Rachel Sheherazade sobre nota de repúdio: "Irresponsável e inidôneo"

Por Juliana Moraes , iG Gente | - Atualizada às

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Após comentários sobre o rapaz de 16 anos que foi amarrado nu a um poste, apresentadora foi alvo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

Reprodução
Rachel Sheherazade

Rachel Sheherazade foi alvo de fortes críticas ao longo da última semana. A apresentadora do "SBT Brasil" se posicionou na última terça-feira (04) sobre o caso do rapaz de 16 anos, que supostamente roubou, e, como punição, foi amarrado nu a um poste no Rio de Janeiro e espancado por um grupo chamado de "Justiceiros". Entre os comentários, Rachel sugeriu que os defensores dos Direitos Humanos adotassem um bandido.

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A repercussão foi instantânea. Tanto que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Comissão de Ética da entidade divulgaram uma nota de repúdio à apresentadora, alegando que ela cometera uma “grave violação de direitos humanos e ao Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros”. Depois das grandes proporções, o SBT abriu espaço para que Rachel se defendesse e a emissora se eximiu dos comentários emitidos por ela.

Em entrevista ao iG, Rachel comentou sobre a nota de repúdio e classificou o Sindicato de "irresponsável e inidôneo", já que ela tem o direito constitucional da livre expressão. A apresentadora também falou sobre as recorrentes ameaças que tem sofrido pelas redes sociais e voltou a defender a justiça com as próprias mãos, desde que não haja o uso da violência. Confira abaixo a entrevista com Rachel Sheherazade.

iG: Você está sendo ameaçada depois dessa polêmica? Em decorrência disso, está com medo de sair nas ruas?
Rachel Sheherazade: Graças às denúncias que faço contra os desmandos do Governo e dos políticos corruptos, sempre recebo ameaças pela internet, mas não tenho medo de sair nas ruas. Nunca estou sozinha.

Divulgação/SBT
Rachel Sheherazade

iG: Quando você faz um comentário como esse do menino acorrentado ao poste, imagina as consequências que pode gerar?
Rachel Sheherazade: Imagino que toda opinião gera discussão e retaliações, principalmente se ela tocar em temas tabu ou envolver denúncias contra políticos e o Governo. Vivemos num Estado policialesco, onde o Governo vigia cada opinião livre, e ataca, através de seus braços na sociedade, na mídia e no Poder público, cada jornalista, intelectual ou artista com pensamento independente e contrário a todo esse estado de coisas. Quem fala a verdade, quem denuncia os abusos, se expõe, entra na mira dos poderosos. Por isso, eles não esquecem o projeto de controle da mídia. Em plena democracia querem ressuscitar a perseguição aos oponentes, a mordaça, a censura. O totalitarismo agora só mudou de bandeira.

iG: Alguns internautas dizem que você tem um posicionamento muito conservador/reacionário e, com isso, incita a violência. Acredita que sua análise seja capaz de incitar algum tipo de violência?
Rachel Sheherazade: Desconheço qualquer correlação entre conservadorismo e violência. Conservadores estão muito mais dispostos à não violência, porque sabem preservar valores e instituições que eles ajudaram a construir ao longo do tempo, principalmente a paz. Governos totalitários, como as ditaduras comunistas e socialistas, é que se valem da violência para se impor à sociedade. Segundo o Museu Global do Comunismo, o regime matou mais de 100 milhões de pessoas em todo mundo. Na China, foram 65 milhões de vítimas, na antiga União Soviética, 20 milhões. A Coréia matou 2 milhões pessoas. O regime vermelho ainda fez um milhão e meio de vítimas no Afeganistão, um milhão no Vietnã, e em Cuba mais de cem mil acabaram mortos.

iG: Na noite dessa quinta (6), você deu uma resposta à repercussão do seu comentário na bancada do "SBT Brasil". Acha que você foi incoerente no discurso, uma vez que diz que o cidadão tem o direito de se defender, já que o Poder Público não faz a parte dele? Isso não seria fazer justiça com as próprias mãos e uma incitação à violência?
Rachel Sheherazade: Não vejo incoerência nenhuma no meu discurso. Disse no comentário e reafirmo: compreendo a atitude desesperada de pessoas desarmadas, abandonadas à própria sorte pelo Estado, sem segurança, sem policiamento, de se defender. A legítima defesa é uma prerrogativa de qualquer indivíduo. Os jovens que se intitulam 'Justiceiros' também exerceram um outro direito, previsto no artigo 301 do Código de Processo Penal, que reza: 'Qualquer do povo pode prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito!'. O erro dos “justiceiros” foi usar da violência para deter o infrator. Mas, nós também não sabemos em que circunstâncias essa prisão foi feita. Se o infrator estava armado, se reagiu, se tentou se evadir... Embora não defenda a violência, defendo, sim, e sempre defenderei o direito de qualquer cidadão proteger seus bens, sua propriedade e sua vida.

iG: Você recebeu alguma orientação por parte do SBT para pegar mais leve nas análises depois da proporção que tomou?
Rachel Sheherazade: Não recebi nenhuma orientação do SBT em relação aos meus comentários. Eles seguirão no mesmo tom que me é peculiar. Doa a quem doer.

iG: O que você achou sobre a nota de repúdio divulgada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e da Comissão de Ética da mesma entidade?
Rachel Sheherazade: Quanto à nota de repúdio, acredito que o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro foi irresponsável e inidôneo ao exigir que uma profissional da imprensa seja punida por exercer seu direito constitucional e irrevogável de livre expressão. Acredito que basearam seu repúdio no 'ouvi dizer', sequer tendo lido o texto ou assistido ao meu vídeo. Caso contrário, não teriam redigido uma nota desinformada e descabida como aquela. Aproveito para perguntar ao mesmo Sindicato dos Jornalistas (que também deveria me representar) porque não se mobilizou em meu favor, quando, em 30 de dezembro de 2013, um professor da UFRRJ publicou e replicou ofensas gravíssimas sobre mim, com mensagens de intolerância religiosa, e incitação ao estupro? Estou aguardando uma nota de repúdio do Sindicato até hoje. Também me pergunto se o Ministério Público não vai representar contra o professor Paulo Ghiraldelli, meu ofensor, pois já ofereci denúncia junto à Delegacia competente, mas tudo que obtive até agora foi o silêncio das autoridades. Que espécie de Justiça seletiva é essa?


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