A fofoqueira da TV Gazeta conta que há 12 anos abriu mão de seu lado masculino para ser Mamma 24 horas por dia, revela os obstáculos da obesidade e sonha em encontrar um amor


Com sotaque italiano carregado, a gargalhada inconfundível e os comentários sinceros, que já foram ferinos no passado, Mamma Bruschetta   é quem dá o tom do programa vespertino “Mulheres”, da TV Gazeta de São Paulo. A “gordinha puro amor”, como a apresentadora Cátia Fonseca   a apelidou, é interpretada por Luís Henrique   há 12 anos. Mas a personagem já ocupou o lugar da personalidade do ator de 64 anos e ela é Mamma 24 horas por dia. “O Luís morreu há muito tempo. Meu pensamento é o da Mamma, eu falo como a Mamma, sou feminina. Nasci Luís, mas quem me move, me carrega e me faz ser quem eu sou é a Mamma”, explica. No entanto, na conversa exclusiva com o iG , ela às vezes se confunde e usa adjetivos masculinos ao falar de si própria.

Sexualmente, sou inativo. Estou há 40 anos sem nada, mas não sou virgem, garanto, e nem complexado. Um dia acredito que vai aparecer alguém"

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Antes da famosa matriarca, Mamma, quando ainda era Luís Henrique, deu vida a outro conhecido personagem de TV: era o extraterrestre Zero da atração infantil “Rá-Tim-Bum”, (de 1989 a 1992), da TV Cultura. Mas foi no corpo feminino e sendo ela mesma na TV que Mamma se encontrou. Com a mesma naturalidade na frente das câmeras e na produção do “Mulheres”, ela cuida de tudo, da culinária, dos cameramen, dos merchandising e até dá passe espiritual de brincadeirinha antes de algum convidado entrar ao vivo. “Gosto muito do que faço, sempre fico ligando, dando pitacos e muitas vezes, quando estou de férias, venho assistir daqui o programa”, diverte-se.

Mamma Bruschetta e um dos câmeras do programa 'Mulheres', da TV Gazeta
André Giorgi/iG
Mamma Bruschetta e um dos câmeras do programa 'Mulheres', da TV Gazeta

A alegria no ambiente não é a mesma na intimidade. A obesidade é o principal obstáculo. “Tive que fazer toda uma adaptação com mangueiras e assentos para poder fazer minha higiene pessoal. Não quero ficar magra, mas um dos meus sonhos é tirar a barriga, poder me limpar sozinha e ver o que eu tenho aqui embaixo”, conta. Na conversa, Mamma ainda revelou outros desejos: “Sonho em ter um salário de cinco dígitos, fazer um papel grandioso no teatro e poder comprar minha casa própria.” No pacote da felicidade também falta um grande amor. “Um dia acredito que vai aparecer”, diz, sem ansiedade, e surpreende ao dizer que não faz sexo há 40 anos.

Mamma despediu-se da reportagem comemorando suas primeiras férias, quando embarcaria para Las Vegas, nos Estados Unidos. “Ganhei de um amigo. É a primeira viagem da minha vida que faço não sendo a trabalho." Confira o bate-papo. 

iG: É verdade a Cátia Fonseca pediu para você ser demitida quando ela foi para a Gazeta?
Mamma Bruschetta:   Verdade. Ela dizia que não queria essa gorda horrorosa do lado dela. Até entendo porque no começo eu não era essa Mamma de hoje. Era uma vagabunda, malvada e violenta. O personagem nasceu para ser o alterego do Clodovil (Hernandez) ,, então você imagina alguém pior do que ele já era. Muita gente não vinha do programa porque eu falava cada absurdo. Daí a diretora resolveu me reciclar, a Mamma foi para Roma tomar a benção do Papa para voltar boazinha.

