Em cartaz com “A Falecida” no Rio, a atriz faz balanço sobre o casamento com a Record e comenta notícias sobre ida para Globo

“A Falecida” caiu nos braços de Bianca Rinaldi no timing perfeito. O refresco que o teatro traz - para imagem e para a mente - foi providencial para iniciar um novo momento de sua vida. Após quase 10 anos, Bianca deixou a Record no final de julho, quando chegou ao fim seu contrato com a emissora depois de uma negociação delicada e detalhada pela imprensa. Era preciso descansar, se renovar e aguardar os próximos passos com calma. “Eu estou, de certa forma, recomeçando, abrindo um novo leque e começando a explorar”, falou a atriz nos bastidores do espetáculo, em cartaz no Rio.

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Bianca não se arrepende de nada. Gostou do casamento que teve com a Record, mas acabou. Sobre os detalhes, ela se limita a falar que precisava de novos desafios. E discorda do que ouviu por aí, que sua forte imagem na emissora de Edir Macedo poderia travar uma futura contratação pela Globo. “Não concordo com isso. O Gabriel (Braga Nunes) está lá, (Marcelo) Serrado está lá, Louise D'Tuani está lá... Vários exemplos. Não existe isso.” E sobre o suposto convite do autor Aguinaldo Silva? “Olha, vou te falar que pela mídia eu estou um arraso. Eu já fui super mega hiper contratada”, diz, aos risos, antes de completar: “Ainda não existe nada. Quando eu tiver algo concreto, com certeza todo mundo vai saber.”

Para iniciar a nova fase, a batalha começou com “A Falecida”, peça que tem direção de Moacyr Góes e seu nome como produtora e protagonista feminina. Sem patrocínio, Bianca juntou profissionais “do bem, amigos”, interessados no texto de Nelson Rodrigues . O resultado é uma montagem redondinha, cheia de humor, malandragem e morbidez sem ser macabro. Zulmira, sua personagem, tem uma única obsessão na vida: sua morte.

A estreia da peça no Rio de Janeiro foi em 11 de julho, dia de paralisação geral no País e manifestações em toda a cidade. “Naquele dia a gente viu quem era amigo de verdade, quem enfrentou bala de borracha, gás de pimenta (risos)... Apesar dos protestos, nós estreamos muito bem”, relembrou Bianca. Mãe de Beatriz e Sofia , gêmeas de quatro anos, e mulher do empresário Eduardo Menga , com quem está junto há 12 anos, quando não está trabalhando, a atriz exerce o papel de dona de casa com orgulho: “Desde que me conheço por gente, a única certeza que sempre tive na vida é que queria ser mãe. E hoje eu sou mãe, sou esposa e adoro ser dona de casa, fazer feira com as meninas...”. Confira o bate-papo:

Pela mídia, eu estou um arraso. Já fui super mega hiper contratada. Mas ainda não existe nada”, diz sobre convite da Globo

iG: Sua personagem, a Zulmira, é obcecada pela morte. E você, tem medo?
Bianca Rinaldi: Morro de medo da morte. Não estou preparada, não. É difícil, ainda mais agora com filho. Eu não participo de velório, por exemplo. Faz parte da vida, mas para mim é dolorido. Se apareço no velório, não chego nem perto do caixão. Não é uma experiência boa para mim. Diferentemente dos orientais, aqui a gente chora muito a morte mais pelo vazio que ela provoca. Até você se acostumar com a perda... Envolve um pouco o egoísmo de querer a pessoa.

iG: Você estava afastada do teatro adulto desde 2007. Acha que o teatro ainda é o melhor lugar para o ator se reciclar?
Bianca Rinaldi: Qualquer veículo para mim é sagrado, porque o meu trabalho é sagrado. A gente tem um compromisso com o público e com o telespectador e eles querem o melhor. A gente, por outro lado, precisa fazer o melhor porque essa é nossa grande brincadeira séria. O teatro te dá a oportunidade de todo dia interpretar a mesma personagem e o mesmo texto, e se reciclar todo dia tendo o público presente, mas acredito que na TV consiga fazer isso também. É preciso buscar algo novo em cada personagem. O exercício de atuação é o mesmo. Não concordo quem se limita a um meio. Eu sou atriz. Ponto. Vou para o lugar que me proporciona bons personagens, independente do veículo. É isso que me alimenta.

iG: Você estará mesmo na próxima série do Aguinaldo Silva? O convite existiu?
Bianca Rinaldi: Olha, vou te falar que pela mídia eu estou um arraso (risos). Eu já fui super-mega-hiper-contratada, já fiz várias novelas, já passei pelo SBT e pela Globo... Eu estou muito famosa. Brincadeiras à parte, ainda não existe nada. Quando tiver algo concreto, com certeza todo mundo vai saber.

