De Félix a Xana Summer, nunca antes a TV aberta peitou tanto o conservadorismo em pleno horário nobre

Nunca antes na história desse País a TV aberta bancou tanto a diversidade de gêneros como em 2014. Ainda sob forte chuva de críticas por parte dos telespectadores mais conversadores, novelas e séries quebraram tabus na telinha em horário nobre e mostraram que não dói nada praticar a tolerância e a inteligência. Aceitar casais com uma configuração que foge do que parece ~comum~ é um exercício que o brasileiro começa a fazer de mãos dadas com o entretenimento.


Para começo de conversa, no mês de janeiro, Walcyr Carrasco nos brindou com uma das cenas mais emocionantes do ano: o beijo entre Niko ( Thiago Fragoso ) e Félix ( Mateus Solano ). A naturalidade e doçura da cena quebrou corações no último capítulo de "Amor à Vida". Os atores e o autor receberam diversos prêmios pelo trabalho e pela conquista em colocar o beijo gay entre dois homens na faixa das 21h da Globo.

De lá para cá, o movimento sentido foi uma cobrança muito maior por parte do público que apoia o amor. A sucessora de “Amor à Vida” foi “Em Família”, que mostrou o envolvimento de Clara ( Giovanna Antonelli ) e Marina ( Tainá Müller ). O beijo entre as moçoilas não fechou a trama e nem causou um terço do burburinho do #teamfélix, mas foi uma das poucas coisas que salvou a novela de Manoel Carlos .

Disputando o topo do pódio também está Dorothy, de "Geração Brasil". Com classe e elegância, Luís Miranda salpicou humor para interpretar a transgênero mãe de Brian ( Lázaro Ramos ) na faixa das 19h. No fim da história, a dama, que nasceu Dorival, terminou nos braços de Cidão ( André Gonçalves ), mas o beijo entre os dois foi camuflado por uma nuvem de balão de festa. Uma pena.

Daí aparece, nos moldes de um transgênero, Xana Summer com Aílton Graça em “Império”. O que o cabeleireiro é, de fato, ainda não foi revelado. Se falou em crossdresser (em uma cena de Xana com Lorraine), que nada mais é que um heterossexual que gosta de se vestir de mulher. Mas tudo leva a crer que muita água vai rolar desse riacho. Ao iG , inclusive, Aílton comentou a importância da imagem de Xana no horário nobre da Globo.

"Félix e Niko é uma coisa montadinha. Eu adoro, acho que a interpretação foi fantástica, mas ainda tinha uma coisa do politicamente correto. Acho que depois do beijo do Félix a gente pode ousar um pouco mais, pode usar mais tinta e colocar a realidade mais nua e crua como ela realmente é", disse. O ator continuou: “Hoje, o que os grupos LGBT estão colhendo é de uma luta lá de trás. Por isso que quis fazer a maquiagem mais carregada mesmo, que apontasse para esse lado. Não quis nada de peito. Ele é um cara que tem a alma feminina com esse corpo mesmo, com as pulseiras, o lenço na cabeça."

Ainda em “Império”, Aguinaldo Silva criou o blogueiro Téo Pereira, interpretado por Paulo Betti (e criticado pelo excesso de trejeitos), Claudio Bolgari, vivido por José Mayer , um coroa que começou a história em um caso com o bissexual Leonardo ( Klebber Toledo ).

Com fôlego para trazer ainda mais naturalidade para a situação, “Babilônia”, de Gilberto Braga , estreia em março de 2015 com Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg como um casal de senhoras lésbicas. Ou seja, motivo para comemorar é o que não falta, mas o caminho de aceitação ainda é longo. Vamos que vamos!

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.