Gostaria muito de ter um programa só meu, ganhar pelo menos cinco dígitos, ter um papel grandioso no teatro e poder comprar minha casa própria”

iG: Como é hoje a relação de vocês?
Mamma Bruschetta:   A gente se dá muito bem, temos uma química muito gostosa, que já dura 12 anos. Aprendemos a ter uma cumplicidade na hora de apresentar o programa.

iG: Fica cansada de fazer um programa de quatro horas diárias e ao vivo?
Mamma Bruschetta:   Não sinto nenhum cansaço. Adoro estar aqui e queria seis horas de programa. Eu estou entrando de férias e essas vão ser as primeiras de verdade. Nunca viajo, e como gosto muito do que faço, sempre fico ligando, dando pitacos e muitas vezes eu venho assistir daqui, mesmo nas férias. Só tiro férias do vídeo. Essa é a primeira vez que vou viajar não sendo a trabalho. Quero muito colocar óculos escuros e camisa florida.

iG: Já passou muitas saias-justas no ar?
Mamma Bruschetta:   Já. Uma vez, quando eu ainda era má, eu peguei uma notícia do jornal para comentar. Acabei me excedendo, pegando pesado com os bispos da Record e chamando todo mundo de ladrão. Fui processada e foi uma saia-justa porque não prestei atenção no que eu estava falando, não confirmei a informação e ainda me esqueci de dar a fonte da matéria. Na época, a emissora me deu cobertura e arcou com o prejuízo por mim. Me senti ridícula.

Luís Henrique, o interprete da Mamma Bruschetta, já viveu o E.T. no seriado 'Rá-Tim-Bum', da TV Cultura
Divulgação
Luís Henrique, o interprete da Mamma Bruschetta, já viveu o E.T. no seriado 'Rá-Tim-Bum', da TV Cultura


iG: Você é a Mamma 24 horas por dia?
Mamma Bruschetta:   Nem sempre estou com as roupas dela, mas eu sou a Mamma 24 horas por dia sim. É só eu abrir a boca que a Mamma vem. E ela é tão querida, graças a Deus, que independe de eu estar montada ou não, todo mundo reconhece e vem tirar foto, dar beijo.

Amo teatro, mas não faço mais por culpa do meu peso. É muito sacrificante, não quero ficar me arrastando e sendo carregado por ninguém do elenco”

iG: Quem é o Luís Henrique e quando ele aparece?
Mamma Bruschetta:   Esse aí já sumiu. O Luís Henrique morreu há muito tempo. As vezes, até esqueço que ele existiu. Meu pensamento é o da Mamma. Falo como a Mamma, sou feminina. Sexualmente, sou inativo. Eu tenho muitas mulheres me que inspiram, como minha mãe, minha avó, minhas irmãs, minhas tias e a Cher . Eu nasci Luís, mas o que me move, me carrega e faz eu ser quem eu sou é a Mamma. É engraçado, porque se eu tiver que fazer outro personagem, eu faço. A Mamma é meu ganha pão.

iG: Como assim sexualmente inativo?
Mamma Bruschetta:   Estou há 40 anos sem nada. Não tenho nem material suficiente para fazer. Não sou virgem, isso eu garanto, e nem complexado. Um dia acredito que vai aparecer alguém, mas não fico esperando. Se aparecer ótimo, se não aparecer, tudo bem também.

iG: É muito tietada nas ruas?
Mamma Bruschetta:   Graças a Deus. Tiro fotografia o dia todo. Eu não vou a um evento onde não tire pelo menos cem fotografias. No show do Roberto Carlos , no Parque do Ibirapuera (em São Paulo), devo ter tirado, por baixo, umas mil. Uma vez fui com a Cátia em uma escola de samba. Ela ficou louca de tanto que eu parava para atender pedido de foto. Aqui na (avenida) Paulista mesmo, até para pegar um taxi é meio difícil. Mas posso falar, eu adoro. Já perdi espetáculo de teatro por ficar tirando foto na entrada. Tive que ir quatro vezes no espetáculo "Priscila, a Rainha do Deserto" para conseguir assistir.

iG: Por que as pessoas gostam tanto da Mamma?
Mamma Bruschetta:   Porque amo o que faço. A Mamma é muito família e todo mundo tem uma Mamma dentro de casa. Todo mundo tem uma tia, uma avó dentro de casa. E quem não tem, me adota. Outro motivo dessa paixão pela Mamma é o Silvio Santos . Ele me adotou há alguns anos então, toda vez que eu passo por lá, reforça meu ego e a paixão das pessoas por mim.

