Apresentador do "Domingo Legal", Portiolli abriu os bastidores, falou sobre carreira e do que gosta ou não de fazer no ar


Celso Portiolli
Divulgação/SBT
Celso Portiolli

Prestes a completar 20 anos de SBT, Celso Portiolli pode se considerar um cara de sorte. Há cinco anos à frente do "Domingo Legal", desde a saída de Gugu Liberato , o apresentador mantém os índices de audiência e conquista cada vez mais a simpatia do público.

Após quatro horas ao vivo no ar, Portiolli recebeu a reportagem do iG no último domingo (20) em seu camarim nos estúdios do SBT, em São Paulo, e logo mostrou porque é um dos apresentadores queridinhos da família brasileira. "Quer bolo, café? Toma um cafezinho aí, tem pãozinho também", ofereceu ele, com um sorriso no rosto.

Mesmo cansado depois da rotina pesada, o bom humor não saiu de cena. "Não consigo dormir cedo, a criançada não deixa, fica vendo televisão no meu quarto. Geralmente acordo seis e meia da manhã, quando estou disposto levanto de primeira, mas quando bate a preguiça dou uma enrolada."

Ao chegar ao SBT, começam os preparativos para a maratona ao vivo. Além de maquiagem e figurino, Portiolli também tenta ficar por dentro de tudo que vai acontecer no palco. Concentrado, tira o atraso por não ter participado das últimas reuniões, já que estava viajando, e enfia a cara no roteiro. Ele mostra a personalidade forte quando o assunto é a audiência e conteúdos apelativos.

"Não gosto de explorar convidado, combinar algo com o cara nos bastidores e fazer outra coisa no palco. Não gosto de explorar a vida dos outros de uma maneira negativa, não me sinto bem com essas coisas. O Magrão (meu diretor) sabe que eu não faço."

Portiolli relembra que sempre tenta dar o melhor de si em seus trabalhos e acredita que por isso é tão respeitado no SBT e por Silvio Santos . "Não pego ele para encher o saco, nem nos momentos bons e nem nos ruins. Ele viu que nesses 20 anos que está investindo em mim, eu fui melhorando. Todo mundo diz que ele gosta muito de mim."

Confira a entrevista exclusiva com Celso Portiolli:

iG: Sua rotina é pesada apresentando o programa ao vivo. Que horas geralmente acorda no domingo e como é esse dia?
Celso Portiolli:  Não consigo dormir cedo, a criançada não deixa, fica vendo televisão no meu quarto. Geralmente acordo seis e meia da manhã, quando estou disposto levanto de primeira, mas quando bate a preguiça, dou uma enrolada a mais, mas não consigo mais dormir depois que o alarme toca.

Realmente quase saí do SBT antes do Gugu sair porque não tinha espaço para mim aqui. Só estava fazendo o 'Sessão Premiada', queria fazer auditório"

iG: Além da maquiagem, figurino, você se concentra antes de entrar no programa?
Celso Portiolli: Me concentro no roteiro. Hoje teve estreia de quadro, por exemplo, nunca tinha feito o 'Stand Up', estava viajando e não participei das últimas reuniões, então tenho que estar concentrado. Fazer o 'Passa ou Repassa' ao vivo também é complicado. E hoje foi tudo ao vivo, não entrou nem VT quase. Primeiro preciso entender a dinâmica de tudo, depois vai fluindo melhor.

iG: Neste ano você completa 20 anos de SBT, está há cinco à frente do "Domingo Legal". No passado, você recebeu uma proposta para sair e quase deixou a emissora, se recebesse outra hoje, você sairia?
Celso Portiolli: É um casamento longo, mas não sei hoje como seria, o futuro a Deus pertence. Realmente quase saí antes do Gugu sair porque não tinha espaço para mim aqui. Só estava fazendo o 'Sessão Premiada', queria fazer auditório. O SBT é uma casa que todo mundo adora trabalhar, todo mundo que sai fala muito bem, fica doidinho para voltar e me sinto muito bem aqui. Sou prata da casa, o que é muito difícil ser, mas sou respeitado. Também sou muito tranquilo, não gosto de trabalhar em lugar tumultuado, a cobrança aqui é leve, o que ajuda bastante.

O 'Domingo Legal' está numa fase de mudanças, de criação de novos quadros. Ficamos durante muito tempo em segundo lugar na audiência, atualmente não estamos"

iG: Durante o programa, uma tela mostra os índices de audiência à equipe. Você se apega muito nisso, tenta mudar no ar se o público não está reagindo?
Celso Portiolli: O 'Domingo Legal' está numa fase de mudanças, de criação de novos quadros. Ficamos durante muito tempo em segundo lugar na audiência, atualmente não estamos, mas a diferença está sendo mínima, estamos liderando por alguns minutos, então é um momento de turbulência e você tem que ter tranquilidade. Eu sou o piloto desse negócio, se eu perder a calma, minha cara muda no ar, não consigo apresentar, o público vai perceber, então consigo desligar dessa coisa da audiência. Claro que fico preocupado quando a coisa não vai. Hoje, por exemplo, a televisão estava com pouca participação dos telespectadores (televisões ligadas), isso eu não gosto porque é difícil os números mudarem.

iG: Existe algum quadro, alguma atração que você tenha vontade de colocar no programa e acha que vai dar certo?
Celso Portiolli: Fazemos aqui tudo que a gente tem vontade. Queria dormir e acordar com 15 ideias sensacionais e inéditas na televisão, mas não tem mais isso. Quero continuar o 'Construindo um Sonho', porque me dá uma paz muito grande poder ajudar as pessoas. O que vier de novidade ou se voltar algum quadro do 'Xaveco', por exemplo, é coisa do momento.

