Integrante do "Pânico" fala sobre rejeição no início, como lida com estereótipos e como é ter o ídolo como chefe


Amanda Ramalho ao lado de Nicole Bahls no 'Pânico na Band'
Divulgação/Band
Amanda Ramalho ao lado de Nicole Bahls no 'Pânico na Band'

Quem olha para Amanda Ramalho , de 28 anos - a Amandinha do "Pânico" - , certamente tem a impressão de que ela é igual à personagem durona e ácida, construída por ela mesma ao entrar no programa. Mas, olhando de perto, ela é uma jovem tímida e meiga como outra qualquer, exceto por ter sido a ouvinte mais insistente do "Pânico" na Rádio Jovem Pan. Ligada diariamente no rádio durante a adolescência,  Amanda teve sua grande chance aos 16 anos, em uma chamada ao vivo para  Emílio Surita , seu ídolo.

"Não sei o que falei que as pessoas me amaram. Eu falei que era do Capão Redondo. E por preconceito, logicamente, eles pensaram ‘é uma menina do Capão Redondo falando bem e fazendo sentido'", recorda. Imediatamente, os ouvintes passaram a perguntar sobre ela, queriam conhecê-la e saber se era fake.

"Eu, que sou muito marqueteira, comecei a desenvolver essa Amanda. Pensei: 'o que eles esperam?'. Uma pessoa maluca da periferia que fala o que as pessoas querem ouvir. Criei um personagem de mim mesma", explica.

Em uma sexta-feira, após um mês de ligações telefônicas, Emílio convidou Amanda para ir até a Jovem Pan, mas ela não foi. Ao ligar novamente na segunda-feira, ele a questionou sobre o furo. "Achei que era mentira e ele me disse: 'não, a gente quer você aqui'".

Na primeira participação no estúdio, Amanda ficou desconcertada porque não conhecia a convidada do dia, a atriz  Nathália Rodrigues . "Eu meio que briguei com ela no ar, ela entrou no personagem e embarcou na minha maluquice". Nessa época, a então estudante do ensino médio passou a participar do programa uma vez por semana.

Rejeição do público

No começo, Amanda chorava em todos os programas porque achava "triste e doloroso" a rejeição do público, que não lidava bem com a linha "insuportável" da iniciante. "Eu só queria ser amada, era só uma adolescente, queria que as pessoas gostassem de mim", desejava. "Eles começaram a ser meus inimigos, mas meus inimigos mesmo. Sou sensível e isso me deixava triste".

Com o tempo, Amanda diz ter aprendido a lidar melhor com a opinião dos outros a seu respeito. "Se eu não leio as críticas, elas não existem. Uma ou outra acaba caindo em mim e eu apago. Não sou obrigada", comenta, citando alfinetadas que recebe, inclusive nas redes sociais, pelo seu comportamento. Ela também ganhou apoio, e de peso. "Não preciso falar nada do Emílio. Ele me incentivou muito. O Daniel Zuckermann (O Impostor) é meu melhor amigo. A gente entrou meio junto e ele é um grande incentivador também".

Amiga de Sabrina Sato

Nessa época, Sabrina Sato , que havia acabado de sair do "Big Brother Brasil", foi mais uma vítima de Amanda. "Eu disse: 'Sabrina, você é muito legal, por que está namorando o Dhomini ? Ele é um bosta!'". Mas, depois que Sabrina entrou no "Pânico", Amanda diz ter ficado amiga da ex-BBB. "Frequentava muito a casa dela após um fim de namoro. Ela é muito boazinha e falava: 'fica lá em casa, você não vai ficar sozinha'".

"A gente se falou no Natal e no aniversário uma da outra mandamos mensagem. Mas não tenho mais contato com ela. Nos afastamos, mas não somos brigadas, a gente se gosta muito".

Amanda já assistiu ao "Programa da Sabrina", atração da ex-colega de trabalho, na Record, e elogia a apresentadora. "A Sabrina é aquilo! Ela é ela. Mas acho que existem muitos programas iguais, acho o programa dela igual a todos os da Record. Acho longo também, mas nunca assisti inteiro porque eu sou meio hiperativa".

Emílio: De ídolo a chefe

Amanda nunca teve outro trabalho que não fosse no "Pânico", o que acaba misturando a relação com o chefe, Emílio. "A gente tem uma relação meio patriarcal, ele me conhece desde os 16 anos. Quando o seu ídolo vira o seu chefe, ele continua sendo seu ídolo, mas ele é seu chefe. Então você tem que abrir duas pastas. Eu trabalho com o cara que eu venero". 

Amanda Ramalho entrevistando Paris Hilton
Divulgação/Band
Amanda Ramalho entrevistando Paris Hilton

"Pânico na TV" e carreira na televisão

A integrante do "Pânico" ainda está se adaptando às participações no programa na televisão. "Nunca quero sair do 'Pânico', pelo o amor de Deus. Mas se um dia o 'Pânico' acabar, acho que quero continuar na TV. É meio chato porque na rádio eu não precisava nem pentear o cabelo, hoje eu até me maquio para vir à Jovem Pan. A TV te deixa mais besta, é meio idiota e fútil, mas é a realidade, não posso fugir disso".

Outra dificuldade para ela é o viés humorístico do programa. "Meus colegas fazem piadas, para mim é um aprendizado conviver com eles e entrar no universo deles, porque não sei fazer piada". 

"Eu gosto muito de pauta tipo Miss Pole Dance e Miss Bumbum, porque gosto desse universo varzeano, eu consigo entrar nesse universo. Trato com seriedade e ao mesmo tempo ironia e gosto de fazer isso".

Amanda Ramalho e a panicat Renata Molinaro
Divulgação/Band
Amanda Ramalho e a panicat Renata Molinaro

Convivência com as panicats

Amanda é vista como "a diferente" do elenco do Pânico porque, ao contrário das panicats, faz o tipo mais comum de mulher, "sem californianas no cabelo" - como ela mesma diz - , e desprovida dos atributos físicos tão explorados na atração da Band. "(A convivência com as panicats) é boa porque acabo querendo ter um corpo legal. Não como o corpo delas, mas um corpo saudável".

"Se você está meio triste e vê uma pessoa com um corpão, fala: 'eu nunca vou ser assim!'", lamenta em tom bem humorado a repórter que diz se achar "até que gostosa" quando se compara com as amigas normais. Amanda até chegou a considerar fazer uma redução de seios, porque é tímida e tinha vergonha que as pessoas olhassem. "Por causa da televisão aprendi a ser mais vaidosa. Hoje eu acho legal que olhem pro meu peito", revela.

Amanda Ramalho beija Nicole Bahls
Reprodução/Band
Amanda Ramalho beija Nicole Bahls

Selinho na Nicole Bahls

No dia 6 de julho, Amanda e Nicole Bahls refizeram a cena do beijo gay da novela "Em Família". "Achei engraçado, não sabia direito. Fiquei um pouco nervosa, acho que poderia ter feito um puta beijo, mas eu não fiz porque fui pega de surpresa".

Ela confidenciou que nunca tinha beijado uma mulher antes. "Deu para perceber, né? E ainda ficam comentando que eu sou lésbica! Com aquela timidez toda".

Amanda aproveitou para falar da amiga de elenco. "Ela é uma presença muito positiva, ela é de Deus. Queria muito que as pessoas quebrassem o preconceito de que as panicats são burras, são um lixo", dispara.

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