Em "Tá no Ar: a TV na TV", atores, que assinam juntos a redação final da atração, receberam carta branca para falar sobre tudo

Marcelo Adnet , Marcius Melhem e grande elenco se reuniram na noite de segunda-feira (24), no Projac, para apresentar à imprensa o mais novo humorístico da Globo: é o "Tá no Ar: a TV na TV", que fala, como o próprio nome já dá a entender, sobre televisão. Qualquer comparação com "TV Pirata" ou "Casseta & Planeta" era mais do que esperada pelos redatores finais da atração e pelo diretor, Mauricio Farias , e o discurso de defesa estava na ponta da língua.

"A 'TV Pirata' é um marco na televisão. O nosso programa, evidentemente, tem semelhanças, porque fala sobre televisão, mas ele tem uma pegada bem diferente. A gente está muito tempo depois, são quase 30 anos depois. O Brasil mudou, a TV, as pessoas, e consequentemente, o tipo de humor mudou. Agora, o que é engraçado é engraçado sempre. Se a gente chegar perto da graça que era 'TV Pirata', acho que a gente vai estar muito bem", disse o diretor da atração, que estreia dia 10 de abril após "Doce de Mãe".

A pegada forte de "Tá no Ar" é satirizar todo e qualquer gênero da TV. Atenção: todo e qualquer gênero. Mas Melhem alerta que ninguém vai apontar o dedo na cara de ninguém, nem imitar personagens e muito menos inventar nomes engraçados para paródias. "Quando a gente faz um programa policial, a gente não faz o Datena ou o Marcelo Rezende . A gente faz um cara específico que tem um pouquinho de cada um. A gente se aproxima da pessoa, mas não a legenda. Você, em casa, decide quem ela é".

Opa, opa, então espera aí. Quem é esse cara falando “má oêêê” no clipe exibido para a imprensa na coletiva? Silvio Santos foi citado e ainda deu o tom do programa no texto: "má oê, acho que estou no canal errado…". O que Adnet e Melhem construíram é um programa de 25 minutos que retrata uma zapeada frenética pelos canais existentes. É como se o telespectador não tivesse um controle remoto na mão.

"A gente troca o canal por você. Então, às vezes você vê programas inteiros, às vezes você vê um pedaço, às vezes uma frase só, às vezes um comercial…", contou o ator e roteirista.

O "trocar o canal por você" implica em cair em gêneros apresentados em outras emissoras, como Record, Band, Rede TV! e canais a cabo, entre outros. Aliás, ainda no clipe para a imprensa, Adnet aparece em uma esquete listando as concorrentes da Globo na pele de um revolucinário. Melhem comentou a liberdade que eles adquiriram para realizar o feito.

"Essa história da Globo não ter tradição ou não poder (falar de outras emissoras)... Na verdade, ficam umas coisas no ar que a Globo não deixa isso ou aquilo, mas isso nunca chegou (para nós), não foi uma questão. A gente foi fazendo o que achava que era legal fazer, e fomos avançando e fomos fazendo", afirmou.

Maurício completou: "A gente não faz paródia, salvo algumas exceções, que a piada é tão boa que a gente não resistiu. De fato, não é para fazer uma paródia em cima da programação da TV brasileira, e sim fazer humor em cima da televisão de um modo geral. E também brincar muito com a gente mesmo. A Globo é uma das maiores produtoras do mundo. A gente tem muito assunto para brincar, se divertir, para rir de si mesmo, das qualidades, das críticas que a gente tem… O programa pega essa carona".

O diretor ainda definiu a atração como "uma espécie de antena do que está acontecendo no Brasil". Por isso, para manter a zapeada quente, os roteiristas (uma equipe com nove) incluíram assuntos polêmicos, como política e religião. "Nem nos foi colocado nenhum tabu e nem a gente se colocou nenhum tabu. Acho que a questão não é o que a gente vai falar, e sim como a gente vai falar. O que a gente procura é fazer as críticas que a gente quer fazer de forma elegante. Nada é sagrado para nós. Tem religião, todas. Tem política a dar com pau… Os temas mais espinhosos a gente trata com mais cuidado, mas trata", avisou Melhem.

Com tanta diferença e ousadia, claro que o índice de audiência é importante para definir muitas coisas, inclusive uma segunda temporada (o programa vai até 5 de junho, uma semana antes da Copa).

"A meta que a televisão tem é uma meta de horário. De cabeça, agora, eu nem me lembro qual a meta do horário do nosso. Mas, para ser sincero, eu estou na Globo há um tempão e nunca fiz nada pensando na meta, porque não dá para fazer pensando em números. Você tem que fazer aquilo acreditando que todo mundo vai gostar. Aonde você vai chegar você nunca vai saber. Pelo menos é essa sensação que eu tenho", falou Maurício.

Para a estreia, uma surpresa já foi revelada: Ricardo Macchi é o convidado especial. "Fátima Bernardes também vai fazer... E Carlinhos de Jesus já gravou", avisou o diretor. Completam o elenco do humorístico Danton Mello , Luana Martau , Carol Portes , Georgiana Goes , Marcio Vito , Maurício Rizzo , Renata Gaspar , Veronica Debom e Welder Rodrigues .

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.