Maria João Bastos voltou ao Brasil após 10 anos fora do mercado brasileiro para viver Diana em "Boogie Oogie"

Depois de 10 anos sem trabalhar no mercado brasileiro, foi pelas mãos de Rui Vilhena que a portuguesa e cidadã do mundo Maria João Bastos retornou para o Rio de Janeiro, cidade de onde parece nunca ter saído. No ar como Diana em "Boogie Oogie", a primeira novela do autor na Globo, Maria tem um quê de carioca no olhar e no andar. O sotaque forte marca que veio da "terrinha", mas isso é apenas um detalhe. Em conversa com o iG , ela admitiu diversas vezes que não via a hora de voltar para as bandas de cá.

Para quem não se lembra, Maria ficou conhecida por aqui em 2002, quando fez "O Clone", de Glória Perez . Naquela época, fincou raízes por cinco anos na Cidade Maravilhosa e fez ainda "Sabor da Paixão" e "Sítio do Pica-Pau Amarelo". Além do Brasil e Portugal, Maria João já estrelou em produções em diversos países da Europa, como França e Espanha, e também nos Estados Unidos. Seu último trabalho no cinema foi em "Variações de Casanova", ao lado de John Malcovich , filme que estreou este mês.

E ela não é só nômade no sentido geográfico. Maria vai onde a vida leva. Aos 39 anos, impressiona pela beleza, o corpão e a serenidade - conquistada, segundo a própria, justamente com a idade. Por isso não tem crise. Se diz muito melhor agora com quase 40 anos do que com 20. Está solteira e ainda tem vontade de ser mãe, "mas sem pressão".

"Miro no alvo do objetivo, mas vivo o dia a dia muito no presente. Até porque, o amanhã ninguém conhece. Gosto de provar o sabor da vida", disse. O papo ainda passeou sobre o futuro de Diana em "Boogie", os fãs brasileiros e a diferença entre os mercados televisivos. Confira na íntegra abaixo:

iG: Como foi para você retornar ao Brasil pelas mãos do Rui?
Maria João: Ah, é ótimo. Sempre tive a sensação de que iria voltar a trabalhar no Brasil. E isso agora está se realizando pelas mãos do Rui, que é um autor com quem já trabalhei em algumas produções em Portugal. Admiro muito seu trabalho, escrita e história. Ficou ouro sobre ouro. Seria um regresso ao Brasil com um projeto que, logo no convite, eu tinha certeza de que seria bom. Fico muito feliz em ver que a primeira novela que o Rui faz no Brasil é um sucesso. Ele tem uma forma muito específica de escrever, um jeito rápido, um humor inteligente e sarcástico.

Maria João
Divulgação
Maria João

iG: Você estava há 10 anos sem fazer novelas aqui no Brasil, né? Encontrou um Rio de Janeiro muito diferente?
Maria João:  Não estive afastada 10 anos da cidade, mas sim de novelas brasileiras. Nunca me desliguei do Rio, porque é uma cidade que tenho uma ligação muito especial. Construí um grupo de amigos brasileiros durantes os cinco anos que morei aqui e mantive essas amizades. Todos os anos eu dava um pulinho por aqui para visitar a cidade e esses meus amigos. Por isso, fui acompanhando todas as mudanças do país. A minha proximidade com o Brasil é algo que nunca deixei de ter.

iG: Sua relação com o Rio é bem particular, né? Se sente quase uma carioca?
Maria João: Sempre me senti (risos). Eu sempre me identifiquei muito e sempre fui muito bem recebida pelos brasileiros. Eu me sinto mesmo em casa, em família. Agora com esse regresso para fazer “Boogie Oogie”, a sensação é de que nunca fui embora.

iG: Sobre Diana, o que você acha sobre essa relação com o Paulo (Caco Ciocler)? Porque desde quando ela descobriu que ele, no passado, teve um caso com Beatriz (Heloísa Perissé), ela ficou desconfiada, né?
Maria João: Olha, eu acho que a relação deles não vai ser fácil de destruir. Eles gostam muito um do outro e sempre tiveram uma relação bacana até chegarem no Brasil, quando a Diana começou a descobrir várias mentiras. Essas mentiras, contudo, não acontecem porque o Paulo não a ama. São simplesmente história da vida que vão se atropelando no caminho deles. Eles estão tentando agir da melhor forma, que seria saber da verdade desde o início. Isso que deixa a Diana muito magoada com o Paulo, porque ele não contou de bate-pronto. Isso vai deixando essa mulher cada vez mais desconfiada e mais paranoica. Todas as mentiras vão surgindo, mas eu, Maria, acho que ela não vai desistir fácil, não.

