Atriz de Porta dos Fundos que estrelou o vídeo "Sobre a Mesa" colhe frutos dos anos de carreira com agenda lotada e filmes

Júlia Rabello chegou para a entrevista com um único e sincero pedido em mente: "Cara, posso almoçar enquanto a gente conversa? Mil desculpas, mas não vou ter outro horário tão cedo para comer". Não é exagero da atriz, não. A agenda de trabalho de Julia, compartilhada online com assessora e empresária, não tem uma janelinha sequer para desperdício de tempo. Além dos vídeos do canal online Porta dos Fundos, a atriz prepara-se para estrear o filme "Copa de Elite" este mês, depois vem "Vestido Para Casar", então ela roda em São Paulo "O Réveillon", grava as séries do GNT "Ponto Final" e "Vai Que Cola" e ainda precisa dar atenção para o marido, o também ator Marcos Veras.

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"Outro dia, coitado, me esqueci do nosso terceiro aniversário de casamento", lembra Júlia, que está com Veras há nove anos. O boom da atriz, tímida em um primeiro momento, aconteceu entre 2012 e 2013, com o sucesso do Porta dos Fundos. Seu vídeo "Sobre a Mesa", que fez com Antonio Tabet , conhecido como Kibe Loco, ainda hoje é o mais acessado do canal. "É engraçado que as pessoas me encontram achando que vão falar com a Dercy Gonçalves new generation (risos). Eu até, na intimidade, sou um pouco assim, mas em público, não", afirma a atriz de 32 anos.

A falta de tempo para almoçar não a incomoda em nada. Pelo contrário, é o que faz seus olhos brilharem mais. Júlia é atriz desde criança, se profissionalizou aos 18 e abriu uma produtora que consumia seu tempo (e sua paciência). Aos 28, largou tudo para fazer o que ama: atuar. "Tive uma fase negra, mas hoje a minha vida mudou porque ocupo 100% do meu tempo com coisas que amo, e antes não era assim."

E dá para fazer mais planos ainda para 2014? "Só paro em setembro. E se pintar mais trabalho depois de setembro, estamos pegando também", avisa.

iG: O ano de 2013 foi uma loucura para você, né?
Júlia Rabello: Foi muito louco. Foi o ano em que se concretizou essa questão do Porta dos Fundos. Foi corrido por causa dos vídeos do canal e outros trabalhos que fiz. A gente ainda rodou o "Copa de Elite", que vai estrear agora, e eu estava em cartaz com a peça que ainda estou, a "Atreva-se" (com direção de Jô Soares ). Mas acho que esse ano vai ser bem mais loucura. É tudo muito seguidinho, um projeto atrás do outro, e isso me assusta um pouco mais, porque só paro em setembro. E se pintar mais trabalho depois de setembro, estamos pegando (risos). E não tem dia de folga, né? Posso até ter um dia de folga a cada dez dias, sei lá… Só não tenho o avião e o cachê do Luan Santana , mas a agenda é parecida.

Tive uma fase negra, mas hoje a minha vida mudou porque eu ocupo 100% do meu tempo com coisas que eu amo, e antes não era assim”

iG: Você já conseguiu absorver todas as mudanças pelas quais sua vida passou em tão pouco tempo?
Júlia Rabello: Já tenho muito tempo de carreira como atriz. Não para o grande público, sempre fui atriz de teatro. E o que eu acho que aconteceu para muitas pessoas do Porta é que a gente já tinha muitos anos de trabalho, então quando chegou o grande público, a gente já sabia lidar um pouco com isso. É claro que tudo é novidade, mas a gente já está mais amadurecido, em outra fase… Agora, realmente, tem muitas coisas novas, coisas que você não pensava que queria fazer. Não sei exemplos, mas você tem que começar a pensar em maquiagem, cabelo, essas coisas que talvez você não pensasse tanto antes. Gosto muito de trabalhar. Sou da labuta, sou trabalhadora. E gosto de falar isso, porque foge um pouco da coisa do glamour. É claro que é legal, bonito, é tudo lindo, mas o que me atrai mesmo no trabalho é o dia a dia. Gosto muito do trabalho do ator. Muito. É um pouco romântico falar isso, mas é em termos práticos mesmo. Gosto de estar ali falando o texto, interagindo com o outro.

