Diretor Ricardo Waddington, por decisão individual, excluiu detalhes como cigarro e bebida


Parte do elenco feminino da novela 'Boogie Oogie'
Alex Palarea e Felipe Panfili/AgNews
Parte do elenco feminino da novela 'Boogie Oogie'

Isis Valverde deu o tom do estúdio de “Boogie Oogie”. Segundo a atriz, protagonista da nova novela das 18h que estreia dia 4 de agosto, o diretor Ricardo Waddington faz questão de soltar músicas que foram hit em 1978 no último volume antes de cada gravação. “A gente já entra no clima, já fica fervendo para gravar”, disse a atriz, que interpreta a mocinha Sandra. O próprio comandante da trama assumiu a mania, que herdou de Dennis Carvalho , de quem foi assistente de direção. É um dos artifícios para mergulhar num passado recente e tentar recriar o cenário com seriedade no vídeo.

“Eu e o Rui ( Vilhena , autor) tivemos um encontro sensacional. Eu tive a felicidade de ler alguns textos dele. Quando surgiu a possibilidade dessa novela, não era esse texto. Eu li umas três sinopses e, graças a Deus, escolhemos essa. As outras eu também vou fazer, viu? Mas essa, para o horário, era a mais adequada”, falou Waddington durante coletiva de imprensa no Projac, na noite de terça-feira (22).

A primeira dúvida é: como adaptar o universo da discoteca, que era recheado de cigarro, bebida e drogas, para uma faixa de novela em que crianças estão ligadas na TV? Simples, para o diretor. É só abolir esses elementos. “Eu tomei a decisão sozinho. Seria um retrocesso voltar a ter cigarro e bebida nesse horário. Fumar ajuda zero, beber também. Então, eu decidi não ter. A alegria, a coisa vibrante, não precisa ter disso, apesar de saber que na época tinha. Essa história que eu estou contando não ganha com cigarro e bebida. É um folhetim que pode passar em qualquer época. Nós escolhemos essa porque vivemos e gostamos dessa época”, afirmou.

O ano exato é 1978. “A sinopse já se passava em 1970, e em conversa a gente achou que 1978 era um bom ano. Primeiro porque era a época de ‘Dancin' Days’. E eu acho o final da década mais rica”, disse o autor, antes de Waddington completar: “Esse ano nos facilita contar a história e certas situações que acontecem nela, como a troca do bebês. Naquela época não tinha internet, celular, as distâncias eram gigantes, os tempo mais longos. A ópera fica mais verossímil assim”.

A tal troca dos bebês que o diretor pontou é um dos pontos dramáticos da história. Susana, personagem de Alessandra Negrini , é a responsável pelo caso. Apaixonada por Fernando ( Marco Ricca ), ela se vê abandonada pelo amado quando ele descobre que sua mulher está grávida e decide permanecer casado. Fernando manda Susana para Nova York. Antes de ir, irada com o amor não correspondido, ela executa a troca da filha recém-nascida. As meninas trocadas são Sandra (Isis Valverde) e Vitória ( Bianca Bin ).

“O Rui é o rei do gancho. Essa é uma novela clássica. O Rui tem uma transgressão em como trabalha cada personagem e é muito sólido como dramaturgia de novela. É o que o público, que está sedento por boas histórias, quer ver”, disse Waddington. “Boogie Oogie” vai ser a sucessora de “Meu Pedacinho de Chão”, que apesar da excelência visual e técnica, não empolgou na audiência. Existe, portanto, um plano B caso os números desapontem, diretor?

“Tem. Plano B, de ‘Boogie Oogie’ (risos). Hoje essa questão da audiência está sendo reavaliada por quem trabalha com mídia de massa. Não só a TV, mas o rádio e os jornais começam a reavaliar o que significa audiência, o que representa para o produto, para a empresa. Estamos todos caminhando para uma única direção. Não consigo entender o que é a faixa das 18h com problema diferente das 13h ou 21h. O que queremos é fazer um produto de qualidade e acessível, numa TV que pretende falar com o maior número possível de pessoas. Não existe fórmula para a audiência”, completou.

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