O polêmico apresentador está de volta aos palcos e à TV brasileira. Acusado de promover a baixaria com o “Teste de Fidelidade”, ele afirma que o quadro é uma bobagem comparado com o que se vê hoje

Depois de uma temporada morando em Portugal, o apresentador João Kleber está de volta ao Brasil e de forma dupla: no teatro e na TV. Nos palcos, ele comanda o espetáculo "João Kléber, Entre a Pizza e o Motel". Na TV, ele acaba de assinar por dois anos com a RedeTV!, onde comandará uma atração diária, matutina. Além disso, fará parte da cobertura de carnaval da RedeTV! e pode ganhar um programa aos domingos.

Em comunciado enviado pela emissora, ele promete fazer uma "participação polêmica" em que todos "terão uma grande surpresa". Conhecido do grande público pelas pegadinhas e pelo  quadro “Teste de Fidelidade”, em que a pedido do cônjuge, o participante era testado em rede nacional por sua lealdade, ele diz que foi vítima de censura, quando o Ministério Público determinou que a RedeTV! ficasse fora do ar devido à exibição de seu programa.

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Quanto a sua volta, ele afirma que veio para vencer e que não tem vergonha de assumir que faz programa popular, ao contrário de outros apresentadores. Com um tom muito mais sereno do que aquele visto na TV, ele recebeu o iG para uma entrevista e defendeu que vale tudo quando o assunto é entretenimento. E mais: "Gente traíra e mau caráter, como muitos que já conheci, não têm vez comigo". Leia o bate-papo:

iG: Como será esta volta a TV?
João Kléber: Não tenho nada definido, mas eu volto para vencer, não importa o horário. E vou fazer algo diferente. Pode ser até que eu volte com o “Teste de Fidelidade”, não posso dizer que desta água não beberei, mas teria que pensar bem e nem poderia ser daquela forma, até pela tecnologia. Hoje tem Twitter, Facebook, tenho que usar isso.

iG: Como será o seu carnaval?
João Kléber: Eu não gosto de carnaval, sabia? Fui só três vezes na minha vida, até por convites. Agora, se for para trabalhar, estarei lá.

Eu faço programa para o povo, não faço para mim, pros meus amigos. Eu não tenho vergonha de fazer programa popular. Agora, há vários que fazem, mas tem vergonha de dizer. Tentam dar uma maquiada, mas na hora é a mesma coisa”

iG: O que o “Teste de Fidelidade” representou para você, pra sua carreira?
João Kléber: O “Teste de Fidelidade” para mim é um grande sucesso. Passa em mais de 19 países, líder de audiência. Falavam que eu era apelativo. Mas eu competia com o "Jornal da Globo" e Jô Soares e o público deles era o meu. Eu ganhava deles, tirava a audiência. Hoje o “Teste de Fidelidade” passaria na igreja perto do que se passa na TV. Era uma bobagem, algo normal. Era uma satisfação ganhar da Globo e de um cara que eu respeito muito, o Jô Soares. E você acha que o operário, trabalhador, conseguia ver meu programa a uma da manhã? Eles estão dormindo, trabalhando. Eram as classes B e C que me assistiam. Mas nunca assumiram que era o mesmo público. Eu sofri muito preconceito do mercado publicitário, mas hoje eu não sofreria.

RELEMBRE O "TESTE DE FIDELIDADE"

iG: Por que não?
João Kléber: Quem não anunciaria no meu programa, com a importância da classe C hoje? O anunciante tinha um preço bem menor que o da Globo, e com uma audiência maior! Mas não ia na RedeTV!. Eu faço programa para o povo, não faço para mim, para meus amigos. Eu não tenho vergonha de fazer programa popular. Agora, há vários que fazem, mas tem vergonha de dizer. Tentam dar uma maquiada, mas na hora é a mesma coisa.

João Kléber e o ator do 'Teste de Fidelidade', Marcos Oliver
Divulgação
João Kléber e o ator do 'Teste de Fidelidade', Marcos Oliver

iG: Tem alguém que você poderia citar que faz isso?
João Kléber: Tem vários, mas não vou dizer nomes. Não vou faltar com ética. Não vou fazer o mesmo que fizeram comigo. Dedo duro e falta de ética, eu não perdôo.

iG: Foi o que aconteceu com a Claudete Troiano, por exemplo? (Na época em que o apresentador comandava o “Tarde Quente” - programa vespertino com pegadinhas -, Claudete, concorrente dele no horário, falou que tudo era armação.)
João Kléber : Foi. E tanto foi, que depois de um tempo, quando voltei de Portugal, ela me encontrou e pediu desculpas. Eu tinha respeito por ela, achei bacana a atitude e ficou tudo bem. Talvez ela tenha falado tudo aquilo por pressão do momento e eu também não levo desaforo para casa e respondi. Até porque, nunca tinha visto nada igual aquilo, alguém fazer isto com outro na TV. É falta de ética. Mas o meu programa continuou com sucesso e o dela não teve tanto êxito. As pessoas subestimam o público. Porque se o povo tivesse achado que o que ela estava falando era verdade, eu não teria continuado.

