "(A audiência) de todos os programas caiu, até novelas, 'Jornal Nacional'... Tem uma coisa maior que tem que ser encorajada. Só vai cair daqui para frente. E não é para se assustar, e sim entender o novo papel da TV aberta. Estamos todos reaprendendo".

Marcelo Tas
Divulgação/Band
Marcelo Tas


Tas continuou: "Essa é a era de crise grande, nós temos que nos reinventar. Estou animadíssimo, é a época mais fascinante que já vivi. Mas nós temos que ter uma discussão melhor qualificada. O Ibope errou nas eleições, imagina se é uma regra ficar debatendo o Ibope para medir televisão? Não estou desmerecendo o Ibope, mas até ele tem dificuldade para entender o que está acontecendo", afirmou.

Luciano Huck também entrou na dança. Ele, que já jogou nas onze posições durante toda a carreira (já foi de rádio, além da TV), concorda com Tas. Estamos em transição, aprendendo a usar a internet como catapulta para alavancar o sucesso na telinha. “As pessoas falavam que as redes sociais iam competir com a televisão, e acho que foi ao contrário. Acho que foi a coisa mais complementar que nasceu nos últimos 50 anos”, disse.

Luciano Huck
Divulgação/Globo
Luciano Huck

“Acho que ainda é mais borbulha do que champanhe. Você tem uma mudança de comportamento que é nítida, mas a força da TV aberta no Brasil ainda é enorme. É incomparável com qualquer outro tipo de veículo ou qualquer outro tipo de plataforma de distribuição de conteúdo. Acho que a TV aberta tem um papel muito importante no Brasil e vai ter ao longo de muitos anos”, opinou o apresentador do “Caldeirão do Huck”, da Globo.

No fim das contas, ninguém é o senhor da solução. O lance é abrir os olhos e analisar as mudanças. Huck assina embaixo. “O que acontece é uma mudança de comportamento. Você vê a TV a cabo crescendo, a on demand crescendo também, mas acho que todos nós que trabalhamos com mídia vamos olhar para trás daqui a 50 anos e vamos ver que a gente participou de um momento da história. No passado a gente tinha três plataformas e agora são milhões. E tanto faz. O que vai sobreviver sempre é o bom conteúdo”, garantiu.

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