Flor, jurada do SBT: "Se continuasse cantando, hoje seria a Beyoncé do Brasil"

Por Vinícius Ferreira , iG Gente |

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Após um intervalo de 16 anos, a apresentadora do “Programa do Silvio Santos” comemora a volta à emissora , diz que o patrão é bem mais alegre atualmente e relembra as dificuldades financeiras que enfrentou e que a fizeram praticar o método de passar 21 dias sem comer

Aos 48 anos, Flor comemora sua volta à televisão. Foto: André GiorgiFlor e seu megahair, exigência do Silvio Santos, que segundo ela, não gosta de mulher com cabelos curtos. Foto: André GiorgiAlém do SBT, Flor também comemora o contrato com o Grupo Record, onde irá apresentar um programa na afiliada Rede Mulher, no interior de São Paulo. Foto: André Giorgi: 'Me boicotaram na época do Show de Calouros, mas hoje eu até entendo, era o sonho de todo mundo aquele posto'. Foto: André GiorgiFlor e o amigo e padrinho profissional Jassa. Foto: André GiorgiFlor fez sua primeira aparição no 'Jogo das 3 pistas', no Programa do Silvio, mas só como uma participação especial. Foto: Divulgação/Arquivo PessoalPouco tempo depois, a apresentadora ganhou lugar fixo no 'Jogo dos Pontinhos', ao lado de Silvio Santos. Foto: Divulgação/Arquivo PessoalFlor ganhou o estrelato na bancada de jurados do 'Show de Calouros', no SBT, em 1992. Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal... e depois virou uma das apresentadora do programa após a saída de Silvio Santos. Foto: Divulgação/Arquivo PessoalAlém de jurada, Flor também era cantora, e lançou três discos, e com um deles ganhou o Disco de Ouro. Foto: Divulgação/Arquivo PessoalEntre outros trabalhos de Flor está a Bozolinda, do programa do Bozo. Foto: Divulgação/Arquivo PessoalE participações especiais como atriz, como na foto, ao lado de Jorge Fernando no filme 'Alma Corsária'. Foto: Divulgação/Arquivo PessoalFlor. Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal


Longe do SBT por 16 anos, Florina Fernandez, mais conhecida como Flor, voltou à emissora em 2011 bem diferente da jurada virgem e musa dos anos 1980, quando fez fama no “Show de Calouros”, apresentado por Silvio Santos. Ela brinca que só por Deus conseguiu uma segunda chance. “Chegou uma época na minha vida em que eu achei que nunca mais voltaria. O tempo passa e para mulher a televisão só é possível se você for magra, jovem e muito bonita. Agradeço por conseguir voltar com idade e gordinha.” E conta sobre sua saída repentina em 1996, quando era cotada para virar apresentadora da atração. “Muita gente colocou o Silvio na parede dizendo que se eu ficasse com o programa só para mim, sairia do júri. Me boicotaram na época, mas hoje eu até entendo, era o sonho de todo mundo aquele posto.”

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Quero trabalhar até a onde a plástica esticar”

Há dois anos Flor integra a bancada do “Jogo dos Pontinhos”, quadro do “Programa do Silvio Santos”, e dividir a cena com mulheres como Lívia Andrade e Helen Ganzarolli faz com que ela se cobre para estar em boa forma. “Quero fazer plástica no fim do ano e até lá vou fazer muita academia com um personal trainer. Se eu ficar malhada, vou pelada no programa do Silvio”, brinca ela, que garante que a mudança não é exigida por Silvio. Mas conta a preferência estética do patrão. “Ele não gosta é de mulher de cabelos curtos. Todo mundo ali teve que comprar um megahair, inclusive esse meu cabelo. Outra coisa com o que ele implica é a roupa. Se ele não gosta, ele mesmo vai lá escolher e manda você trocar.”