iG: Então, essa labuta já fazia parte da sua vida há algum tempo e agora veio o bônus…
Júlia Rabello:
Veio o glamour! E não é que sou completamente desentendida disso, mas não é minha área de performance total. Adquiri um respeito enorme pelas modelos, porque é muito difícil… Você vai toda desengonçada e acaba na foto em uma pose linda. Não sei fazer isso. Mas é divertido, adoro aprender coisas novas e vou aprendendo que, sei lá, esse tecido combina com aquele. Não é exatamente o meu trabalho, mas não deixa de ser. E você conhece muita gente legal. Eu gosto muito de olhar os outros trabalhando e gosto de entender um pouquinho aquele universo. Já me produzi por algum tempo, e o produtor acaba tendo que entender um pouquinho a função dos outros.

iG: Me conta como você decidiu iniciar e investir em uma carreira de atriz.
Júlia Rabello: Comecei a estudar teatro ainda criança. Sempre gostei de estudar, então sempre fiz cursos, pecinhas aqui, pecinhas ali… Depois, entrei na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) para me profissionalizar, com 18 anos. E aí foi uma peça atrás da outra, logo virei produtora e fui construindo os meus trabalhos. Até chegar aos meus 28 anos e ver que já estava muito engajada com minha empresa de produção com duas sócias. E aí foi minha reviravolta. Larguei tudo, resolvi me jogar de cabeça para ser só atriz, ter como trabalho apenas a atuação. Foi um salto no abismo, porque comecei o trabalho como produtora para bancar a vida, para ter um sustento. A vida de um ator que não é famoso é puxada. Então, a produção me ajudava nisso. E quando larguei tudo foi um tempinho fúnebre… Mas, na sequência, produzi uma peça comigo e com o Marcos (Veras) chamada "Não Olhe Para Baixo, Você Vai Querer Pular", e dali veio o convite do Porta dos Fundos, veio o convite para a peça do Jô Soares. E desses dois veio todo o restante. A partir desse momento que eu decidi largar tudo, tudo começou a surgir.

Sempre fugi muito do humor. Minha mãe sempre falou que eu tinha que fazer humor, e eu fazia teatro sério ou musical. Só que acabava que o humor sempre aparecia para mim no curso, na faculdade…"

iG: O humor sempre fez parte?
Júlia Rabello: Não, sempre fugi muito do humor. Minha mãe sempre falou que eu tinha que fazer humor, e eu fazia teatro sério ou musical. Só que acabava que o humor sempre aparecia para mim no curso, na faculdade… Eu sempre era a pessoa que fazia graça. E acho humor tão difícil e considero as pessoas que fazem humor bem tão sensacionais que eu tinha medo de arriscar nesse terreno. O que brinco é que o humor me puxou para ele. Foi com o Porta que abriu muito esse universo do humor para mim, tanto que as pessoas começaram a me ver muito como humorista. Mas a minha formação é como atriz.

iG: Você acha que faz bem humor hoje?
Júlia Rabello: Eu nunca diria que faço bem. Acho que estou tendo oportunidade de trabalhar com os melhores e não estou deixando a peteca cair. Dizer que faço bem ainda é muito difícil, porque acho o humor uma coisa muito… Difícil. Ao mesmo tempo é muito simples. Só que para você conseguir chegar nesse lugar, tem que ter um treinamento, uma predisposição, um ouvido. Tem que ter tantas coisas, né? Mas estamos no caminho.