Bianca Rinaldi: 'A Record foi essencial na minha vida como eu acho que eu fui essencial para eles. Foi um casamento feliz'
Roberto Filho
Bianca Rinaldi: 'A Record foi essencial na minha vida como eu acho que eu fui essencial para eles. Foi um casamento feliz'

iG: Qual balanço você faz do período que passou na Record?
Bianca Rinaldi: A Record foi a primeira emissora que me deu oportunidade para poder mostrar meu trabalho. Comecei no SBT, mas “A Escrava Isaura”, que foi um grande marco na minha carreira e me abriu um caminho bom, foi na Record. A emissora apostou em mim no começo e crescemos juntos. Nós começamos a nova fase da Record lado a lado. Fui fazendo todos os trabalhos, um por ano, sempre trabalhos muito bons, consistentes, ricos... Eu só tenho a agradecer. Fui muito feliz lá, bem tratada, respeitada. Trabalhei com pessoas geniais e sinto saudade do dia a dia de trabalho porque todos são queridos e amados. A Record foi essencial na minha vida como eu acho que eu fui essencial para eles. Foi um casamento feliz nesses quase 10 anos de trabalho.

iG: Tem vontade de fazer cinema?
Bianca Rinaldi: Muita. Tem um curta que eu fiz chamado “Sinal”, que está agora no Festival de Cinema de Los Angeles. Adorei fazer, está lindo, foi muito legal. E tem outro filme que vou rodar agora no final deste ano, início de 2014, com o Leandro Hassum. Ainda não posso falar muito mais sobre o projeto.

iG: Gostaria de dirigir?
Bianca Rinaldi: Eu dirigir? Não... Sei lá, se eu estiver com os meus 60 anos eu talvez queira me atrever. Agora, não. Eu sou exibida, gosto de ficar na frente das câmeras (risos). Eu me divirto na frente mesmo. Eu gosto de poder chegar nas pessoas tanto pela televisão quanto pelo teatro. Gosto de mexer nas emoções, ver as carinhas de reflexão, ouvir o riso, os aplausos, os comentários.

Não concordo com isso. O Gabriel (Braga Nunes) está lá, (Marcelo) Serrado está lá. Vários exemplos’, diz sobre sua imagem forte na Record poder atrapalhar a ida à Globo

iG: Já consegue perceber uma veia artística em uma de suas filhas?
Bianca Rinal di: Acho que é tão cedo para falar isso... Elas ainda são pequenas. Mas eu estimulo muito, a escola também investe muito na arte, na criatividade. A gente brinca em casa, elas curtem muito teatro. Quando eu fiz o infantil “Meio Lá, Meio Cá”, elas interpretavam a peça para mim. Mas não sei se elas vão seguir carreira. Proibir eu não vou. Como proibir uma coisa que eu gosto? Mas se quer ir, vai fazer direito. De repente, coisas que eu não tive quando comecei, como instrução, que eu poderia ter tido mais. Elas vão começar melhor que eu, com certeza.

iG: Até agora, qual foi a fase mais difícil da missão mãe de gêmeas?
Bianca Rinaldi: Ter que acordar três vezes por noite para levá-las ao banheiro na fase de desfraldar. É duro. Eu tinha que colocar o relógio para despertar (risos).

iG: Antes de engravidar, você imaginou que fosse se tornar tão mãezona?
Bianca Rinaldi: Desde que me conheço por gente, a única certeza que sempre tive na vida é que queria ser mãe. É um sonho desde pequena. E hoje eu sou mãe, sou esposa, adoro ser dona de casa, fazer feira... Eu levo as meninas para o mercado comigo e elas me ajudam nas compras. Elas conhecem todas as verduras, frutas, legumes. Eu adoro, sou muito feliz.

Serviço:
"A Falecida"
Teatro Maison de France
Av. Pres. Antônio Carlos, 58 – Centro - Rio de Janeiro
Temporada até 13 de outubro
Quinta e sexta-feira, às 20h; sábado, às 21h; domingo, às 20h

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