História original de 1974 é protagonizada por Patrícia Pillar e Sophie Charlotte; autores negam casal gay como na 1ª versão


O desafio, de cara, é ousado: transformar uma novela de 1974 com originalmente 112 capítulos em um remake moderno e atraente em termos visuais, e tudo em apenas 36 capítulos, espremidos entre fim de Copa do Mundo e começo de campanha eleitoral. O roteirista George Moura gostou da brincadeira e tratou de recrutar seus fiéis escudeiros para compor a nova faceta de “O Rebu”: Sérgio Goldenberg , com quem assina o texto, e José Luiz Villamarim , diretor geral e de núcleo.

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Patrícia Pillar e Dira Paes: algumas das poderosas e sexy de 'O Rebu'
Ricardo Leal e Claudio Andrade/Photo Rio News
Patrícia Pillar e Dira Paes: algumas das poderosas e sexy de 'O Rebu'

Aos poucos, o time foi selecionando suas engrenagens. Na fotografia, Walter Carvalho . No papel de poderosa-mór, Patrícia Pillar . Dira Paes , Cássia Kis Magro e Jesuíta Barbosa foram outros nomes que Villamarim resgatou do seu último sucesso na Globo, “Amores Roubados”. Sophie Charlotte chega para dar um frescor para a nova trama das 23h, inspirada na obra homônima de Bráulio Pedroso . Daniel de Oliveira , seu atual namorado, vem no pacote. Tony Ramos é o prestígio em pessoa. José de Abreu , Vera Holtz , Camila Morgado são outros atores de peso. E a coisa só melhora...

Sentiu o luxo? Esse é o clima de “O Rebu”, que estreia dia 14 de julho. É glamour em exagero na festa promovida por Angela Mahler (Patrícia), ponto de partida da história. Aliás, esse detalhe é apenas uma das mudanças promovidas por George e Sérgio. Na versão original, o papel principal era do sexo masculino. “Essa escolha surgiu como um dos esforços para trabalhar a ideia da contemporaneidade temática da novela. Hoje, as mulheres mais do nunca estão no poder. Isso é um dos motivos que nos levou a fazer a troca. Com isso, você espelha essa mudança para outros personagens”, disse George em coletiva de imprensa realizada nessa terça (24), no Rio.

O comentário do roteirista é sobre o papel de Sophie, a Duda, protegida de Angela. Na história de Bráulio, esse papel também era masculino. Aliás, em 1974, se sugeria um relacionamento mais íntimo entre esses dois personagens principais, algo censurado na época. Hoje, com beijo gay em horário nobre, Villamarim poderia explorar melhor o romance mal resolvido. Mas não. “Não existe casal homossexual nessa novela”, decretou o autor.

Por outro lado, cenas ousadas (muito ousadas) são esperadas. No clipe de apresentação para imprensa, a maioria dos personagens aparece bem entregue na festa. Cássia Kis Magro, Patrícia Pillar, Camila Morgado, Jesuíta Barbosa, Sophie e até Vera Holtz. Todos colaboram para elevar o clima tropical, segundo Villamarim: “Vivemos em um país sensual, precisamos explorar isso. Só que exploraremos com elegância. Isso é a premissa básica. Somos brasileiros, tropicalistas. Teremos sensualidade sim, e isso é uma das qualidades brasileiras”.

Elenco de 'O Rebu' em coletiva de imprensa
AgNews
Elenco de 'O Rebu' em coletiva de imprensa


Interatividade

Continuando a história, na tal festa de Angela regada a poder, dinheiro, ambição, luxo e luxúria, um corpo assassinado na piscina dá início ao caos. A festa desencadeia um “quem matou” logo no primeiro capítulo. “Somos apressadinhos”, brincou o diretor. O telespectador, então, acompanha a investigação pelos olhos do delegado Nuno Pedroso ( Marcos Palmeira ) e sua parceira, Rosa Nolasco ( Dira Paes ), que têm 24 horas para resolver o pepino.

“Talvez a mudança mais substancial que fizemos foi no ritmo da novela, e a quantidade de tramas. Com isso também você traz assuntos para o centro da cena que são do momento atual, dos dias de hoje. A forma é óbvia, tem o ‘quem matou’, e obviamente foi mudado o assassino”, disse George. E se o final vazar antes da hora? “A gente muda. Ou grava vários finais e decide na hora”, falou o diretor.

As redes sociais terão também papel fundamental na trama. O projeto transmídia entre TV e internet não foi explorado, o diretor apenas confirmou sua existência, e os autores comentaram a participação dos sites de relacionamento e publicação de imagens na modernização da história. “As redes dão um colorido. Em qualquer festa, hoje em dia, existe a festa real e a virtual. São mundos paralelos que convivem permanentemente e se retroalimentam. Tem um grupo que acompanha essa festa na mansão Mahler, mas tem um mundo que acompanha essa festa de maneira paralela. E obviamente, a polícia quando chega, como acontece em qualquer investigação no mundo real ou no da ficção, ela vai ter que lidar com os indícios da realidade e os indícios que estão na virtualidade”, disse.

Vale destacar que, durante as gravações, a equipe de arte entregou nas mãos dos atores celulares para que eles tirassem fotos das cenas durante as gravações. Eles usaram cerca de 30 aparelhos e clicaram mais de 3500 vezes. As "selfies" e cliques dos acontecimentos serão material de pesquisa para os investigadores do crime. 

Imersão em Buenos Aires

A mansão onde a equipe rodou muitas das cenas de “O Rebu” é o palácio Sans Souci, localizado em Buenos Aires, na Argentina. “A gente precisava de um signo. A Argentina tem uma coisa parecida com Paris. A gente resolveu usar uma arquitetura que eu chamo de mais quente e já sabíamos que existiam boas locações para se filmar lá. Achamos um palácio neoclássico onde gravamos um mês. Esse é um trabalho que eu chamo de imersão. Todos nós ali estávamos a favor só do ‘O Rebu’. Isso gera o que a gente vai ver no ar”, disse Villamarim.

As gravações, que vão até setembro, estão sendo finalizadas no estúdio onde a coletiva foi realizada, próximo ao Projac. A cenografia monumental impressiona, a arte é detalhista e os cenários montados de maneira inteira e fixa permitem muitos planos-sequência para Villamarim. Agora é esperar para conferir no ar o rebuliço que esse time vai apresentar.

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