Leandro Lehart grava novo álbum na contramão de amigos do auge do pagode, como Alexandre Pires, do Só Pra Contrariar


Leandro Lehart
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Leandro Lehart

"Não me sentiria bem de ter 40 anos de idade e cantar música de uma época 'lá atrás', como se fosse velhinho. Estou tão na ativa...", dispara Leandro Lehart , ex-vocalista do Art Popular, em entrevista ao iG . No auge do pagode, na década de 1990, Leandro foi um dos líderes e fez fama cantando "Pimpolho" e "Amarelinha", sucessos que ele prefere não ressuscitar no novo trabalho, "Sambadelic", gravado no início de junho, na Casa dos Bambas, em São Paulo.

O novo álbum, que também será lançado em DVD no final deste ano, conta com músicas inéditas e regravações, como o dueto com a cantora Negra Li em uma nova versão de "Boca Loca". "Estou nesse projeto desde 2009. Por ser um estilo de samba com pegada eletrônica, escolhi músicas dançantes e um som mais pop, menos popular. Abri mão de alguns sucessos daquela época e coloquei músicas mais refinadas, que têm a ver com as inéditas", justifica.

Convidado para sair em turnê com os amigos das antigas e do auge do pagode, como Alexandre Pires (Só Pra Contrariar), Netinho de Paulo  (Negritude Junior), e Luis Carlos  (Raça Negra), que voltaram a fazer show com os grupos após longo período de carreira solo, Leandro rejeitou a empreitada.

"Por enquanto, não quero. Já me convidaram, mas a minha natureza não permite. Estou no auge da minha criação, do meu trabalho como engenheiro de áudio. Não me sentiria bem de viver do passado, não vivo de passado, não me sentiria útil. Ganharia uma grana enorme, mas não ia ser feliz. Mesmo sabendo que meu novo trabalho não terá a repercussão que acho que merece, quero fazer coisas novas", explica.

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Art Popular na antiga formação, com Leandro Lehart
Reprodução
Art Popular na antiga formação, com Leandro Lehart

Leandro faz o estilo clean, como ele gosta de dizer, e não guarda ou pendura discos de ouro e de platina nas paredes de casa. "Não gosto de me apegar às glórias do passado. Minha mãe guarda algumas coisas para mim e está bom assim", conta o músico, que bateu a marca de 8 milhões de discos vendidos em 16 anos de carreira.

Como compositor, chegou a ser, por dez anos, o brasileiro mais executado do Brasil, segundo o ECAD, órgão de arrecadação oficial brasileiro de direitos autorais. Mas os números, segundo Leandro, não passam de números.

"Essa fama me deu muita coisa boa, mas trouxe muita coisa difícil para viver porque a gente vira refém do próprio sucesso. As pessoas ainda me cobram para voltar para o Art Popular, dizem que o grupo não vive sem mim porque não faz um sucesso muito grande. Mas eles continuam, tocam no rádio, fazem shows e vivem dignamente com os muitos sucessos de sempre, que as pessoas prestigiam", comenta ele, que encara há sete anos as dificuldades de seguir como um cantor solo.

Leandro não gosta de comentar os detalhes dolorosos de seu caminho profissional, nem de apontar pessoas ou contar casos que viveu, mas admite que ficar distante dos holofotes não é tarefa simples para nenhum artista.

"Foi uma mudança complicadíssima porque a fama desaparece de uma hora para a outra e todo mundo tem sua vaidade. Tento me apegar em alguns artistas que não conseguiram entender essa mudança e não querer o fim deles para mim. Nunca bebi ou usei drogas e isso sempre me ajudou a navegar entre o fracasso e o sucesso. Me especializei no que Deus me deu de talento, me formei dentro do estúdio como engenheiro de áudio e, hoje, consigo mixar, gravar meus discos, consigo conversar com gente do mundo inteiro e ter a admiração dessas pessoas. A melhor coisa que fiz para me tirar da prisão do sucesso e depois do sucesso foi mergulhar naquilo que gosto", conclui.


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