Atriz diz acreditar que público pode se lembrar da vilã de "Vale Tudo" pelos absurdos que a personagem de "Império" comete

As primeiras cenas de Lília Cabral em “Império” já dão o tom da poderosa Maria Marta. A personagem, mulher de José Alfredo ( Alexandre Nero ) e dona de metade da fortuna que o homem conquistou, tem uma postura completamente absurda para determinadas situações, e reações que causam no espectador indignação - e também paixão. Aguinaldo Silva dá o texto certo para a boca de Lília. Ela é sim um tipo de vilã, uma maldosa com uma pegada quase à la Odete Roitman.

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A própria atriz comentou sobre a comparação. "Maria Marta fala aquilo que pensa, e aquilo que ela pensa são coisas absurdas. Outro dia eu até brinquei com o Aguinaldo. Ele falou: 'ela é finíssima, hein?'. Mas bem no começo, quando li o texto, achei uma coisa quase Odete Roitman. Quer dizer, acho que não existirá nunca outra Odete. Primeiro porque não dá nem para comparar como Beatriz Segall defendeu aquele personagem. De qualquer maneira, Maria Marta tem essa crueldade. Nesse sentido, talvez o público repita", disse.

Apesar de ter lembrado da vilã de “Vale Tudo”, Odete, segundo Lília, não foi uma referência na construção de Maria Marta. “Acho que talvez as pessoas podem até falar, mas eu não pensei nisso, não. Não estou com muita preocupação se vão adorar ou não. Minha preocupação é que eu faça um bom trabalho e que as pessoas curtam. O que quero mesmo é que a novela seja um grande sucesso”, afirmou.

Para citar apenas uma das cenas gloriosas de Lília até o momento em “Império”: José Pedro ( Caio Blat ) conta para a mãe que atropelou uma pessoa, e ela, de maneira natural e tranquila, traça um plano detalhado para inocentar o filho . Quando vê o primogênito reticente, larga dois tapas na cara dele. Esse é o outro lado da vilania que Lília e Aguinaldo querem explorar.

“Não acredito que a gente acorda de manhã, põe um sapato e já sai com uma arma em punho para mostrar que sou capaz de matar e etc. Esse outro lado da vilania é um lado que vai surpreendendo. Você não imagina que, em uma conversa de mãe e filho, ela dê dois tapas na cara dele de uma hora para outra, só porque ele não está concordando com ela e ela acha que ele é um fraco. Quando ela toma essa atitude, é sempre de maneira inesperada e também agressiva, cruel, maldosa, mostrando de uma maneira enfraquecida o ser humano. Acredito que existam pessoas assim. Por isso que penso que esse outro lado da vilania não é maniqueísta", declarou a atriz.

Lília Cabral na festa de lançamento de 'Império'
Divulgação/TV Globo
Lília Cabral na festa de lançamento de 'Império'


Deixando o papo mais light, sobre os pontos de semelhança que tem com a personagem, Lília não conseguiu levantar nenhum. Contudo, o figurino glamouroso tem enchido seus olhos. “Estou adorando ter tudo que ela tem. As roupas que ela tem, as joias que ela usa, as bolsas, os sapatos... Estou feliz da vida com tudo que está chegando para mim, porque tenho uma postura mais simples, mais casual na vida. Gosto de estar bem arrumada, mas de estar casual. Não quero nunca ostentar, e Maria Marta faz questão, porque é natural dela", afirmou.

Para manter a postura de ricaça, Lília cortou o glúten da sua alimentação e mantém pequenas restrições. “Não tomo refrigerante e não como açúcar, mas às vezes um brigadeiro vai. Quer dizer, uns três (risos). E à noite tento jantar apenas sopas”, garantiu. E sobre a idade? Com 57 anos, bate uma neurose com o visual? “Se eu tiver medo de envelhecer, perco minha felicidade, né? Sobre plástica... Talvez (eu faça), mas mais adiante para consertar algumas coisinhas. Tudo muito discreto… Já botóx, essas coisas, não quero, não”, bateu o martelo.

Em defesa de Manoel Carlos

“Império” entrou na grade no lugar de “Em Família”, de Manoel Carlos , e com a missão de tentar resgatar a audiência perdida com a trama de Helena, Laerte e Luiza. Lília, como boa fã do autor, defendeu sua história e afirmou que não classifica a novela como um fiasco.

“Acho que existem acertos e erros. Não posso falar de um trabalho, primeiro, que é de um autor que sou completamente apaixonada, no elenco quase todos eram meus amigos queridos, e sei muito bem das dificuldades que a gente passa, porque também já fiz novela que não foi um sucesso, que foi metralhada pela crítica, pelas pessoas. Mas não considero, em nenhum momento, de jeito nenhum, um fiasco. Ao contrário, muitas vezes eu tinha prazer de ver a Julia ( Lemmertz ) com tanto amadurecimento. Acho que a Helena dela foi uma Helena que se um dia um fizesse, seria como ela. E eu penso que o Maneco por trás daquilo tudo quis escrever uma história poética e colocar a família em questão, que para ele é tão importante”, falou.

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