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Tainá Müller: “Me sentia uma farsante”

Indicada ao prêmio de melhor atriz coadjuvante pela Clara de “Tropa de Elite 2”, a atriz de “Insensato Coração” fala sobre a carreira de modelo, a relação com a nudez e o sonho de ser mãe

Priscila Bessa, iG Rio de Janeiro |

Dario Zalis
Tainá Müller: "Tenho dois sonhos: um é me realizar criativamente, o outro é ser mãe"

“Adoro correr riscos”. A frase não passaria de um simples clichê se não viesse da atriz Tainá Müller, de 27 anos, buscando tranquilizar a equipe após subir com firmeza em uma sacada à beira -mar usando saltos altíssimos.

Após posar para o iG Gente em frente à praia particular do Sheraton Rio Hotel & Resort, no Rio, a gaúcha, que jogou a carreira de jornalista para o alto porque sentiu que estava “faltando alguma coisa” e também dispensou o trabalho de modelo internacional por se sentir “uma farsante”, contou à reportagem como decidiu ser atriz. “A ficha caiu no dia em que vi neve pela primeira vez”, lembra ela, que atualmente está no ar como a dissimulada Paula da novela “Insensato Coração”

Me entedio facilmente. Vou vivendo vidas diferentes da minha e diferentes entre si e sou muito feliz com essa escolha

Tainá despontou após o sucesso no longa de Beto Brant “Cão Sem Dono”, no qual protagoniza cenas de sexo com o namorado Júlio Andrade, e, recentemente, ganhou o prêmio de melhor atriz coadjuvante no 4º Los Angeles Brazilian Film Festival por “As Mães de Chico Xavier”. Com uma breve e premiada trajetória no cinema, ela também está concorrendo na mesma categoria pela Clara de “Tropa de Elite 2”, no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, que acontece na noite desta terça-feira (31).

 

Dario Zalis
Tainá Müller: "Queimamos sutiãs dentro de casa! Fizemos questão de ter uma postura feminista. Nossa subversão foi essa"

Na entrevista, a atriz fala da relação com a nudez , conta que está se preparando para realizar o sonho de ser mãe e fala sobre a relação com o pai, um gaúcho tradicional que precisou “abrir a cabeça” ao criar três filhas que enveredaram pela carreira artística. “Meu pai fala que é porque nós nascemos e fomos criadas no mesmo bairro da Elis Regina.” Confira o bate-papo com a atriz:

Gastei quase tudo que ganhei (como modelo) com telefone. Ligava para a minha mãe quase todos os dias da China

i G: Você foi jornalista e modelo antes de ser atriz. Acha que agora encontrou a profissão certa?
Tainá Müller: Sou totalmente geminiana e me entedio facilmente com as coisas. Vou vivendo vidas diferentes da minha e diferentes entre si. Num aspecto mais profundo, para mim é não ter uma rotina emocional. Sou muito feliz com essa escolha de vida.

iG: Sentia muitas saudades de casa na época de modelo?
Tainá Müller
: Ligava para a minha mãe quando estava na China quase todos os dias. Gastei quase tudo que ganhei com telefone. Era uma coisa de louco. Fiquei oito meses morando fora entre Ásia e Europa. Tinha 21 anos. Mas rapidamente me cansei.

Dario Zalis
Tainá Müller:"Já tive vontade de casar, mas mais pela experiência do que pelo significado"
iG: E quando resolveu que seria atriz?
Tainá Müller:
Quando estava na Itália fui até as montanhas com uns amigos que acharam curioso eu nunca ter visto neve. Na época só sabia que queria trabalhar com áudio visual. A ficha caiu no dia em que vi neve pela primeira vez. Aquilo me remeteu tanto à infância... Foi mágico. Tive essa sensação e me lembrei que a coisa que sempre gostei de fazer na vida era imaginar, essa coisa lúdica.

Quando escolhi fazer jornalismo meu pai já achou muito ousado. Ele é machista como todo gaúcho

iG: Logo no seu primeiro filme você foi aclamada pela crítica. Por que acha que não sofreu o mesmo preconceito que muitas modelos que se tornam atriz passam?
Tainá Müller:
Porque nunca me senti muito modelo mesmo. Me sentia uma farsante ali (risos). Era uma jornalista infiltrada na vida de modelo. Tanto é que escrevia um blog quando estava na Ásia. Acreditei que poderia ser uma grande jornalista, mas depois fui vendo que não era por aí.

iG: Na novela, a Paula, sua personagem, tem uma relação doentia com um pai mau caráter. Como é a relação com o seu pai?
Tainá Müller:
Meu pai tem uma raiz humilde, de muito trabalho, e conseguiu ser um micro empresário. Ele é machista como todo gaúcho e temos uma relação bem tradicional. Mas é o extremo oposto do Cortez (personagem de Herson Capri). Meu pai não é sisudo e nem rico (risos). Quando escolhi fazer jornalismo ele já achou muito ousado. Ele é um cara criado da maneira antiga e teve em casa três filhas que revolucionaram a própria condição. Quando eu tinha 15 anos me propôs que eu namorasse toda quarta e sábado no sofá de casa. Tive que dizer ‘Peraí, não estamos em 1923’.

