No lançamento de "Dupla Identidade", ator falou sobre relação com a autora, Glória Perez, e a preparação para o personagem

Glória Perez está pronta para fazer um convite quase irresistível: acompanhar, de camarote, uma história de poder, perigo, morte e manipulação na companhia de Bruno Gagliasso . Encabeçando o elenco de "Dupla Identidade", o ator pentelhou, nas palavras dele, para agarrar com unhas e dentes o papel do serial killer Edu na nova história da autora para a Globo. Na noite de quinta-feira (4), o primeiro capítulo do programa foi exibido para a imprensa em tela grande, em um cinema carioca, e deixou ótima impressão.

A pegada não é tentar entender o motivo que leva uma pessoa a matar outra, ou como uma pessoa se torna um serial killer. O lance, aqui, é o jogo de gato e rato que se forma entre Edu e o núcleo policial da trama, composto por Luana Piovani (a psicóloga forense Vera) e Marcello Novaes (delegado Dias).

"Apesar de ser um tema sombrio, não é sombrio. É contado com leveza, rapidez, é um thriller. Não tem um peso, ninguém quer saber como nasce um serial killer, nada disso. A gente está contando uma história para se divertir tanto quanto a gente se diverte quando assiste às séries policiais. Só que agora é em português (risos)", afirmou Glória.

A diversão é, de fato, inegável. Nas imagens orquestradas por Mauro Mendonça Filho , diretor de núcleo e geral, a câmera é agitada, capricha nos closes para captar detalhes e olhares, e acompanha a velocidade da narrativa. A trilha dá o toque final: rock pesado, estilo heavy metal mesmo, composto por Andreas Kisser e tocado por Sepultura. É o cenário perfeito para a escuridão de Edu, que se sente Deus, com o poder da vida e da morte nas mãos quando seleciona suas vítimas.

Gagliasso dá conta do recado de cara. Glória, que trabalhou com ele em "América" e "Caminho das Índias", tinha pensado em seu nome quando teve a ideia do texto, mas logo depois achou o ator muito novo. "Falei isso para ele, e ele disse que não era. O Maurinho também achou que ele era muito novo, ele também falou que não era. E aí decidimos fazer o teste, e era ele. Não dá para imaginar mais ninguém no papel. Ele era o Edu", decretou Glória, para deleite do ator.

Glória Perez e Bruno Gagliasso
Alex Palarea e Felipe Assumpção/AgNews
Glória Perez e Bruno Gagliasso

"Eu e Glória temos uma história muito bacana. Costumo dizer que ela é minha mãe na televisão, e é. Ela me deu grandes personagens, como o Júnior de 'América', e o Tarso, que era o esquizofrênico em 'Caminho das Índias'. Quando pensou em mim, é justamente porque sabe que gosto de personagens assim e porque ela confia. Só que ela me achava novo para o papel. E eu liguei para ela e falei que queria fazer o teste. Liguei para o Maurinho e falei a mesma coisa. Fui o último a fazer o teste e deu certo, era meu", lembrou.

Voltando para a trama, Edu sonha com poder. Se envolve com grandes nomes e tem ambição que não cabe dentro de si. Para afastar qualquer suspeita, encontra o álibi perfeito: a produtora de moda Ray ( Débora Falabella ), uma jovem separada, mãe de uma menina de cinco anos, que sofre de um transtorno chamado Borderline. Ele a tem nas mãos para seu controle. "Se envolver não quer dizer amar, gostar. Eu posso me envolver com você e não ter nenhum tipo de sentimento, posso usar você. E aí, como fica?", Gagliasso levantou a questão.

As vítimas de Edu são aleatórias. Não existe conexão e nem assinatura. Pelo menos, ainda. "Ele tem, mas eu não vou contar. Acho que ele desenvolve essa assinatura, que nada mais é do que uma provocação para a polícia, para a dupla de investigadores. Ele gosta de jogar. O serial killer é muito inteligente, não tem nenhum tipo de sentimento pelo outro. Compaixão não existe".

Claro que as grandes séries americanas do gênero, além de clássicos da literatura, serviram de base para Glória. Mas ela freia de cara quem comparar Edu com Dexter, por exemplo. "O que o Dexter tem em comum é que ele é um serial killer também. Dexter é um justiceiro. Só aí já é completamente diferente. O Edu tem a característica principal de todo serial killer, tanto na vida real quanto nas séries e na literatura: ele é invisível. Os serial killers são pessoas comuns e é por isso que eles matam por esporte durante 30, 40 anos e ninguém descobre. É muito difícil chegar neles. Eles se escondem atrás de uma mascara social", contou a autora.

Bruno - que mergulhou em filmes, séries, palestras - completou: "Edu é um cara envolvente, sedutor, inteligente, um cara que poderia estar aqui entre nós. Por isso é tão fascinante. O desconhecimento é fascinante, o novo é fascinante. Por isso que o seriado, o pouco que vi, me fascinou e fascina. Todo mundo gosta de ver um filme sobre suspense, sobre um serial killer, um cara que mata… Acho que vai pegar".

"Não consigo pensar em outra coisa, só penso nisso. Minha mulher está apavorada porque no meu quarto tem foto de gente morta e serial killer espalhada para todo lado (risos)", brincou sobre Giovanna Ewbank , que acompanhou o amado na noite de lançamento.

Um detalhe que vale o registro: "Dupla Identidade" é o primeiro produto de dramaturgia feito com a tecnologia 4K. Maurinho explica: "4k é quatro vezes HD, é 90% de Hollywood. Essa tecnologia nos permite uma leitura digital cada vez mais próxima da película."

Para Glória, dos 13 capítulos que compõem a história, só faltam dois para serem escritos. Ela deve aguardar a estreia para registrar seu desfecho. "Acho legal esperar pelo menos um capítulo para ver a reação do público", falou. Segundo Maurinho, na estreia, cerca de seis ou sete episódios já estarão gravados (os trabalhos seguem até novembro). É esperar para ver.

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