iG: Essa aproximação da Diana com a Cristina (Fabíula Nascimento) também pode ser muito perigosa, não?
Maria João: Ah, sem dúvida. Mulher quando se sente ameaçada pode virar outra coisa, né? E sobre a Cristina, apesar de achar que elas são diferentes na essência, elas podem se alimentar na paranoia um pouco. E isso pode contribuir para ela fique ainda mais desconfiada e com receio, e daí não sei o que a Diana poderá fazer para defender esse amor.

iG: Você acha que ela poderia virar o jogo e se tornar vilã ou algo do tipo?
Maria João: Eu acho que ela tem um caminho para isso. Da mesma forma que eu acho que ela ainda tem um caminho para ir para um lado bacana. Nesse momento, ela tem o poder da escolha. Eu não posso revelar muito do pouco que já sei e na novela tudo muda a toda hora. Tem um mistério ao redor da personagem que a gente não sabe muito bem para que lado ela irá.

iG: Em termos de TV mesmo, de fabricação, você vê muita diferença entre o Brasil e Portugal?
Maria João: É óbvio que existe uma diferença grande na estrutura que a Globo tem. A emissora produz no Projac, que é um mundo, novela para vários países. Isso gera uma receita que a gente não tem em Portugal. Temos uma empresa menor, com menos anos de existência, e que faz novelas que são feitas especialmente para o nosso público. Agora, no dia a dia, não é tão diferente, porque também temos profissionais maravilhosos na parte técnica e artística. Falando sobre resultado final, nosso produto é muito bom também. Os últimos 10 anos foram essenciais para a ficção portuguesa. Nós temos produzido muito e com cada vez mais qualidade.

iG: Mudando de assunto, você tem 39 anos. Tem algum problema com a proximidade dos 40 anos ou idade não te assusta?
Maria João: Não, a idade não me assusta. Até porque a minha grande paixão na vida é representar. E eu tenho a felicidade de fazer o que eu amo, de ter construído uma carreira sólida e que eu posso atuar em qualquer idade. A idade vai me trazendo também outras oportunidades fantásticas de projetos e personagens maravilhosos para representar que eu não poderia fazer mais jovem. Eu exploro a idade no sentido profissional, e ela tem me trazido experiências muito ricas. Eu adoro festejar meu aniversário e me sinto mais segura e madura a cada ano. Dá para saborear muito mais a vida. Claro que a gente vai mudando fisicamente…

iG: Pois é, e a vaidade?
Maria João: Você vai adaptando. O importante é a serenidade que a idade traz. Hoje sou totalmente diferente de quando tinha 20 e poucos anos. Agora, eu vivo muito melhor, e isso é muito bom. Não dá nem para reclamar muito. O bom é viver, e isso significa envelhecer.

iG: Você tem filhos, é casada? Se não tem, tem vontade?
Maria João: Não tenho filhos ainda, estou solteira e claro que tenho meus objetivos na vida e eles poderão passar por ser mãe. Eu não descarto a vontade, mas não vivo isso com muita pressão, não. Tudo na minha vida tem acontecido da forma certa e no momento certo. O que acontece é que eu aceito o que a vida me dá. Por isso que não me coloco pressão. Eu acho que não aconteceu até agora porque não tinha mesmo que acontecer. E se tiver que acontecer, também estará certo, e será mais uma etapa da minha vida.

iG: Eu te vejo uma pessoa muito nômade não só geograficamente, mas também como pessoa. Você vai vivendo um dia após o outro, não tem muita preocupação… É isso mesmo?
Maria João: Eu me coloco alguns objetivos e corro atrás deles, mas também deixo que a vida me leve. Eu miro no alvo do objetivo, mas vivo o dia a dia muito no presente. Até porque, o amanhã ninguém conhece. Eu gosto de provar o sabor da vida. Nesse sentido, realmente você acertou. Sou um pouco nômade, sim.

iG: Pensa em firmar um tempo no Brasil ou acabando a novela você volta?
Maria João: Se eu tiver aqui algum projeto, seja profissional ou pessoal, que vá colaborar para minha vida, eu vou ficar sem pensar duas vezes. Da mesma forma, se aparecer tudo isso em outro lugar do mundo, eu vou. Essas têm sido minhas escolhas nos últimos anos.

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