Uma pessoa se suicidando, com revólver na cabeça, eu não faço. Mas o que for entretenimento, eu faço, não tem limite. Eu quero vencer e não tenho medo da concorrência”


iG: Qual o limite para ter audiência?
João Kléber: Eu sou um cara competitivo, não gosto de perder. Eu estava em primeiro lugar, dava pico de 18 pontos no Ibope e chegava para minha produção dizendo que na outra semana tinha que ser mais. Falava que era pouco e todos me achavam maluco. Como alguém que ganha da Globo, acha que ainda é pouco? Gosto sempre de me superar. Eu tenho a filosofia americana, européia de trabalhar e competir. Isso é Show Business, é negócio, tem que dar audiência. Agora, quando eu voltar para TV, é para ganhar, pode ter certeza. Não sei como, mas vou ganhar, não importa o horário. O que eu fazia era normal, tranquilo perto do que se passa hoje. O problema com o “Teste de Fidelidade é que a traição é algo polêmico. Do rico ao pobre, todo mundo trai. Uma pessoa se suicidando, com revólver na cabeça, eu não faço. Mas o que for entretenimento, eu faço, não tem limite. Eu quero vencer e não tenho medo da concorrência. 

João Kleber
André Giorgi
João Kleber


iG: E, afinal, o “Teste de Fidelidade” e as pegadinhas eram armação?
João Kléber: Uma vez o Danilo Gentili me perguntou isso e eu disse: se eu falar que não, vão dizer que é. Se falar que é, vão falar que não. Então prefiro deixar na incógnita, pensem o que quiser.

REVEJA ALGUMAS PEGADINHAS DE JOÃO KLÉBER, ACUSADAS DE SEREM ARMAÇÃO

iG: Mas no próprio programa do Danilo Gentili, uma das atrizes do “Teste de Fidelidade” disse que era tudo armação...
João Kleber: Que ela prove! Ela fez apenas algumas vezes o “Teste de Fidelidade”. É bonito o que ela fez? É bom para ela? Para imagem dela, que trabalhou na TV... Você acha que alguém a contrata? Credibilidade zero. É fácil ficar na notoriedade por um instante, mas se você chegar na rua, ninguém vai saber quem é ela. Agora, todo mundo sabe quem é o Oliver (ator que durante anos fez o "Teste de Fidelidade"), a Patricia Limonge , que foi a primeira atriz (e que hoje trabalha com Luciana Gimenez ).

iG: Afinal, você acabou sendo vítima do teste de fidelidade? É verdade que sua ex-mulher, Vânia Toledo, saiu com um dos atores do quadro?
João Kléber: Eu já estava separado da minha ex-mulher por mais de seis meses quando isso aconteceu. Ela encontrou com este ator, começaram a sair e ficaram. Mas já estávamos separados. Eu tenho uma boa relação com ela até hoje.

Era uma satisfação ganhar da Globo. E você acha que o operário, trabalhador, conseguia ver meu programa a uma da manhã? Eles estão dormindo, trabalhando. Era a classe B que me assistia”

iG : Você já foi traído?
João Kléber: Que eu saiba não! Mas com certeza, sim, já fui traído. Com 50 anos de idade, é praticamente impossível.

iG: E já traiu?
João Kléber: Em relação séria, nunca, acredita? Namorico sim, já traí. E não consigo administrar uma esposa e uma amante. Eu acho até que a mulher trai mais, porque o homem trai, mas não sabe disfarçar, dá mais bandeira.

iG: Na sua época de RedeTV! você colecionou polêmicas e uma de suas pegadinhas teria levado a emissora a ficar um dia fora do ar, por ordem da Justiça. Você acha que sofreu censura?
João Kléber: Eu acho que sim. O alvo da denúncia não era o “Teste de Fidelidade” e sim o programa que eu apresentava à tarde. Aí, pegaram junto o quadro. No processo, diz que a atração só poderia testar homem e não mulher. Olha que absurdo! Eles entraram com o mandato no dia 14 de novembro, à noite, véspera de feriado, mandando tirar a programação do ar. Você acha que ia ter alguém na RedeTV! para defender? E outra: quando uma emissora na TV brasileira ficou fora do ar como desta vez? Até na época da ditadura, eu não conheço. Se o objetivo deles era tirar um programa de sucesso do ar, conseguiram. Mas eu continuei. Sucesso em Portugal e até hoje as pessoas me param para falar do "Teste de Fidelidade".

