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Thiago Martins: “A favela do Vidigal é meu porto seguro”

O Vinicius de “Insensato Coração” mantém os pés no chão apesar do sucesso e continua morando em comunidade ainda não pacificada

Luisa Girão, iG Rio de Janeiro |

George Magaraia
Thiago Martins mora há 22 anos na favela do Vidigal, na Zona Sul do Rio de Janeiro
Como tantos outros moradores da favela do Vidigal, zona Sul do Rio, o Thiago da nossa história tinha o sonho de ser jogador de futebol pelo Flamengo, time do coração. Filho de pais de origem humilde, também como tantos outros vizinhos , o garoto procurava se espelhar na figura masculina mais próxima. No caso do nosso herói, o irmão mais velho, o ator e produtor teatral Carlos André. Por causa dele, aos seis anos, Thiago começou a estudar teatro e foi deixando de lado a meta de chegar a ser um profissional do esporte.

Tudo parecia correr bem, mas, ainda na adolescência, o garoto é surpreendido por uma notícia que abalaria seu mundo: o irmão é atingido por uma bala perdida, durante confronto na comunidade onde mora. Este seria o momento mais triste da vida de Thiago. Mas o garoto da nossa história vive um enredo de final feliz, como na maioria dos filmes de sucesso: Carlos André se recupera do susto e hoje aplaude a ascensão do irmão mais novo na principal novela da maior emissora de TV do País.

A história feliz de Thiago Martins, o Vinicius da novela “Insensato Coração”, está apenas no começo. Mas o ator da TV Globo, aos 22 anos, já acumula em seu currículo duas peças, oito filmes e nove trabalhos na televisão. Além disso, Thiago, que ainda vive no morro do Vidigal por opção própria, hoje leva ao delírio centenas de patricinhas da elite da Zona Sul carioca nos shows da sua banda Trio Ternura, sonha com uma carreira internacional no cinema e vai emendar a novela com a peça “O Grande Amor da Minha Vida”, ao lado da atriz Paloma Bernardi.

Vivendo um vilão pitboy na trama das 21h, Thiago tem provocado tanta raiva que por pouco não apanha na rua. “O bom é que isso quer dizer que estou fazendo o meu papel direito”, brinca ele, que nos próximos capítulos da trama vai participar de cenas de violência contra homossexuais. “Me perguntam por que do Vinicius ter essa atitude. Sinceramente, não sei. Claro, a estrutura familiar é muito importante. Acho que é muito mais diversão, tiração de onda, do que qualquer outra coisa. O não gostar de gays é uma desculpa desses meninos”.

George Magaraia
Thiago Martins: "Faço um grande sucesso com gays"


Thiago conversou com a reportagem do iG Gente no Mirante do Leblon, entre a praia do Leblon e o morro do Vidigal, suas duas paixões. “Se eu morasse na Barra da Tijuca, ninguém ia ficar me perguntando por que escolhi morar lá (risos). O Vidigal é meu porto seguro”.

Confira abaixo a entrevista com o ator:

iG: Por que você continua no Vidigal?
Thiago Martins:
É uma opção. Se eu morasse na Barra da Tijuca, ninguém ia ficar me perguntando por que escolhi morar lá (risos). Mas o Vidigal é meu porto seguro. É onde tenho minha família, meus poucos e bons amigos que torcem por mim. Sou nascido e criado lá. Quando chego, deixo de ser o Thiago Martins, que é o Vinicius da novela ou o vocalista do Trio Ternura, para ser o Thiaguinho do Vidigal. É muito bom morar lá. Para você ter noção, não existe uma casa para alugar. Tem muita gente querendo subir para participar do “Nós do Morro” (grupo teatral do qual o ator faz parte).

iG: Continua morando na mesma casa em que nasceu?
Thiago Martins:
Morava em uma área mais acima, mas há cinco anos comprei um apartamento para minha mãe, da onde podemos ver os fogos da praia de Copacabana da varanda. Ela ficou toda feliz. É uma das vistas mais bonitas do Rio.

iG: Como foi crescer em uma favela?
Thiago Martins:
Você cresce superligado em tudo. Se perde um pouco da inocência e tem de lidar com situações que outros jovens da minha idade não passam. Por exemplo, aos 15 anos, meu irmão (Carlos André, de 30 anos) foi atingido por uma bala perdida. Foi o momento mais triste da minha vida porque vi o meu ídolo em um lugar que não era dele: uma cama de hospital. Foi muito difícil. Mas sempre soube que ele ia se recuperar e que iria me ver no lugar que ele queria que eu chegasse.

iG: O seu personagem na novela tem uma relação complicada com a família. Como é a sua?
Thiago Martins:
Eu moro com meu irmão e com a minha mãe, uma mulher guerreira. Ela foi o meu pai também, já que só tive contato com o meu há oito anos. Foi por causa do meu irmão que comecei a fazer teatro e ele é meu maior torcedor e conselheiro. Foi ele que me ensinou todos os caminhos, me orientando a não crescer pelo jeito mais fácil dentro de uma comunidade, que seria o tráfico. Me deu opção e sempre me ensinou que o diálogo é a melhor forma de resolver as coisas. Foi isso que me fez me tornar um cidadão.

iG: Como é a sua relação com o seu pai?
Thiago Martins:
É ótima. Ele se separou da minha mãe quando era criança. Ele teve outra vida, outro filho. É um cara bacana e que me dá muito apoio. Ele é taxista e faz questão de levar fotos minhas no táxi para mostrar que sou seu filho.