iG: Marcos sempre esteve com você? Vocês estão juntos há quanto tempo?
Júlia Rabello: A gente está junto há muito tempo. Fizemos agora nove anos juntos. São três anos de casado e nove anos juntos no total. Fui assistir à peça de uma amiga minha e ele fazia parte do elenco. E aí no final, depois da peça, saí para comer alguma coisa com essas duas amigas minhas e ele apareceu, pediu para sentar com a gente, ele era colega de elenco de uma delas, e dali a gente conversou a noite inteira. Cada um tinha uma festa no Leme para ir depois disso e cada um foi para sua festa. Mas as festas estavam muito chatas, daí a gente se ligou e foi para um luau que estava rolando na praia. Foi desde aí. Foi um encontro muito legal, e a gente se diverte muito desde o primeiro dia. Não que a gente esqueceu as pessoas que estavam próximas, mas a gente teve tanta afinidade que a gente sempre conversou muito, sempre se interessou muito um pelo outro.

iG: Vocês casaram mesmo, você de branco, ele de terno…
Júlia Rabello: Casamos, sim. Depois de seis anos namorando… A gente já tinha uma relação de casamento, já sabia que queria ficar junto, se Deus quiser, para o resto da vida. Então, a gente resolveu oficializar. Se eu encontrei uma pessoa legal, se tenho planos de ficar com ele… É porque hoje em dia a gente fala em planos e nunca sabe...

iG: E o casamento não é uma coisa fácil, né?
Júlia Rabello: É, mas só me fez bem, sabia? Minha vida é muito melhor. Eu tinha trauma de casamento, não queria me casar. O Marcos que insistiu. Aí, aos poucos, fui cedendo e vi que estava totalmente equivocada. Se você encontra uma pessoa que te faz bem, que te impulsiona… A gente já passou por muitas fases difíceis juntos, e isso é um termômetro também. As tragédias aproximam as pessoas. Então, se do que a gente já passou a gente sobreviveu, beleza. A gente não se questiona se a gente é capaz de ficar juntos em dificuldades.

iG: Você sabe que muita gente ainda se surpreende ao saber que você dois são casados?
Júlia Rabello: Eu adoro! É porque nós (ela e Veras) somos de lugares totalmente diferentes…

Sou um pouquinho boca suja, mas sou tímida, reservada"

iG: Acho que isso ficou ainda mais chocante depois do vídeo do Porta dos Fundos "Sobre a Mesa", que o pessoal te viu falando mil palavrões, enquanto o Veras tem uma cara superdoce…
Júlia Rabello:  Não sou nada daquilo. Mentira, sou um pouquinho. Sou um pouquinho boca suja, mas sou tímida, reservada. É engraçado que as pessoas me encontram achando que vão falar com a Dercy Gonçalves new generation (risos). Eu até, na intimidade, sou um pouco assim, mas em público, não. E o lance do vídeo do "Sobre a Mesa" é que eu ainda não tinha noção da proporção do Porta, e a gente gravou aquilo muitos meses antes na minha casa. Era falar meia dúzia de bobagens junto com amigos. Quando aquilo foi para o ar, eu falei: "caraca! Bom, internet… É um vídeo ruim, espero que não acabe com a carreira do Porta… Acho que ninguém vai ver..." De repente, as coisas tomaram uma proporção enorme! Ainda bem que as pessoas estavam gostando, né?

iG: Você tem um palavrão preferido?
Júlia Rabello: Tem as vírgulas, né? Porra, merda… É louco, porque no Porta tem uma pegada muito forte, e na vida eu não sou assim. Sou meiga, docinha… Não sou muito menininha, mas sou doce. E lá no Porta é um humor muito masculino, então a minha pegada também é forte, tenho que ir nesse timbre. Já tenho a voz mais grave… Brinco que faço as velhas do Porta, porque as outras meninas são muito novas. As pessoas acham até que sou mais velha do que sou… Tenho 32 anos.

