Para humorista, que leva programa de TV "220 Volts", do Multishow, para os palcos, o jogo nunca está ganho

A pensão da Dona Jô vai receber convidados ilustres na nova temporada de “Vai Que Cola”, que estreia ao vivo no dia 1º de setembro no Multishow. Além de participações especias de Tatá Werneck , Marcelo Médici , Julia Rabello , entre outros, Paulo Gustavo - que interpreta o pilantra Valdomiro - levará personagens do humorístico “220 Volts”, do mesmo canal, para o sitcom de sucesso.

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Como surgiu a ideia? Do próprio. “Eu quis, eu que mando no Multishow”, rebateu o iG antes de acrescentar um “estou de sacanagem, hein?”. Conversar com Paulo é se armar e desarmar o tempo todo. Os mais absurdos podem ser pura verdade ou mera brincadeira do homem que hoje é uma das referências de humor no país.

O fenômeno que aconteceu com ele, aliás, é raro de se ver nos dias de hoje. Cria do teatro, foi lá que ele conquistou reconhecimento, sucesso, dinheiro e uma legião de fãs. Na última apresentação do espetáculo de “220 Volts” antes da entrevista do iG , Paulo recebeu sete mil pessoas em Goiânia. O Rio, no dia 25 de julho, recebe a peça no teatro Oi Casa Grande para uma temporada até outubro. É no palco que ele tem - e pretende continuar a ter por muito tempo - o contato com o público, seu principal alvo.

O boom, segundo o próprio, aconteceu quando ele lançou no cinema “Minha Mãe É Uma Peça”, depois de nove anos em cartaz. Antes disso, nada foi fácil. Pelo contrário. “Foi tudo aos pouquinhos, mas eu fui me mantendo na carreira esses anos todos. Aliás, minha preocupação maior é essa. Você estourar, fazer uma novela, ficar famosa… Tem gente que faz, depois some e ninguém vê mais. O mais difícil é você se manter bombado”, disse.

Para tal, esqueça a palavra folga. A agenda está lotada até dezembro de 2015, e mesmo assim os convites não param de chegar. Acabou de rolar, por exemplo, pedido para a novela “Geração Brasil”. Voltando ao cronograma, até dezembro tem “Vai que Cola”, peça “220 Volts” no Rio, filmagem de “Minha Mãe É uma Peça 2”, filmagem de “Vai que Cola - o filme”, “200 V” em São Paulo, novo programa para o Multishow e algumas semanas de férias “senão eu morro”. Quer continuar bombado? Então segue nessa que está no caminho certo, Paulo.

Confira abaixo o papo com o ator:

iG: Uma das novidades dessa temporada do “Vai Que Cola” é o mix entre o sitcom e o “220 Volts”, né?
Paulo Gustavo: Isso, são seis personagens do “220 Volts” que a gente vai colocar aqui.

iG: E como pintou essa ideia?
Paulo Gustavo: Porque eu quis, eu que mando no Multishow. Brincadeira, estou de sacanagem (risos). O “220 Volts” fez sucesso no canal, graças a Deus, e daí o público sempre pede, principalmente na internet, para voltar logo com o programa. Daí eu pedi mesmo para entrar com alguns personagens famosos, como a Senhora dos Absurdos, a Bicha-Bichérrima, a Mulher Feia, a Negona Ivonete, etc, na pensão da Dona Jô. Isso tudo além de Valdo. No total, faço 15 Valdos.

iG: Quando tem os personagens do “220 Volts”, então, não tem Valdo?
Paulo Gustavo: Não tem Valdo. Porque assim, só trabalhando com holograma.

iG: E como você faz na peça mesmo do “220 Volts”, em que troca diversas vezes de personagem?
Paulo Gustavo: Só faço mulheres. Não dá para fazer homem, por causa da maquiagem. Eu saio de cena, troco dentadura, peruca, a roupa inteira e volto diferente. Enquanto isso, fica rolando muita coisa no palco. É uma peça bem grande, são seis cenários, tem um painel de 30m x 8m de LED, seis bailarinos, temos Marcus Majella no elenco, além de Gil Coelho e Christian Monassa .

iG: Quando estreia no Rio?
Paulo Gustavo: 25 de julho, e fico por quatro meses. Mas já estou viajando o Brasil todo com o espetáculo. Acabei de fazer para sete mil pessoas em Goiânia.

