Silvana Kieling volta à TV como repórter especial do "Tá na Tela" e deve resgatar quadros da época em que trabalhava com Gugu

Um pouco atrasada pela correria de sua nova rotina, Silvana Kieling  apareceu com seu jeito sorridente e extrovertido no corredor de sua loja de roupas fitness, em pleno sábado na hora do almoço, em um shopping no Morumbi, bairro nobre de São Paulo. Muita gente talvez não consiga ligar de imediato o nome à pessoa, mas se lembrarmos que, durante 15 anos, a jornalista viajou o mundo, subiu e desceu mais de sete vezes de um helicóptero em um único domingo, se vestiu de vários personagens, tudo isso sob a lente de uma câmera para as reportagens do "Domingo Legal", com certeza todos sabem quem é.

Silvana trilhou um caminho de sucesso desde o primeiro dia em que o departamento de jornalismo foi inserido no programa do SBT, logo após a morte dos Mamonas Assassinas, em 1996, mas viu seu espaço ser extinto na atração dominical após a saída de Gugu Liberato  em 2009.

"Quando entrou o Celso Portiolli , também mudou o diretor, que começou a querer mais musicais, brincadeiras e fiquei meio encostada. Acabaram extinguindo o núcleo de jornalismo e nós saímos (em 2011)".

Silvana Kieling durante reportagem na Argentina
Reprodução/Facebook
Silvana Kieling durante reportagem na Argentina

Ainda com uma sobrevida na carreira e colhendo frutos do sucesso de seu trabalho, a repórter apresentou por um ano um programa de variedades na Rede Brasil, mas decidiu abandonar o jornalismo para abrir uma loja de roupas de fitness.

"Tinha sido convidada para fazer o factual e não aceitei, não iria voltar para ganhar a miséria que pagam para recém-formado, não queria mais isso, tinha virado empresária e tirado o foco da TV. Eu não dependia mais da TV para me sustentar. Ia abandonar a carreira", conta.

Porém, foi exatamente por conta da boa fase na época de Gugu, que Luiz Bacci lembrou do nome de Silvana para fazer reportagens especiais para o seu novo programa na Band "Tá na Tela", mas por pouco o apresentador não deu com os burros n'água. "Eu tinha colocado meu apartamento para alugar e iria passar um tempo fora, em Londres. Se tivesse alugado, eu teria ido, até porque não teria onde morar."

E mesmo após ter se tornado empresária e decidido abandonar os anos segurando o microfone, Silvana viu a paixão pela reportagem falar mais alto e não conseguiu declinar do convite de Bacci.

"O convite foi para fazer coisas especiais e eu topei. Vamos resgatar várias histórias que fizeram sucesso no passado. Gravei um 'Sentindo na Pele' esses dias e vou gravar matérias com a vigilância sanitária em estabelecimentos. Iremos fazer bastante essas matérias que davam audiência. Como já dizia o Chacrinha: 'nada se cria...' (risos). Voltei por amor, por tesão ao que eu faço, porque o dinheiro não foi uma proposta tão sedutora."

Veja a seguir a entrevista de Silvana Kieling ao iG:

iG: Após os 15 anos no "Domingo Legal", você ainda tem algum contato com o Gugu?
Silvana Kieling: Desde que o Gugu foi para a Record nunca mais falei com ele. Ele sempre foi muito querido, a gente sempre se deu muito bem, ele dava muitas pautas, a gente trocava muita ideia, mas era um contato mais profissional mesmo.

iG: De repórter de TV a dona de loja de roupas de shopping. Como você teve essa ideia de abrir uma loja voltada para roupas esportivas?
Silvana Kieling: Tomando café com umas amigas, dei a ideia de montar uma loja de moda fitness multimarcas e elas gostaram, já que não tem nenhuma no bairro. Malho muito, vou para a academia todos os dias, então sempre fui ligada nessas coisas. Tinha esse espaço no shopping Portal do Morumbi, eu moro aqui do lado, em dois meses eu montei essa loja "Silvana Kieling Moda Fitness e Praia."

iG: Após a sua saída do "Domingo Legal", você considerou que poderia ficar sem emprego por ter seu nome e rosto marcados pela atração?
Silvana Kieling: Acho que tudo tem o seu momento. Quando entrei no Gugu, fui na época do "Aqui Agora" procurar emprego, mas não tinha vaga. Conhecia uns amigos lá que sabiam que o Gugu estava querendo investir em jornalismo, me levaram para conversar com a equipe dele e já comecei a trabalhar. Nunca estou esperando as coisas e acontecem, sempre foi assim comigo.