João Kleber
André Giorgi
João Kleber


iG : Por que resolveu voltar aos palcos?
João Kléber: Quando eu voltei ao Brasil, as pessoas me cobravam duas coisas: TV e teatro. Desde 2001 eu não fazia teatro. Já fui dirigido pelo Chico Anysio , fiquei 10 anos em cartaz com o espetáculo. Aí um dia fui ver um pessoal jovem, fazendo stand-up e gostei. Mas queria fazer um show de humor, com direção, iluminação e tudo mais. Me convidaram para participar do espetáculo e aceitei, mas com mais produção. É uma crítica sócio-política. Voltei às minhas origens, como na época em que escrevi para a Globo. Quem me via fazendo só o “Teste de Fidelidade”, leva um susto com o espetáculo nessa linha. Eu sou tipo profissional, que visto a camisa do que eu tenho que fazer. Meu objetivo é fazer a pessoa rir do começo ao fim.

Eu faço programa para o povo, não faço para mim, pros meus amigos. Eu não tenho vergonha de fazer programa popular. Agora, há vários que fazem, mas tem vergonha de dizer. Tentam dar uma maquiada, mas na hora é a mesma coisa”

iG: O espetáculo se chama “João Kleber: Entre a pizza e o motel”. O que você prefere: teatro, a pizza ou o motel?
João Kléber: Os três. Quando morei na Itália, eu queria comer pizza todo dia. Apesar de achar a daqui melhor. E eu adoro humor, adoro o teatro, aprendi a amar vendo o Chico, vendo espetáculos de monólogo. Peguei gosto mesmo quando vi a Fernanda Montenegro,  nos anos 70. E eu gosto de motel. Mas prefiro a minha casa...

iG: O que você acha da moda do stand-up comedy aqui no Brasil? Desta turma, de quem você gosta e de quem não gosta?
João Kléber: Para ser humor tem que fazer rir. Se o cara é bom, maravilha. Mas meu perfil não é de stand-up. Eu gosto muito do Daniel Gentilli...Desculpa, Danilo Gentili ... Acho ele excelente. Ele tem um talento fenomenal. Ele poderia aproveitar mais, se fosse bem dirigido no teatro. Poderia ser melhor ainda. Quanto a não gostar, prefiro não falar. 

iG: Como foi apresentar o programa do Chacrinha durante um tempo?
João Kléber : Eu era bem jovem, tinha 27 anos. Recebi um telefonema do Boni  me chamando pra conversar junto com o Leleco, filho do Chacrinha . Ele disse que o Chacrinha estava mal, doente, que queriam uma pessoa que ajudasse na apresentação e que pensaram em mim. O Boni foi direto: "Quer, quer! Se não quer, diz logo". Eu disse que sim, óbvio. Eu fui à casa do Seu Abelardo, eu sempre chamava o Chacrinha assim, e ele me recebeu muito bem. Era sério, perfeccionista, sabia tudo o que queria. O programa tinha um ritmo alucinante, foi um grande desafio, três horas de duração com a platéia gritando sem parar. Quando eu entrei, falei: 'Meu Deus, o que estou fazendo aqui? Que locura'. Digo que sou privilegiado. No teatro, fui dirigido pelo Chico Anysio. Como apresentador, dividi o palco com Chacrinha e depois fui dirigido pelo Daniel Filho e Boni. 

iG: Por que você saiu da Globo? Teve alguma briga?
João Kléber:
Saí em 93. Tinha acabado de fazer dois especiais de sucesso e estava com um quadro no 'Fantástico'. Quando acabou, me ofereceram um programa, mas não gostei da ideia. Pensou-se na época em eu fazer parte do "TV Pirata”, mas eu era pupilo do Chico Anysio e ele não gostava do pessoal que dizia fazer um "humor moderno". Pra ele, não tinha esta separação. Humor é humor. Não é que eu era da turma do Chico, mas tinha um clima. Fiquei um ano contratado da emissora sem fazer nada. Aí, fiz um acordo, e acabei saindo, tudo sem briga, numa boa. O Chico falou pra mim fazer teatro e fui fazer. Foi o melhor conselho que recebi na vida. 