iG: Você já comentou em um Portaria (vídeo para divulgar os comentários dos fãs do Porta dos Fundos) que já estava pensando em parar para engravidar. Está rolando essa vontade mesmo?
Júlia Rabello : Esse ano eu já acho que não vou conseguir (risos)! E meu marido tem a mesma agenda que eu, né? Quero muito ser mãe, acho que já está na hora, mas realmente estou em uma fase tão legal, com trabalhos tão legais que fica difícil, é uma escolha muito difícil. Não vai demorar muito, mas acho que esse ano não vai ser mais, não. Eu queria que fosse, mas vamos ver…

iG Sua vida mudou muito em questões financeiras?
Júlia Rabello: Ainda não posso dizer que minha vida mudou completamente, porque antes eu tinha a produtora… O lance é que hoje eu tenho meu padrão de vida e pago as minhas contas com a profissão que mais gosto. Essa é a diferença. Tive uma fase negra, mas hoje em dia eu consigo ter o mesmo tipo de padrão de vida, porque a produção também é um trabalho que gira muita coisa. A minha vida mudou porque ocupo 100% do meu tempo com coisas que amo, e antes não era assim. Estou muito feliz, tenho muita satisfação no que faço, gosto da minha rotina.

iG: Sobre a rotina, vamos aos mil projetos: primeiro o "Copa de Elite", que você lança agora. Me conta brevemente sobre o filme.
Júlia Rabello: Vamos lançar agora em 17 de abril em todo País. É um filme paródia, e fazer paródia do cinema nacional significa que o cinema tem que ter produzido bons sucessos, né? Acho que a gente chegou nessa maturidade. No elenco, o Marcos faz uma versão do Capitão Nascimento e eu faço uma versão da Bruna Surfistinha. E é uma brincadeira em torno da Copa do Mundo. O Marcos entra em uma missão que ele, sem querer, aborta um sequestro do Messi, e o Brasil inteiro fica puto com ele, porque seria ótimo o Messi estar sequestrado na Copa do Mundo. Acaba que eles entram em uma aventura louca… É uma grande brincadeira e foi demais de divertido. É um filme sem pretensões, só de risadas.

iG: Depois disso vem o quê?
Júlia Rabello: Pois é, aí vem o filme que eu fiz com o Leandro Hassum , o "Vestido Para Casar". Depois entra o filme chamado "O Réveillon", uma comédia que é da (produtora) O2. Estou ensaiando e vou rodar em breve em São Paulo. Vou ficar ruiva, depois fico loira de novo… Daí volto para o Rio e começo a série do GNT.

iG: Como vai ser essa série?
Júlia Rabello: Se chama "Ponto Final". É uma mulher que é contratada para colocar pontos finais em relacionamentos. É tipo uma coach para terminar relações… E tem umas relações complicadíssimas. Por exemplo, em um dos casos, uma mulher quer se separar do chefe da máfia. Depois disso, faço o "Vai Que Cola". Eu, Tatá Werneck e o Marcelo Médici fomos chamados para fazer uma participação alongada. Vou fazer 10 episódios. Isso vai rolar em agosto. No meio disso, ainda estou em cartaz com a peça do Jô, que vai estar rodando o interior de São Paulo e depois capital.

iG: No meio disso, ainda tem os vídeos do Porta. Como você encaixa?
Júlia Rabello: Ontem, por exemplo, eu saí para gravar às 4 horas da manhã. O Porta dos Fundos é minha prioridade, a minha casa. Sempre que entro em um trabalho eu converso com as produções. Preciso encaixar um tempo para eles, mas é uma demanda que dá para conciliar, então não tivemos problemas.

iG: Luciano Huck deu uma entrevista a um jornal e disse que foi o investidor inicial do Porta. Hoje ele tem algum envolvimento, dá palpites?
Júlia Rabello: A estrutura lá é a seguinte: eu sou uma atriz contratada e existem os sócios. Todo esse funcionamento da empresa eu não participo, graças a Deus (risos). Eu tinha uma empresa, não gostaria de voltar a ser dona de uma. É muita responsabilidade e teria que voltar a dividir a vida em dois. O que eu sei do Luciano é que a partir de um determinado momento, ele veio como um parceiro. Ele é mais um dos nossos parceiros e já de antes, porque o Kibe e o João Vicente (de Castro) trabalharam no "Caldeirão", então ele conhece os meninos. Mas eu, por exemplo, não conheço ele. Ele não é um parceiro tão próximo assim de estar no dia a dia.

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