iG: Mesmo sem a intenção de voltar para a TV, chegou a imaginar que isso poderia acontecer e que seria tão rápido? Como aconteceu o convite para o "Tá na Tela"?
Silvana Kieling:
Não, estava aqui curtindo a minha loja (risos). Recebi no Facebook uma mensagem do Rodrigo Branco , diretor do "Tá na Tela", aceitei porque vi que ele era de TV, tínhamos amigos em comum. Ele pediu meu telefone, mas eu não dei. Ele achou meu telefone, me ligou, fiquei assustada, tentando imaginar como é que aquele maluco tinha conseguido meu número. Ele se apresentou, marcamos uma reunião, conversamos e fui seduzida pela proposta. Falei que não queria mais factual, mas o convite foi para fazer coisas especiais e topei.

iG: Você trabalhou com o Bacci no SBT. Eram amigos?
Silvana Kieling: Nós sempre nos falávamos no Facebook, mas era amizade de coleguismo mesmo. Quando ele trabalhava no SBT, a gente se encontrava mais, ele sempre foi um fofo, sempre falou que admirava meu trabalho e fiquei muito feliz de pensarem em mim.

iG: Surgiram notícias de que o Bacci foi contratado com um salário de R$ 300 mil por mês. O programa está tendo um investimento grande e você é uma jornalista com o nome consolidado... O dinheiro também te seduziu a voltar? O salário fechado foi bom?Silvana Kieling: Não foi nenhum absurdo, claro que dinheiro é sempre bem-vindo, mas falei para eles que estava voltando mesmo porque amo o que faço. Como falei, essa proposta de fazer matérias especiais me seduziu, mas não foi tanto pelo dinheiro, não.

iG: O jornalismo é uma profissão que poucos profissionais conseguem uma remuneração grandiosa. Você conseguiu ficar rica com todo o destaque que teve na carreira?
Silvana Kieling: Não fiquei rica, mas não tenho do que me queixar, tudo que eu tenho foi através do meu trabalho. Nunca dependi de marido, sou divorciada há 14 anos, mas sempre me mantive, não sou herdeira, nunca dependi de mesada ou pensão, tenho casa própria, um carro bom, meus filhos estudaram nas melhores escolas, fizeram intercâmbio no exterior, tenho uma vida boa, mas tudo por conta do meu trabalho.

iG: Muitos internautas criticaram o programa nas redes sociais por apresentar muita violência. Você acha que isso pode fazer com que a Band mude o foco da?
Silvana Kieling:  Acho que o programa já mudou. É legal ouvir as críticas porque o Branco e o Bacci são jovens e ouvem muito, não têm aquela ideia estreita, cabeça fechada. Senti na rua a reação das pessoas e elas diziam que estavam achando um pouco pesado. Conversei muito com o diretor sobre isso, ele pediu minha opinião e acho que já mudaram o foco, o programa já está mais leve. Fiquei 15 anos no programa do Gugu e mudou muito, uma época era só matéria de emoção, outra época outro tipo. Acho que o programa tem tudo para ser muito legal. O Bacci, por exemplo, não é a estrela que fica no camarim esperando tudo, ele participa da reunião de pauta todos os dias, é um workaholic, fica na produção, conversa com todo mundo lá, dá opinião, é muito talentoso. A Band está investindo mesmo no programa, tem tudo para dar certo.

iG: Como você está se sentindo nesta nova fase, neste novo projeto?
Silvana Kieling: Meu filho falou que meus olhos estão brilhando. Eu estava muito feliz com a loja, mas o jornalismo, a rua, são coisas que me seduzem. Estar com o povo, fazendo matérias legais, ter esse contato... Nossa, estou muito feliz.

iG: Aos 53 anos, você ainda tem algum sonho pessoal que quer realizar?
Silvana Kieling: Estava focada muito sem sair do país. Eu iria passar um tempo fora, em Londres. Meu filho mora lá, já fiquei até um tempo com ele, queria gravar vídeos lá, vender conteúdo, fazer uma imersão no inglês. Meu sonho é esse ainda. Quero morrer aprendendo, trabalhando, conhecendo, amo viajar. Quero ficar em Londres ou Miami, agora não dá, mas ainda vou fazer.


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