George Magaraia
Thiago Martins acumula em seu currículo duas peças, oito filmes e nove trabalhos na televisão
iG: Como o público está reagindo às maldades do Vinícius?
Thiago Martins:
Passei por uma situação muito engraçada no aeroporto de Goiânia. Umas senhoras me confundiram com o personagem e quiseram me bater de bengala. Eu até me divirto com essas cenas, porque nunca passaram do limite. O bom é que isso quer dizer que estou fazendo o meu papel direito. E esse é o meu pagamento.

iG: Na reta final da novela, o seu personagem chega ao ponto de agredir gays. Por que acha que existem pessoas que agem de forma tão violenta?
Thiago Martins:
Sou completamente contra. Independentemente da classe social, raça ou opção sexual, todo mundo é igual. Isso tudo acontece por incompetência da Justiça, que acaba passando a mão na cabeça dessas pessoas. Esses caras têm de ser punidos! Me perguntam por que do Vinicius ter essa atitude. Sinceramente, não sei. Claro, a estrutura familiar é muito importante, mas acho que é muito mais diversão, tiração de onda, do que qualquer outra coisa. O não gostar de gays é uma desculpa.

iG: Você tem amigos gays?
Thiago Martins:
Claro! E o engraçado é que faço um grande sucesso com eles. Devo ter alguma coisa que os deixa doidos. Mesmo interpretando o Vinicius, que todo mundo sabe que vai bater em um gay. Até os camareiros da Globo brincam: “Ai, Thiago. Não vai me bater, hein?”, com aquela voz sacana. (risos)

iG: Além de atuar, você tem uma banda: o Trio Ternura. Como surgiu essa vertente musical?
Thiago Martins:
Quando era garoto, minha tia me levava para cantar no coro da Igreja. Além disso, já fiz mais de 15 peças com o “Nós do Morro”, em que eles me usavam cantando. Há algum tempo, resolvemos criar o Trio e, hoje, estamos viajando o Brasil, lotando casas noturnas e ganhando dinheiro com música. Estamos gravando um CD, que não tem data de lançamento. Isso tudo me deixa feliz!

George Magaraia
Thiago Martins: "Estou em uma fase tão focada no trabalho que nem tenho tempo para pensar em namoro. Se aparecer, ótimo! "
iG: Você sempre fez sucesso com as mulheres ou a fama foi um afrodisíaco?
Thiago Martins:
A fama ajuda, com certeza. Fico meio sem graça de falar essas coisas. Mas é bom, né? Na minha vida toda, namorei. Minha primeira foi aos 15 e fui emendando vários relacionamentos. Para falar a verdade, só comecei a perceber que fazia sucesso com as meninas depois que fiquei solteiro.

iG: Seu último namoro foi com a atriz Fernanda Paes Leme, em 2009. Por que tanto tempo solteiro?
Thiago Martins:
Acho que eu e a Fernanda, durante algum tempo, nos completamos de certa forma. Ela me mostrou um mundo que eu desconhecia, e eu mostrei outro para ela. Nosso relacionamento foi bacana e tenho um carinho enorme por ela. Mas agora estou em uma fase tão focada no trabalho que nem tenho tempo para pensar em namoro. Se aparecer, ótimo!

iG: Você também namorou a atriz Roberta Rodrigues e, nos bastidores, comentam que vocês vivem um relacionamento iô-iô...
Thiago Martins:
A Roberta e eu namoramos por um ano e meio e ela é uma mulher maravilhosa, torço muito pelo seu sucesso. A família dela é a minha. O irmão dela é um dos meus melhores amigos, e ela é uma das melhores amigas do meu irmão. Nosso elo é muito forte, mas depois que terminamos cada um foi para o seu lado e ficamos na amizade mesmo.

George Magaraia
Após a novela, Thiago vai estudar inglês para tentar uma carreira internacional
iG: Já ficou deslumbrado com o sucesso?
Thiago Martins:
Pode parecer mentira, mas nunca. Meu irmão sempre me disse: ‘Se você acreditar em todas as pessoas que falam, que você é lindo, você vai cair do cavalo’. A carreira de ator sempre foi muito doida. Uma hora você tem, outra não. Então, faço questão de guardar o meu dinheiro. Nunca existiu deslumbre porque não importa se estou fazendo uma novela do Gilberto Braga. Quando chego na comunidade, no “Nós do Morro”, tenho que pegar vassoura e varrer o espaço, como todo mundo.

iG: Que sonho conseguiu realizar depois de virar ator?
Thiago Martins:
Além de comprar o apartamento para minha mãe, consegui que ela parasse de trabalhar. Acho mais do que merecido para uma guerreira como ela, que trabalhou por 19 anos em uma casa de família para criar meu irmão e eu de forma digna. Hoje, ela cuida da casa e dos cachorros, faz aula de costura. Sempre que posso, nós pegamos o carro e a levamos para Búzios ou Angra dos Reis. Ela se diverte!

iG: E a possibilidade de uma carreira internacional?
Thiago Martins:
Fui convidado para participar de um filme europeu com a Kate Winslet (atriz inglesa) no elenco. O cineasta, que é alemão, viu o filme “Era uma vez” (protagonizado por Thiago) e veio ao Brasil. Com o final da novela, vou começar a estudar inglês. Quem sabe ir para fora e tentar uma coisa? O Rodrigo Santoro fez isso e ele é um exemplo para mim. Se tiver oportunidade, com certeza vou investir.

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