Aos 78 anos e 50 de carreira, a intérprete de Tamara, na novela "Amor à Vida", fala sobre a profissão, família e revela desejo de apresentar o "Saia Justa". "Só porque não fumo maconha e não sou vovó que faz tricô como a Rita Lee acham que não sou interessante"


Rosamaria Murtinho
TV Globo/ Divulgação
Rosamaria Murtinho

Aos 78 anos, Rosamaria Murtinho é uma das mais renomadas atrizes da televisão brasileira. Foram mais de 40 novelas e filmes em mais de 50 anos de carreira. Atualmente, vive a perversa Tamara, na novela "Amor à Vida". Contracenando com jovens atores, como Bárbara Paz e Mateus Solano , filha e genro na trama de Walcyr Carrasco , ela revela que sua personagem deverá ganhar mais espaço na história. "Ainda tem cena que entro muda e saio calada, mas daqui a pouco terei uma cena boa.O Walcyr é fantástico, não esquece do ator, ele respeita cada personagem", elogiou, em entrevista ao iG . Vaidosa, lamentou em tom bem humorado não ter "dado uma recauchutada" para interepretar a vilã. "Se soubesse que isso (plástica) seria tão abordado nas cenas, teria feito um lifting facial, dado uma puxadinha de leve na cara", brincou, aos risos, admitindo já ter feito plástica.

Casada há 54 anos com o ator Mauro Mendonça , com quem tem três filhos - Mauro Mendonça Filho , diretor da TV Globo, Rodrigo Mendonça , ator, e João Paulo Medonça , produtor musical -, a atriz conta que a relação sofreu um desgaste. "Nos separamos para dar um tempo e voltamos melhor. Agora, com mais idade, a gente fala com mais jeito, sem querer ofender. Quando a gente é moça, é mais destemperada". Tanta história na vida real e na ficção, garante ela, poderia render bons papos no programa "Saia Justa", do canal "GNT". "Só porque sou careta, não fumo maconha e não sou vovó que faz tricô como a Rita Lee , que vai vestida de pijama apresentar, não quer dizer que não sou interessante". 

Confira a seguir a entrevista.

iG: A Tamara é má com a filha, interesseira. Está gostando do papel?
Rosamaria Murtinho:  Estou adorando. No dia do último capítulo de "Gabriela", o  Walcyr Carrasco veio ao meu lado e me disse: 'Tenho um papel para você na minha próxima novela'. Por isso, fiquei reservada na TV Globo para esse papel. A Tamara é toda simpática na frente de todo mundo, mas com a filha ele é autoritária, um tipo de mulher que quer se dar bem, quer ficar rica sem ser com o próprio trabalho. Muito diferente de mim porque sempre trabalhei, sempre ganhei o meu dinheiro. Ainda tem cena que entro muda e saio calada, mas daqui a pouco terei uma cena boa. O Walcyr é fantastico, não esquece do ator. Divirto-me muito quando o Félix (interpretado por Mateus Solano) fazer paidinhas por causa das plásticas que faz. Se soubesse que isso seria tão abordado nas cenas, teria feito um lifiting facial, dado uma puxadinha de leve na cara (risos). 

Fiz plástica há muitos anos, agora mantenho com preenchimento, faço peeling, aquilo que meu dinheiro permite. Mas como sou um rosto conhecido, não posso mudar muito. E nem quero ficar toda repuxada. Sou uma mulher que tem idade para ter ruga."

iG: Você já fez plástica?
Rosamaria Murtinho: Fiz plástica há muitos anos, agora mantenho com preenchimento, menos na área da testa. Faço peeling, aquilo que meu dinheiro permite. Mas como sou um rosto conhecido, não posso mudar muito. E nem quero ficar toda repuxada. Sou uma mulher que tem idade para ter ruga. As pessoas geralmente falam: 'Nossa, como a Rosamaria está bem'. Você acha? (pergunta à repórter). Eu sou magra, tenho um bom porte, as roupas caem bem e isso ajuda. E pensar que, quando era mais nova, botava Coca-cola no rosto e ia torrar na praia. Agora não saio sem protetor solar. Mas esse HD (high definition) é cruel, entrega tudo. Uma coisa boa é que nós, atores mais velhos, temos um tratamento diferente, com iluminação especial em cena. A falta de uma boa iluminação te derruba na televisão. 

iG: Acredita que falta trabalho para os atores mais velhos? 
Rosamaria Murtinho: Não faltam bons trabalhos para a Fernanda Montenegro , a Laura Cardoso , elas são incríveis. Mas vejo um processo mundial: é dificil escrever um papel para atores mais velhos. Queria falar para o Manoel Carlos: 'Faça uma Helena mais velha na próxima novela'. Atriz velha como eu nunca sabe quando vai ter um papel bom. Eu, Nicete (Bruno), Glória (Menezes), a gente fica meio sem saber qual papel vem por aí. Gostaria de fazer um papel de cabelo branco, sem maquiagem, como a Vera Holtz . Ela é maravilhosa.

