Protagonista pela primeira vez em “Salve Jorge”, atriz tem o desafio de suceder o sucesso de Nina e Carminha em “Avenida Brasil”

Nanda Costa caracterizada como Morena, durante as gravações de
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Nanda Costa caracterizada como Morena, durante as gravações de "Salve Jorge", na Capadócia, na Turquia

Nanda Costa ainda dormia, quando seu telefone tocou por volta das 10h da manhã daquele sábado. Do outro lado da linha, a autora Glória Perez com a notícia de que ela estaria na sua próxima novela. “Estava sonolenta e, por alguns instantes, achei que fosse trote”, relembra a atriz, rindo.

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A suspeita ocorreu porque, até então, ela estava escalada para “ Cheias de Charme ”. Mas a dúvida logo desapareceu. “A Denise ( Saraceni , diretora da última novela das 19h) me ligou em seguida falando que só havia me liberado porque era para fazer a protagonista. Aí o susto foi maior porque a Glória tinha me dito que era para fazer a novela, mas não disse o papel”, conta.

Essa história que começou em dezembro do ano passado poderá ser acompanhada a partir desta segunda-feira (22) por todo o Brasil. Pela primeira vez no papel principal de uma novela, Nanda Costa vai dar vida à Morena em “Salve Jorge”, folhetim que sucede o sucesso de “ Avenida Brasil ” no horário nobre da TV Globo.

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"Ela é uma atriz fascinante que está surpreendendo", diz Glória sobre Nanda

Na trama, Morena vive com a mãe e o filho, que teve aos 14 anos, no Complexo do Alemão. Durante a pacificação da comunidade, acaba se apaixonando pelo militar vivido por Rodrigo Lombardi , mas o romance é interrompido quando ela recebe um convite da vilã ( Claudia Raia ) para trabalhar por alguns meses no exterior. Na ânsia de conquistar uma vida melhor para a família, se torna vítima do tráfico de pessoas.

Carreira no cinema

Aos 26 anos, Nanda diz não temer eventuais críticas. “Amo desafios. Estou pronta para dar a minha cara para bater”, afirma. “Não fico pensando no depois. Penso no momento, em dar conta em cada cena e estar preparada para o que der e vier”, completa, com a mesma ousadia que teve aos 14 anos ao sair de casa em Paraty, no sul fluminense, para estudar teatro em São Paulo. Na capital paulista, a tia com quem vivia morreu em um acidente de carro e, para não ter que voltar à cidade natal, chegou a morar em um pensionato de freiras.

A persistência valeu a pena. Em 2006, estreou na TV, na novela “Cobras & Lagartos”, após fazer um curso na escola de atores do diretor Wolf Maya . Três anos depois, entrou em “Viver a Vida” e, no ano passado, participou de “ Cordel Encantado ”. Entre essas três novelas, ainda fez participações em séries, como “Por toda minha vida” e “Clandestinos - O Sonho Começou”.

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Para “Salve Jorge”, no entanto, ela não era primeira escolha. A ideia de Glória Perez era repetir o casal de sua trama anterior “Caminho das Índias”: Rodrigo Lombardi e Juliana Paes . A atriz cotada, no entanto, acabou sendo cedida para “ Gabriela ” e o posto principal ficou vago. Glória já conhecia a trajetória de Nanda na TV, mas não foi esse fator que a levou a escolher a atriz.

“Foi por causa da sua obra no cinema que quis convidá-la. Conhecia a carreira dela muito de filmes”, diz autora. “Mudei um pouco a sinopse porque ela e a Juliana (Paes) têm perfis e idades diferentes. Mas a Nanda foi uma surpresa maravilhosa. Ela é uma atriz fascinante que está surpreendendo”, completa Glória.

Elogios de diretores

Entre os filmes vistos pela escritora, um foi fundamental para sua escolha: “ Sonhos Roubados ”, de Sandra Werneck . No longa, Nanda vive uma das três adolescentes moradoras de uma favela carioca que buscam seus sonhos em meio à realidade da prostituição e do tráfico de drogas. O papel rendeu os prêmios de melhor atriz nos festivais do Rio, de Biarritz e de Cinema Brasileiro de Miami .

“Setenta meninas fizeram teste e lembro que a escolhi por causa da sua força no olhar. Transmitia uma dureza que precisava para a personagem, mas, ao mesmo tempo, tinha meninice e doçura”, relembra Sandra Werneck. “Antes das filmagens, ela ensaiou muito e fez laboratório por conta própria. Nas gravações, muitas vezes, não precisava marcá-la em cena. Ficava livre com a energia do momento e a cena já estava pronta”.

Cláudio Assis , que dirigiu Nanda em “ Febre do Rato ”, faz coro aos elogios. Na produção do cineasta pernambucano, ela se despiu de pudores: tirou xerox de seu corpo, se masturbou e urinou nas mãos do protagonista Irandhir Santos. A entrega em cena rendeu-lhe mais um prêmio, o de melhor atriz no Festival de Paulínia .

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"Ela tem uma qualidade como atriz que é impressionante", diz Rodrigo Lombardi sobre Nanda

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“Algumas cenas não estavam no roteiro e fomos criando durante o processo. A Nanda não teve nenhuma objeção, muito pelo contrário. É uma grande atriz, muito guerreira e com bom astral. Não tem nada de ‘ai, meu Deus’. Essa mulher vai estourar, ela tem vontade e um objetivo a seguir”, prevê Cláudio Assis, que a escolheu após uma indicação do cineasta Walter Carvalho . “Conversamos por 15 minutos em um bar e ali percebi que ela não estava de brincadeira”.

Discreta e reservada

Para compor Morena, Nanda Costa intensificou as atividades físicas e teve aulas de funk e samba com uma coreógrafa. A jovem do Complexo do Alemão usa roupas justas e saltos bem altos. “A história tem que ser bem contada. Se é mulherão, é porque tem uma preparação, maquiagem e cabelo para isso. Ela tem um corpo mais rígido por subir e descer morro”, diz a atriz.

“A Morena é cheia de nuances. Ao mesmo tempo em que é alegre, é explosiva. Não deixa nada barato, tem uma personalidade muito forte. Às vezes está muito alegre e depois explode. Essa quebra é um desafio na interpretação”, avalia.

Sua personalidade no dia a dia é bem diferente. Nanda é conhecida por ser muito reservada. No prédio em que morava em Copacabana, era considerada uma vizinha exemplar. Sempre simpática, atenciosa com os fãs e discreta. Ela diz estar ciente que o interesse da mídia por sua vida vai aumentar com a novela. “Essa vida de celebridade faz parte. Quando você topa o desafio de encarar uma protagonista, vem tudo junto. O desafio também é esse” diz.

“Não tenho problema em falar da minha vida pessoal, só da emocional. Acho que não precisa. O legal é ver uma cena e não saber se o sorriso é da atriz ou da personagem. O legal é ver a personagem, sem saber muito quem é a Nanda. Quanto menos souberem quem é a Nanda, mais da Morena vão ver. É por isso que eu me preservo”, finaliza. Agora é aguardar para ver a Morena em cena.

* com colaboração de Luisa Girão e Priscila Bessa

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