A interatividade está cada vez mais presente nos programas e nas novelas


Não é de hoje que a interatividade ganha espaço na programação da televisão aberta brasileira. Na década de 1990, as atrações já contavam com a participação do público para votar por telefone e o modelo ganhou seu auge no "Linha Direta", programa policialesco da Globo no qual o telespectador decidia o final da história. O diálogo com o público já estava estabelecido naquele momento, mas acabou perdendo espaço na última década, restringindo-se às votações dos paredões do "Big Brother Brasil". Agora, essa interação de público com TV volta com força total e o termo adotado para isso na era da tecnologia é segunda tela. 

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Segundo dados do Ibope, 43% dos internautas brasileiros assistem à televisão enquanto navegam. E as emissoras já perceberam que, com os aparelhos conectados à web, a audiência pode interagir de forma sincronizada à transmissão votando, elogiando e também criticando nas redes sociais.

Jurados são meros coadjuvantes no 'SuperStar'
Reprodução
Jurados são meros coadjuvantes no 'SuperStar'

"Superstar"

O reality musical "Superstar", que estreou há três semanas na Globo, deixa evidente que o público é quem manda no programa. Na atração exibida no domingo (13), o Trio Violada, que apresentou no palco a música autoral Demorô, foi reprovado pelos três jurados, Ivete Sangalo , Dinho Ouro Preto e Fábio Jr ., mas foi salvo pelo poder do público.

No programa, o voto de cada um dos jurados equivale a 7% de pontuação e, mesmo que os três votem a favor e sejam somados 21% de aprovação, eles não são capazes de classificar nenhuma banda. E nem de desclassificar, como no exemplo do Trio Violada.  O público, que vota por meio de um aplicativo para smartphones e tablets, aprovou o trio sertanejo com mais de 70% de votos, pontuação mínima para manter os artistas na disputa. Na ocasião, Ivete deu sua opinião sincera ao vivo, disse que não gostou da letra repetitiva e da desafinação dos cantores, mas acabou sobrando para a baiana ser a madrinha da banda que ela não curtiu. O episódio mostrou que os experts são meros coadjuvantes nesse momento de fuga de audiência da TV aberta para a internet e para a TV por assinatura.

"CQC"

Na estreia da nova temporada do "CQC", da Band, Marcelo Tas falou em tom de profecia sobre o futuro da televisão e foi o primeiro apresentador a anunciar a ferramenta de segunda tela como novidade para 2014.  "Vivemos um momento gravíssimo. Quem não entender que o telespectador não é só mais o cara do sofá, e sim um ser ativo e articulante, só tende a sumir", disse Tas.

"Geração Brasil"

Apesar de gravadas com antecedência, as novelas também querem fisgar o público da internet. Autor de "Geração Brasil", substituta de "Além do Horizonte" na faixa das 19h da Globo, Filipe Miguez enfatizou a abordagem da tecnologia e, principalmente, a expectativa da participação dos internautas na trama que estreia em maio. "Vamos falar de tecnologia e de como ela está afetando e modificando as relações pessoais hoje em dia. Você vão ver muitas brincadeiras de linguagem e apostamos muito na coisa da segunda tela. Vamos usar a internet como aliada para assistir TV. É uma aposta alta, mas que a gente acha que vai dar certo. Estudos comprovam que os brasileiros são muito ligados à tecnologia e aceitam inovações tecnológicas", justificou Filipe.

O poder do "não".

O poder do "não" do telespectador também pesou na alteração da vinheta de encerramento da novela "Em Família", da Globo. Chamadas de "Momentos Em Família", as esquetes com um tom dramático ao fim de cada capítulo da novela de Manoel Carlos foram retiradas do ar sem aviso prévio e a justificativa foi que o público "não gostou". O "da poltrona" despertou. Aquele telespectador passivo ironizado por Renato Aragão está com o celular, o computador e o controle remoto na mão.

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