Mamma Bruschetta
André Giorgi/iG
Mamma Bruschetta


iG: O que faz quando está longe da televisão?
Mamma Bruschetta:   Adoro fazer teatro e cinema. Como eu gosto. Na época em que fazia teatro, ganhei quase todos os prêmios que existia. Hoje não faço mais quase nada por culpa do meu peso. É muito sacrificante, não quero ficar me arrastando e sendo carregada por ninguém do elenco.

iG: Como foi a sua infância?
Mamma Bruschetta:   Foi muito mágica. Tive uma infância muito pobre, eu não tinha nada além da minha imaginação. Adorava ler contos de fadas. Me lembro de quando a gente começou a ter televisão, adorava programas que ninguém mais gostava, como balé do domingo de manhã da Maria Pia Finócchio . Os concertos da juventude eram os meus favoritos. Sempre fui uma menininha, vivia trancada em casa, ajudando a minha mãe a criar os meus irmãos, não tinha muita liberdade. De vez em quando eu jogava futebol, mas eu sempre achei uma coisa tão boba que nunca dei bola. Na escola, sempre fui o primeiro aluno da classe.

Não sou drag queen, apesar de muita gente dizer que eu sou a avó delas. Também não sou crossdressing como o Laerte. Eu sou a Mamma"

iG: Você briga com a balança há algum tempo. O peso te incomoda ou é uma questão de saúde?
Mamma Bruschetta:   Graças a Deus a minha saúde é ótima. Me incomoda muito essa barriga. Tive que fazer toda uma adaptação com mangueiras e assentos para poder fazer minha higiene pessoal. Não quero ficar magra, mas um dos meus sonhos é tirar a barriga, poder me limpar sozinha e ver o que eu tenho aqui embaixo. Não consigo ver nada. Eu tinha perdido 40 quilos, estava quase chegando aos 150 para poder fazer a cirurgia de redução de estômago, mas minha irmã morreu e engordei tudo de novo.

iG: Como você vê a luta homossexual no Brasil?
Mamma Bruschetta:   Estamos em um ponto muito avançado. Mas faço algumas críticas. Por exemplo, quando teve a primeira Parada Gay, achei fantástica. A segunda achei mais ou menos e depois da terceira, já virou um comércio, montação e não tinha mais aquele ardor de defender os direitos dos gays. Tem muita gente bem intencionada, mas muito xiita no meio querendo fazer bagunça. Temos sim que lutar pelos nossos direitos, mas ninguém pode impor e obrigar ninguém a nada, muito menos a ser gay. Se cada um respeitar o seu padrão e ponto de vista, conviveremos muito bem. Não me envolvo muito com esses movimentos, principalmente porque não sou drag queen, apesar de muita gente dizer que eu sou a avó delas. Também não sou crossdressing como o (cartunista)  Laerte . Eu sou a Mamma. Mas torço para os que lutam colocarem ordem sim. Não sou xiita de achar as pessoas têm que seguir uma única coisa. Eu torço para o São Paulo, Corinthians e Palmeiras. Adoro cinema mudo, clássico e pornográfico. Adoro assistir uma sacanagem (riso).

iG: Já sofreu preconceito sendo a Mamma?
Mamma Bruschetta:   Já passei uma vez uma situação delicada sim. Em uma dessas matérias externas, alguém veio caçoar de mim. Era um rapaz que estava com um grupo de machinhos. Quando ele me chamou de viado, fui indo em direção dele. Confesso que o meu tamanho intimida, mas cheguei nele, e ao invés de bater boca, discutir, conversei  e ele me pediu desculpas. Hoje é um dos meus melhores amigos. Nunca tive grandes problemas, mas quando tive, sempre soube conversar, argumentar e entender. Ninguém nunca me fechou as portas porque eu sou a Mamma.

iG: O que ainda falta conquistar?
Mamma Bruschetta: Deus sabe onde quero chegar. Gostaria muito de ter um programa só meu e ter um salário ótimo. Não tenho o que reclamar, o que ganho dá para me sustentar, mas adoraria ganhar pelo menos cinco dígitos. Não sou uma pessoa gananciosa, mas sonho em fazer um papel grandioso no teatro e poder comprar minha casa própria.

Mamma Bruschetta se divertindo com os convidados nos bastidores do programa
André Giorgi/iG
Mamma Bruschetta se divertindo com os convidados nos bastidores do programa





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