A turnê de '220 V' no Rio segue até outubro
Divulgação/Páprica Fotografia
A turnê de '220 V' no Rio segue até outubro


iG: E segue firme e forte no teatro, que foi onde você se consolidou mesmo, o que é raro atualmente. Você ainda recebe muito convite para TV aberta?
Paulo Gustavo: Muito. Acabei de receber para participar de “Geração Brasil”. E não tenho tempo mesmo. Eu sou contratado do Multishow e faço “Vai Que Cola” de segunda a quinta-feira de março até setembro. Em 19 de outubro acaba minha turnê no Oi Casa Grande, em novembro filmo “Minha Mãe É Uma Peça 2”, em dezembro tenho que descansar, senão eu morro. Ainda assim, as duas primeiras semanas de dezembro tem turnê. Em janeiro eu estou em cartaz no Teatro Bradesco, em fevereiro fico de férias, março estreia no Procópio Ferreira, em São Paulo, e filmo o filme do “Vai Que Cola”. Fico até dezembro em cartaz em São Paulo, e gravando um programa novo para o Multishow que chama “Bagunça” ( saiba mais aqui ). Que horas que eu vou entrar na Globo?

iG: E rola uma responsa de ser o rosto do canal?
Paulo Gustavo: Rola. Mas é uma responsa que rolaria em qualquer profissão. Eu não fico pensando muito isso, não, sabe por quê? Se a gente pensar nisso é que empaca. Acho que tem que curtir. Se a gente se diverte fazendo aqui com a galera, o povo se diverte assistindo. Eu me divirto muito aqui, é muito legal. A gente se zoa o tempo inteiro… A gente só não trepa. De resto, a gente faz tudo (risos).

iG: E quando pinta um tempo, uma brecha na sua agenda?
Paulo Gustavo: Aí a gente passeia. Não tem tempo, mas quando tem a gente passeia, namora, faz outras coisas. Mas quase não tem tempo, menina…

Eu faço o que eu quiser da minha vida. A imprensa fala mal, fala bem… O que importa é o público

iG: Você já rebateu algumas matérias que saíram sobre você, não gostou de coisas que leu em entrevistas e etc. Ainda é difícil essa relação com a imprensa para você?
Paulo Gustavo: Acontece que existe a imprensa legal, e a imprensa que muda o que a gente fala. Eu sinto que é sempre um salto no escuro, tem gente que é maneira e tem gente que não é. Quando não é, eu não vou mais rebater ninguém não, gente. Eu faço o que eu quiser da minha vida. A imprensa fala mal, fala bem… O que importa é o público. Eu faço peça para o público. Eu fiz “220 Volts” em Goiânia no último fim de semana para sete mil pessoas. Eles vão lá porque gostam do meu trabalho, me acompanham na internet, na TV… É isso.

iG: Quando você sentiu o boom do sucesso?
Paulo Gustavo: Quando eu fiz o “Vai Que Cola” junto com o filme do “Minha Mãe É Uma Peça”. Antes, o “220 Volts” já tinha dado uma bombadinha. Mas tudo tem um caminho, foi gradativo. Nada foi de repente. Primeiro, há anos, fiz a peça “Infraturas” com o Fábio Porchat . A classe teatral foi toda me assistir, e eu fui conhecendo a galera. A Bruna Bueno , produtora de elenco da Globo, me convidou para fazer o “Sítio do Pica-Pau Amarelo”. Daí eu acabei o “Infraturas” e escrevi “Minha Mãe É Uma Peça”, que fiquei nove anos em cartaz e conheci um monte de gente. O Alvarenga foi me assistir e me convidou para fazer “A Diarista”, para fazer piloto na Globo… E foi indo, foi indo… Foi tudo aos pouquinhos, mas eu fui me mantendo na carreira esses anos todos. Aliás, minha preocupação maior é essa. Você estourar, fazer uma novela, ficar famosa… Tem gente que faz, depois some e ninguém vê mais. O mais difícil é você se manter bombado. Bombar às vezes é fácil.

iG: Por isso que você não tem folga?
Paulo Gustavo: Por isso que eu não tenho folga. Estou sempre fazendo a manutenção diária. Eu nunca acho que venci, que o jogo está ganho. Nunca.

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