No ar com a série "Politicamente Incorreto" no canal fechado FX, apresentador afirmou que precisou abrir mão de ideias e referências para que os episódios não sofressem cortes

Para o deputado Atílio Pereira, não existe o 8, só o 80. É como uma criança mimada, que quer tudo do jeito próprio e na hora que bem entender. Elevando esse comportamento à décima potência, e salpicando um belo punhado de humor, Danilo Gentili encontrou o tom para estrear, em época de eleições, o "Politicamente Incorreto" no canal fechado FX.

A série, da produtora Clube Filmes e exibida toda segunda-feira, às 20h30, mostra o dia a dia maluco do deputado e seu gabinete, um cenário que Danilo conhece bem desde os tempos de "CQC" (Band), quando foi repórter no Planalto.

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Ao iG , Danilo avisou que o objetivo do negócio não era protestar, como alguns de cara podem pensar. Ele não está ali fazendo graça revoltado com o atual cenário da política brasileira. O que quer é relaxar.

"'Politicamente Incorreto' não tem críticas pesadas a nada. Apenas ridiculariza o discurso político vigente. Por isso é repleta de pessoas que parecem querer defender minorias, mas que na realidade estão apenas usando isso para se blindar enquanto buscam por seus próprios interesses. Se as pessoas assistirem à série e perceberem como os personagens são patéticos, acredito que a missão esteja cumprida", disse.

No ar também com o talkshow "The Noite", no SBT, o mundo da TV fechada veio em boa hora para o "Politicamente". Afinal, estar ali significa ter mais liberdade para tratar do assunto política, certo? Mais ou menos. Foi preciso pisar no freio também por lá e maneirar no roteiro dos capítulos.

"Deveria dar (mais liberdade), mas não deu. Tinha todo o cuidado até mesmo para que referências não fossem feitas. Me lembro que sugeri frases em discurso, tínhamos cenas que lembravam diretamente alguns políticos, mas tive que abrir mão, porque o autoritarismo da classe política brasileira chegou também na TV paga. Não se pode fazer referência a eles, coitadinhos. Vai que eles se ofendem ou se magoam, não é?", falou.

Ele continuou: "Aliás, esse autoritarismo típico de gente mimada é característica presente na personalidade do protagonista Deputado Atílio Pereira. Se ele não gosta de azeitona, manda proibir venda de azeitona. Se alguém na internet fala mal dele, manda proibir a internet. Não é disso que se trata essa classe tão imbecil?."

Por falar em internet, no capítulo desta segunda (20), Atílio divulga um vídeo inapropriado e acaba sendo taxado de homofóbico. Para se redimir, propõe a distribuição de um Kit Gay e a criação de um Marco Civil do Humor, mas sua reação é tão extrema que todos passam a pensar que ele, na verdade, seja homossexual.

Brincando com a ficção, Danilo deu sua opinião caso Atílio Pereira fosse um real candidato nessas eleições no País. O deputado teria um bom número de votos? "Teria sim, pois ele tem uma excelente marketeira. Além disso, ele se veste mal, tem a aparência suja, fala tudo errado e ama ter um emprego em que se ganha bem e não precisa produzir nada. Os brasileiros se identificariam com ele", declarou.

O humorista, sem tomar partido concreto, ainda falou sobre o segundo turno das eleições e o que os próximos quatros anos reservam para o país: "Dependendo de quem ganhar a eleição teremos um inferno oficial ou um inferno extra-oficial. Mas um inferno com certeza."

Uma segunda temporada ainda não é certeza, mas "se os fatores decisivos para que isso aconteça forem a boa audiência e os patrocinadores, acredito que sim. Temos esses dois pré-requisitos. Além disso, a FOX disse gostar dos comentários que surgiram na internet entre as pessoas que assistiram", disse. É aguardar - e torcer.

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