Rosamaria Murtinho como Magda em
TV Globo/ Divulgação
Rosamaria Murtinho como Magda em "O Astro"

iG: Mas você está sempre na TV, sempre trabalhando...
Rosamaria Murtinho: Ah, não posso reclamar. Com a minha idade, o Silvio de Abreu dizer: "Espero por você o tempo que precisar porque quero você na persoangem Magda, em 'O Astro'" é demais. A minha vaidade é por aí, me sinto prestigiada. Mas, na minha idade, a gente não estrela mais novela. A gente tem que entender e pensar que não existe papel pequeno, existe atriz pequena. Na novela "O Beijo do Vampiro" (2002), o Thiago Lacerda  (35) e a Flávia Alessandra  (39) fizeram os pais do  Kayky Brito (25) coisa impensável na vida real porque a diferença de idade não bate. Não acredito que ainda estou trabalhando. As mães são mais jovens, as avós também. Por outro lado, acho sempre vai haver trabalho para quem é bom no que faz.

iG: Algumas atrizes mais velhas dizem não ter paciência para ensinar os iniciantes. Você se incomoda?
Rosamaria Murtinho:  Eu ensino o que posso quando a pessoa me pergunta. Quando eu fazia "Malhação", havia críticas às mocinhas, e a Fernanda Vasconcellos ficou preocupada e veio perguntar o que eu achava. Eu disse: "Fernanda, fica tranquila, essa crítica não é para você. Você tem talento, tem futuro nessa casa, é séria no trabalho, não se preocupe". Vinte anos depois, veja que belíssima atriz que ela é. Esse Mateus Solano, meu Deus! Eu babo. 

iG: Seu filho, o diretor Mauro Mendonça Filho, está te dirigindo novamente. Como é ser mãe do diretor?
Rosamaria Murtinho: Ele já me dirigiu em "Memorial de Maria Moura", em "O Astro" e agora. Ele é o diretor-geral da novela. Em casa, sou a mãe dele, mas lá no estúdio ele é quem manda. Não quero tirar nenhuma vantagem por ser a mãe do diretor para não me constranger. Sempre dou palpite, ele aceita ou não aceita. Tenho 50 anos de profissão, experiência que ele não tem de idade, mas sei o meu lugar.

iG: Quando ele falou que queria trabalhar na TV, você aprovou?
Rosamaria Murtinho:  Claro. Vendo os pais vitoriosos, seguir os passos deles vira uma coisa natural, como existem famílias de circo, de advogados, de médicos. O Maurinho veio e me disse que queria trabalhar como diretor, aí fui lá dentro (da Globo) e perguntei se tinha alguma vaga de estágio para editor e ele foi aceito. O Rodrigo também fez a escolinha da Globo como ator e foi chamado. Tenho outro filho, o João Paulo, que é produtor musical na Globo.

Já nos separamos para dar um tempo, e voltamos melhor. Agora, com mais idade, a gente fala com mais jeito, sem querer ofender. Quando a gente é moça, é mais destemperada"

iG: Como é trabalhar com o marido também?
Rosamaria Murtinho: Minha carreira é separada da carreira do Mauro, uma vez só fizemos par. Nunca precisaram pensar: "Ah, escalou Mauro Mendonça tem que escalar a Rosinha". A gente faz tudo separadamente. Somos independentes financeiramente desde que nos casamos. Eu tenho meu dinheiro, ele, o dele, e nós temos para a nossa casa. Acho que isso é o segredo. Já nos separamos para dar um tempo, e voltamos melhor. Agora, com mais idade, a gente fala com mais jeito, sem querer ofender. Quando a gente é moça, é mais destemperada.

iG: Por que se separaram?
Rosamaria Murtinho: Passamos uns oito anos separados, cada um em uma casa. Não vou dizer o motivo da separação nem da reconciliação, e uma coisa só nossa. Mas estamos bem. 

Rosamaria e Mauro Mendonça
AgNews
Rosamaria e Mauro Mendonça

iG: Já teve que lidar com o assédio das mulheres, é ciumenta?
Rosamaria Murtinho: Já fui muito ciumenta, agora não mais. O Mauro também. A gente era uma loucura, eu de Áries e ele de Escorpião, imagina a faísca.

Ontem, cheguei correndo para gravar, não deu tempo de pedir comida e a cabeleireira do Projac disse: "Quer meu feijão? Eu comi a comida dela. E adorei. Mas a amizade no meio é assim: ficamos muito próximos no período de gravações, depois que acaba um trabalho, as pessoas acabam se afastando naturalmente"

iG: Conseguiu fazer amigos no meio artístico?
Rosamaria Murtinho: Ah, só colegas né? Quando estou trabalhando fico mais próxima, mas depois acabo sempre com as minhas amigas do tempo de colégio. Estou amando contracenar com a Bárbara Paz. Ela me chama de mãezoca, tem considereção por mim e eu por ela. Me dá a mão, é muito carinhosa, manda mensagem de celular. Nessa novela conheci pessoas muito leais, camareiras e cabeleireiros divertidos. Ontem, cheguei correndo para gravar, não deu tempo de pedir comida e a cabeleireira do Projac disse: "Quer meu feijão? Eu comi a comida dela. E adorei. Mas a amizade no meio é assim: ficamos muito próximos no período de gravações, depois que acaba um trabalho, as pessoas acabam se afastando naturalmente. 

iG: Que balanço faz da carreira?
Rosamaria Murtinho: Sou da época do "ao vivo". Uma vez em cena mandei "adoçar o açúcar" e como era ao vivo, não tinha como consertar, todos começaram a rir, foi ridículo (risos). No entanto, acho que lidei bem com a transição tecnológica, com os avanços. Me considero uma atriz do século XXI, uma artista dos anos 2000. Não me considero antiga. Se todo dia eu aprender uma coisa, estou feliz. Nessa altura da vida, eu gostaria de inovar, sabe? São 50 anos de carreira, mais de 50 de casada... tenho muita história. Adoraria apresentar o "Saia Justa", mas nunca me chamaram. Só porque sou careta, não fumo maconha e não sou vovó que faz tricô como a Rita Lee, que vai vestida de pijama apresentar, não quer dizer que não sou interessante.


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