 

iG: E funcionou?
Tainá Müller: O que é bacana é que ele foi realmente foi se abrindo, porque sempre foi muito torcedor. Minha irmã fez um programa sobre sexo na MTV (a VJ Titi Müller). Queimamos sutiãs dentro de casa (risos)! Fizemos questão de ter uma postura feminista. Nossa subversão foi essa. 


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Dario Zalis
Tainá Müller: "Quando eu tinha 15 anos meu pai propôs que eu namorasse toda quarta e sábado no sofá de casa. Tive que dizer ‘Peraí, não estamos em 1923’"

O despudoramento da nudez é só um dos tipos. Existe o despudoramento emocional. Já passei por essa experiência e foi extremamente positiva

iG: Você precisou se expor muito no filme “Cão Sem Dono”. Como lida com a nudez no trabalho?
Tainá Müller: Acho que depende do momento que você está vivendo. De repente você está a fim de se despudorar. E o despudoramento da nudez é só um dos tipos. Existe o despudoramento emocional. Tem gente que tem vergonha de chorar na frente das outras pessoas. Já passei por essa experiência e foi extremamente positiva para mim.

i G: Mas é um tipo de despudoramento que chama a atenção muito mais do que os demais...
Tainá Müller: No Brasil tudo gira ao redor do sexo, mas é muito contraditório. Se você faz topless na praia é preso. Agora, se tira a sua roupa na frente de todas as emissoras do Brasil, onde milhares de pessoas vão assistir, inclusive crianças, está tudo certo. É uma coisa meio doida.

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Tainá Müller, a vilã Paula, de "Insensato Coração": "Não gosto de dizer nunca para nada"
iG: Posaria para a "Playboy"?
Tainá Müller: Não gosto de dizer nunca para nada porque não sabemos como estará a nossa cabeça amanhã. Mas acho que não.

A coisa do véu e grinalda nunca me chamou a atenção e, sim, o compromisso, quase uma coisa tribal. Mas a minha tribo sabe o que quero no momento

iG: Continua morando com o Júlio (Andrade)?
Tainá Müller:
Temos um apartamento alugado em São Paulo e alugamos outro aqui no Rio. Estamos juntos há três anos e meio, mas não somos casados no papel.

iG : Mas você tem esse sonho? Casar de véu e grinalda?
Tainá Müller:
Já tive vontade de casar, mas mais pela experiência do que pelo significado. A coisa do véu e grinalda nunca me chamou a atenção e, sim, o compromisso. Quase uma coisa tribal, de dizer para o resto da tribo que ama aquela pessoa e quer ficar com ela. Mas a minha tribo sabe o que quero no momento. Aliás, minha mãe nunca casou com meu pai e eles estão juntos há 30 anos. Ela é avessa a casamento.

Dario Zalis
Tainá Müller: "Tem gente que tem vergonha de chorar na frente das outras pessoas, mas essa experiência foi extremamente positiva para mim"

iG: Como é a sua relação com o Júlio?
Tainá Müller:
Acho que tanto eu quanto ele sempre pensamos em construir a nossa história de uma forma particular, sem se prender. Achamos melhor viver a vida com intensidade do que fazer promessas e assinar papéis.

Tenho dois sonhos: um é me realizar criativamente, o outro é ser mãe

iG: Não tem nenhum sonho “mulherzinha”?
Tainá Müller:
 Eu tenho dois sonhos: um é me realizar criativamente, o outro é ser mãe. Vou querer ser uma boa mãe e sei que esse pode ser o maior desafio da minha vida. Estou me estruturando emocionalmente e na parte material porque vejo criança e fico louca. Isso não é de agora, vem desde os meus 18 anos. Eu sou mulherzinha (risos), nem me considero feminista. Acho que hoje em dia esse tipo de coisa é ultrapassada e ingênua. Tanto o feminismo quanto o machismo. Tive esse momento mais na adolescência.
 

Dario Zalis
Tainá Müller: "Eu e meu namorado sempre pensamos em construir nossa história de uma forma particular, sem se prender"

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