Em depoimento emocionado ao "Fantástico", atriz contou sobre a relação conturbada com o pai, o sofrimento com o câncer enfrentado pela mãe e ainda comentou seus papéis mais importantes na TV

Lília Cabral:
Divulgação/TV Globo
Lília Cabral: "Queria ser como a Fernanda Montenegro, mas sei que nunca serei"

Lília Cabral deu um depoimento emocionado ao quadro "O Que Vi da Vida", exibido no "Fantástico" neste domingo (28). Filha única, a atriz revelou que aos 16 anos teve um rompimento com o pai e que mais tarde sofreu com a morte da mãe, que morreu de câncer. 

Além das lembranças tristes de infância, a intérprete de Griselda na novela "Fina Estampa" comentou o sucesso de suas personagens, e citou os papéis que considera mais importantes em sua carreira. 

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No início do quadro, com a voz embargada e segurando as lágrimas, Lilia relembrou a dureza que passou quando era pequena. "Da Lilia menina, eu lembro das dificuldades da minha família. Meu pai veio (da Itália) praticamente fugido da guerra. E o fato de ser filha única e solitária, me trouxe um anseio por sobrevivência, que está sempre presente em tudo o que faço", disse Lilia. 

Confira trechos do depoimento: 

Rompimento com o pai e câncer da mãe 

"Quando vim para o Rio, aos 16 anos, tive um rompimento com meu pai. Peguei a mochila e vim. Ele odiou e disse que se eu continuasse nessa vida, cheia de exposição, com notícias na imprensa sobre quem eu estava namorando, que eu nunca mais entraria em casa. Aí veio a notícia de que minha mãe estava com câncer. Quando voltei pra São Paulo, inventamos um monte de coisas para ela. Se contássemos a verdade, eu sabia que ela morreria no dia seguinte". 

A despedida da mãe

"Quando consegui meu primeiro contrato com a Globo, peguei um avião pra São Paulo e disse para minha mãe que agora ela poderia respirar tranquila. Aí ela morreu. Acho que ela estava esperando essa notícia para poder ir embora". 

Sobre a fé 

"As pessoas que têm fé estão sempre estimuladas a fazer alguma coisa. É o movimento que faz você andar para frente. Você anda, reconhece o seu espaço e acredita que pode conquistar, caminhar para frente. Eu gosto de rezar, acho bonito agradecer. Religião não é pedir, é agradecer". 

Lília:
Divulgação/TV Globo
Lília: "Cheguei a pensar que nunca teria uma filha"


Carreira na TV e papéis importantes 

"Os diretores que me deram oportunidade sabiam que o personagem não era necessariamente a protagonista. Em `A Favorita`, eu achava o meu papel o mais bonito, embora não fosse protagonista. Ela apanhava do marido. Tive bons papéis, alguns muito bons, como a Marta de 'Páginas da Vida' e a Teresa de `Viver a Vida`, ambos do Maneco ( Manoel Carlos ). Adorava a imitação do 'Casseta e Planeta`, com os peitos enormes". 

O personagem mais difícil 

"O mais difícil foi compor a Griselda, que era uma mulher do povo. Se me dessem um personagem com muito glamour, ia fazer o possível para entrar nele, mas eu não tenho vontade de aplicar botox ou fazer esses procedimentos. Enquanto puder me conservar com alimentação, malhação - que eu odeio, mas é necessário -, vou levar a vida assim. Inclusive acho que aumenta minhas chances de fazer bons trabalhos". 

Fernanda Montenegro 

"Eu queria ser como a Fernanda Montenegro , mas sei que não serei. Digo pra minha filha: `Você não pode pensar em ser melhor do que alguém. Você tem que pensar em ser o melhor. Se você fizer isso, provavelmente será um dos melhores, estará entre eles". 

"O Que Vi da Vida" 

"Principalmente, vi minha filha. Cheguei a pensar que nunca teria uma filha. Quando conheci Iwan (Figueiredo, seu marido) achei que poderia acontecer. Eu posso dizer que vi o que significa ter uma vida. Você ser mulher é isso, ter um filho". 

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