André Giorgi
Flor


Reencontro com Silvio 

A relação com o dono do SBT começou ainda na infância, aos 10 anos de idade. “Conheci o Silvio quando meu avô ganhou um carro do Baú, era uma criança. Voltar hoje, aos 48 anos, foi muito bom. Ele quem me fez ser a artista que sou.” E observa uma diferença ao longo desses anos de convívio. “Ele está muito diferente, mais alegre. Antes, ele tinha muitas responsabilidades, hoje já está se permitindo mais, não tem mais tanto peso. Ninguém tem noção de como é ser Silvio Santos. Aliás, a Patrícia (Abravanel) está sentindo na pele”, compara. Flor conta que pelos corredores da emissora sempre tem alguém pedindo algo para a filha e herdeira artística do apresentador. “Para você ter uma ideia, ela teve que sair do camarim comunitário e ir para um só dela para poder ser maquiada com tranquilidade.”

Beyoncé brasileira e microfone da Madonna

Silvio Santos está muito diferente, mais alegre. Antes, ele tinha muitas responsabilidades, hoje já está se permitindo mais, não tem mais tanto peso”

Com três álbuns lançados, um deles na Argentina, de lambada, com o qual ganhou o disco de ouro, Flor diz que não tem vontade de voltar a gravar. “Não cantei mais porque não quis. Fui a primeira cantora a ter o microfone igual ao da Madonna. Se tivesse continuado a cantar desde aquela época, hoje eu seria a Beyoncé do Brasil. Para você ter uma ideia, o Compadre Washington me pediu para imitar meus bailarinos no É o Tchan e daí que surgiram Carla Perez, Jacaré e Débora Brasil. Fui referência para todo mundo.” Flor contou ainda que foi cotada para ocupar o lugar de Paula Fernandes no atual cenário sertanejo. “Chrystian e Ralf me procuraram e queriam que eu voltasse. O mercado estava muito escasso de cantoras românticas. Eu não quis, sou alegre, não dá para cantar música romântica. Acabei dando o lugar para outra e veio a Paula Fernandes, que está arrasando.”

Divulgação/Arquivo Pessoal
Flor no auge de sua carreira


“Cheguei a passar fome”

Longe do grande público e fazendo alguns bicos em emissoras no interior, Flor diz que passou necessidades. “Teve uma época muito difícil na minha vida. Minha mãe ficou muito doente e eu, desempregada, não conseguia vender nada do que eu tinha. Estava dando casa e carro a preço de banana e ninguém queria, isso foi em 2000. Cheguei a passar fome. Gastei tudo com a saúde da minha mãe. A única coisa que o ser humano tem o direito de ter na vida é um prato de comida na mesa, e eu não tinha. Foi horrível.” A realidade agora é outra. “No interior a vida é melhor, você ganha mais, então não quero sair de lá. Hoje estou no SBT e na Rede Mulher, filiada da Record de Limeira (SP). Ganho mais na Record do que no SBT. Quero trabalhar até a onde a plástica esticar.”

21 dias sem comer

Chrystian e Ralf me procuraram e queriam que eu voltasse. O mercado estava muito escasso de cantoras românticas. Eu não quis, sou alegre, não dá para cantar musica romântica. Acabei dando o lugar para outra e veio a Paula Fernandes”

Após o período difícil, a jurada percebeu que se vitimizava em relação à vida e à carreira. “Sou de uma família com separação litigiosa e agressão, tive uma vida complica e era sempre a coitadinha. Então, prometi a mim mesma que se eu conseguisse viver de luz, eu mudaria”. A decisão foi tomada depois de assistir a uma entrevista com um médico que defende o processo. “Viver de luz não é para emagrecer e nem ficar mais jovem, é para se autoconhecer. São 21 dias. Sete, no deserto, onde você não come e não bebe nada, e tem ficar reclusa, sem fazer nada que desgaste a sua mente, nem mesmo assistir à televisão. É você e Deus. Os outros 14, são à base de água e sucos de frutas. Depois, volta à rotina normal”, explicou ela, que no dia da entrevista ao iG estava passando pelo processo pela terceira vez. “Acho que quando terminar só vou comer uma vez por dia. Se você consegue ficar esses 21 dias sem comer, você não precisa mais da comida para sobreviver.” O sacrifício parece estar valendo a pena. 

Agradecimento:

Salão Jassa
 R. Henrique Martins, 631 - Sâo Paulo - SP

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