Quando eu voltar para TV, é pra ganhar, pode ter certeza. Não sei como, mas vou ganhar, não importa o horário”

iG: E como o João Kleber, que teve um programa próprio na Globo, foi parar no reality show “A Fazenda”? 
João Kléber : Eu já estava na Record Internacional, fazendo muito sucesso em diversos lugares e em Portugal também. Aí me ligaram fazendo o convite e até achei estranho no primeiro momento. Mas acabei aceitando e foi um verdadeiro sucesso. Depois que meu contrato acabou com o programa, voltei para Portugal, como eu já pretendia.

João Kleber
André Giorgi
João Kleber


iG: Gostou da experiência?
João Kléber:
Eu não voltaria a fazer. Mas foi legal. Não tive nenhum tipo de problema. No começo um pouco com a Renata Banhara , mas ela foi uma vítima da circunstância. Quem brigava mesmo era entre a Ana Markun e o Gui Pádua , a gente nem conseguia dormir, o pau comia o dia inteiro. Algumas coisas eram engraçadas: tinha mulher que bebia demais, outras que não tomavam banho. Tinham aquelas que ficam embaixo do chuveiro o tempo todo para mostrar o corpo. Mas a pior de todas, que não vou falar o nome, era uma que jogava sempre o absorvente na privada e deixava tudo sujo. Eu pensava, 'Meu Deus, onde estou?'. Mas as pessoas me viam ali e pensavam só no cara do “Teste de Fidelidade”, esqueciam toda minha bagagem cultural. Foi bom: tomaram um choque ao verem este João Kleber.

João Kleber em 'A Fazenda'
Reprodução
João Kleber em 'A Fazenda'

iG: E o seu affair com a Joana Machado?
João Kléber Ela foi um pessoa maravilhosa, se tornou minha amiga, até conheço o namorado dela. Mas não rolou nada.

iG: Do programa, quem se tornou seu amigo e quem você não quer encontrar nunca mais?
João Kléber:
O Marlon é meu grande amigo de lá. Mas gosto da Joana também. Os outros, eu não sairia para jantar. 

Que eu saiba não! Mas com certeza, sim, já fui traído. Com 50 anos de idade, é praticamente impossível. Mas eu já estava separado da minha ex-mulher quando ela encontrou com este ator (do Teste de Fidelidade) e eles ficaram”

iG: Você tem algum arrependimento? Acha que exagerou em algum momento?
João Kléber : Não, arrependimento eu não tenho de nada. Mas podemos fazer algumas reformulações sempre. Tentar melhorar. As pegadinhas, por exemplo, eram uma bobagem! O politicamente correto está acabando com o Brasil, está ficando uma coisa chata. Vieram falar de mensagens homofóbicas. Eu tenho vários amigos gays. Na RedeTV!, a minha produção é a que mais tinha gays. Eu fiz um "Teste de Fidelidade" com homossexual. Eu tinha um personagem, a Charlotte Pink, que era uma drag queen. Depois fui acusado de ser contra idosos. Um dia vou ser contra gordo, contra pessoas com barba. Uma coisa é ofender uma pessoa ou descriminar pela raça. A piada do Danilo Gentili sobre os judeus, por exemplo, foi ruim, ali ele exagerou, tanto que pediu desculpas. Isso foi maravilhoso dele, ele reconheceu.

iG: Diferentemente do Rafinha Bastos no caso da Wanessa, por exemplo?
João Kléber : Eu não falo sobre esse cara. Eu não comento sobre este cara. Gera muita polêmica. Não falo!

iG Gente: Entre tantas polêmicas, como você se define?
João Kléber : Sou uma pessoa exigente, determinada, competitivo, mas sou amigo dos meus amigos. Eu tenho uma postura com uma pessoa do jeito que ela tem comigo. Eu amadureci muito na minha época de Europa. Aprendi a ouvir mais do que falar. Isso me ajudou muito. Hoje ouço mais e falo menos, mas sempre agindo com personalidade. Eu não me acho uma pessoa engraçada, mas sim brincalhona, tenho várias sacadas. Perco a piada, mas não perco o amigo. Eu sempre fui muito frontal e hoje já não sou. A idade ensina, aí a gente já não faz tantas idiotices. O caminho mais próximo do êxito é o diálogo.

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