iG: Tem muitos programas na televisão brasileira que tem musas, mulheres de biquíni ou apelam para bundas. Você acha que o "Domingo Legal" precisa disso hoje?
Celso Portiolli: Aqui não precisa. Nosso programa é incrível, apesar de não ser o melhor horário no domingo, temos um faturamento alto e tem uma grande aceitação da família. Tivemos no começo a piscina de amido, tínhamos as meninas com um uniforme, mas era mais comportado e depois disso não teve mais. Tivemos uma votação interna, o nosso programa ficou muito bem conceituado, então, depois disso a gente não usa esse recurso. Fazemos externas com as meninas do palco ( Bruna Manzon e Diana Oliveira ), mas não abusamos, não mostramos nada porque aqui é família. Temos patrocínio, anunciantes e tem mais a ver com a minha imagem esse estilo que seguimos. Não gosto de fazer algo que eu não me sinta bem e televisão é cristalino, o cara bate o olho em você e sabe que você está incomodado.

iG: Que tipo de situação você não faria no palco para tentar ganhar alguns pontinhos na audiência? O que é inaceitável para você?
Celso Portiolli:  Não gosto de apelar, não gosto de explorar convidado, combinar alguma coisa com o cara nos bastidores e fazer outra no palco. Não gosto de explorar a vida dos outros de uma maneira negativa, não me sinto bem com essas coisas. Não gosto de deixar ninguém em sinuca, numa situação indelicada. O Magrão (meu diretor) sabe que eu não faço. Sei que o cara se separou ou sei lá, mas não falo da vida dele, é uma coisa minha. Sou assim fora da TV e não conseguiria ser isso no palco.

Não pego o Silvio Santos para encher o saco, nem nos momentos bons e nem nos ruins"

iG: Recentemente Silvio Santos declarou em seu programa - em tom de brincadeira - que você era o pior apresentador da televisão brasileira. Isso te deixou chateado de alguma forma ou magoado com o próprio Silvio?
Celso Portiolli:  Fiquei chateado com algumas pessoas que não entenderam o que ele falou, alguns comentários no Twitter e tudo mais, mas não com ele. Até falei brincando que descobri que era um artista depois da opinião do Silvio, porque ele me paga bem, estou contratado há 20 anos, ele não me deixa sair e acha que eu sou o pior, então sou um artista (risos). Sei que foi uma brincadeira porque ele também brinca e acaba com a Patrícia (Abravanel). Ele não poderia acabar com os outros, ele acaba com quem gosta, com quem tem liberdade e comigo ele tem liberdade. Ele ficou extremamente preocupado depois porque percebeu que as pessoas poderiam entender mal. Me mandou recado, falou um monte de coisas depois, me chamou no programa, me tratou bem. Foi uma situação engraçada, porque ele brincou e o pessoal achou que eu iria continuar a brincadeira, mas mesmo que eu continuasse, o que eu falo não tem a repercussão que tem quando ele fala.

Selfie com elenco do SBT e o patrão
Reprodução
Selfie com elenco do SBT e o patrão

iG: Vocês dois até se parecem fisicamente e muita gente acha que você é filho do Silvio. Você que existe um amor fraternal dele por você?
Celso Portiolli: Todo mundo que converso fala que ele gosta muito de mim, mas fico pensando que ele deve gostar de mim não como pai, mas como um bom funcionário. Eu não fico reclamando, não peço aumento, sou um bom funcionário, não sou estrela na casa. Por exemplo, quando o Gugu iria sair, ele falou que precisava de um apresentador para o programa e me convidou. Pensei e voltei no mesmo dia dizendo que iria sair do SBT, falei que ele iria acabar com o programa depois de um tempo e eu iria voltar para o 'Sessão Premiada'. Ele perguntou se o problema era dinheiro e eu respondi: 'Nunca pedi aumento aqui e nem vou, meu problema é a minha saúde. Você vai acabar com o programa, vai me colocar no sábado e eu não quero, está me fazendo mal'. Ele fez um acordo verbal comigo, porque se existe um cara que não precisa de contrato é ele, combinamos que tentaríamos até três programas no domingo, caso o atual não desse certo, e eu topei. Qualquer programa que ele me deu eu fiz com dedicação, o 'Sessão Premiada' rendeu muito para mim e para a emissora. Não pego ele para encher o saco, nem nos momentos bons e nem nos ruins. Ele também viu que nesses 20 anos que ele está investindo em mim, eu fui melhorando, se a narração era ruim, melhorei, melhorei na apresentação, então ele tem uma admiração por mim.

iG: Você está satisfeito atualmente no SBT e em sua carreira? Tem algum desejo momentâneo, um novo programa?
Celso Portiolli:  Quero que o programa continue na pegada que está, comercialmente, e queria aumentar a média atual, que é de seis pontos no ibope desde o início que eu peguei. Aumentando mais um ponto já está ótimo. Não vai mudar nada para nós, mas a audiência da Globo migrou um pouco para a Record, então a gente quer tirar um pouco de ambas e ficar mais nivelado. Não quero outro programa não, não tenho mais tempo, gravo 'Passa ou Repassa', 'Construindo um Sonho', tenho três rádios, faço programa de rádio ao vivo toda manhã. Já está bem corrido, mas também se eu parar eu fico doente, sou hiperativo. Mas na televisão meu trabalho é apresentar, quem trabalha mesmo é a minha produção. Apresentador é mamata (risos).

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