"Quem tem berço não fica se exibindo com joias, dizendo que tem helicóptero ou que amanhã vai viajar para a Grécia"
Responsável junto com as sócias Sandra Bandeira e Manu Quesada pela lista de convidados de uma das festas mais badaladas do momento, a Privato, que reúne celebridades, socialites e nomes descolados da noite carioca, Isabella Lemos de Moraes, 36 anos,é sinônimo da sofisticação sem exageros de quem prima pela educação que vem de berço. O perfil discreto da socialite destoa do comportamento afetado das integrantes do popular reality show da Band, “Mulheres Ricas”. Como o próprio nome diz, o programa retrata o cotidiano de cinco mulheres consideradas ricas pela emissora, como Val Marchiori e Narcisa Tamborindeguy.
Filha mais velha de João Flávio Lemos de Moraes, um dos herdeiros do outrora poderoso grupo Supergasbras - onde ele chegou a ocupar o posto de vice-presidente do Conselho de Administração - Isabella acha graça do título atribuído pelos amigos e conhecidos de que ela sim seria uma “mulher rica de verdade”.
Entretanto, em tempos de decadência da elegância, ela não hesita em tomar o rótulo para si. “Me considero porque eu sou, né? Eu não, meu pai, enfim. Acho que a minha família é um exemplo de uma família rica de verdade. Meu pai sempre teve tudo do bom e do melhor e nunca ostentou. Fomos criados assim. Porque quem mostra muito ou é inseguro ou na verdade não tem”, afirma Isabella, que considera o comportamento das participantes do programa um grande exagero.
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“A mulher rica de verdade não fica se exibindo”, completa a estudante de jornalismo, que recebe uma mesada do pai, dinheiro proveniente dos negócios da família, e trabalha com assessoria de imprensa. Além das ações que mantém na Supergasbras, os Lemos de Moraes se dedicam à parceria com a montadora Scania, de quem são representantes para a América Latina, e, também, atuam no agronegócio, com fazendas de café e gado para corte.
“Conheço muita gente que, ao invés de comprar apartamento próprio e viver dentro daquela realidade, o que é muito mais importante e melhor, fica alugando um lugar aonde você só dá dinheiro para os outros para se mostrar”, diz a socialite, ao comentar o fato de que Val Marchiori não seria proprietária do avião de que tanto fala no programa.
João Flávio, inclusive, já namorou com a “mulher rica” Narcisa Tamborindeguy. “Ela era muito agitada e ele é mais na dele, então decidiram ser amigos”, explica a socialite, que considera Narcisa “original”.
A seguir a entrevista com Isabella Lemos de Moraes ao iG:
iG: Já assistiu ao reality “Mulheres Ricas?
Isabella Lemos de Moraes: Nunca vi, mas já li algumas coisas e vi um pouco no Youtube.
"Não sou de comprar joia, essas coisas, mas sou viciada em bolsa. Adoro Balenciaga, Chanel, Hermès".
iG: Acha que aquilo que vemos no programa é como deve ser uma mulher rica de verdade?
Isabella: Acho que não. A mulher rica de verdade é mais low profile, não fica se exibindo. A não ser novos ricos. As emergentes. Rico verdadeiro, com sobrenome e berço, não é assim. No dia a dia, os ricos que eu conheço, da minha família, ninguém fica ostentando. Meu avô sempre me ensinou isso. Quem tem não fala.
iG: Você se considera a verdadeira mulher rica?
Isabella: Me considero porque eu sou, né? Eu não, meu pai, enfim, mas me considero sim. Acho que a minha família é um exemplo de uma família rica de verdade. Meu pai sempre teve tudo do bom e do melhor, nunca ostentou, só falava (sobre o que tinha) quando perguntavam ou ele tinha que falar mesmo. Ninguém anunciava que ia para os Estados Unidos, e nem comentava que ia para Beverly Hills. Você não precisa dizer para onde vai. Fomos criados assim. Porque quem mostra muito ou é inseguro ou na verdade não tem.
Conheço muita gente que faz isso. Mora na Vieira Souto, tem o melhor carro, mas na verdade vive endividado. Aquilo lá é leasing.”
iG: Segundo Nylceia Ulinski, casada com o pai dos filhos de Val Marchiori, a socialite do programa Mulheres Ricas não tem avião, apenas faria fretamentos.
Isabella: Conheço muita gente que faz isso. Mora na Vieira Souto, tem o melhor carro, mas na verdade vive endividado. Aquilo lá é leasing. Conheço várias pessoas que andam de Audi e Mercedes, mas o carro não é da pessoa. Está pagando milhões de parcelas só para aparecer. O apartamento que mora é maravilhoso, mas é alugado. Ao invés de comprar apartamento próprio e viver dentro daquela realidade, o que é muito mais importante e melhor, fica alugando um lugar aonde você só dá dinheiro para os outros para se mostrar.
iG: A Val disse no programa que a festa de aniversário dela costuma ser a melhor do ano e que uma festa dessas não sai por menos de R$ 200 mil. Você acha que uma festa boa precisa custar esse valor?
Isabella: Não. Inclusive demos uma festa aqui maravilhosa para 400 pessoas no réveillon e não custou isso. E com tudo do bom e do melhor. Champagne até cansar, foi até 6 horas da manhã, garçom, tudo, mas não custou esse preço. Esse preço está mais para um casamento, digamos assim. Acho que é um exagero.
"Para se vestir não precisa ser over, estar montada em cima do salto o tempo todo, cheia de marcas e brincos".
iG: Seu pai diz que “elegância é mais do que uma boa roupa, é atitude”. Para você o que é sinônimo de elegância?
Isabella: Acho que é a personalidade, o jeito de falar, agir. Acho que um exemplo de uma pessoa elegante é a Carolina Ferraz (atriz) que é chique, mas não fica cheia de brincos e joias. Acho que é se vestir bem arrumada, mas clean. Mulher elegante é mulher culta, antenada e eu sou super conectada, gosto de ler e visitar sites, gosto do iG Moda e comportamento, do site The Sartorialist, o blog Euefreud,o Life and Times e, o meu preferido, é o BossaMe, site variado de moda, beleza, décor e kids, das amigas Ana Claudia Andrade, Daniella Sarahyba, Giovanna Lamastra e Ju Severiano Ribeiro.
iG: Quais os itens mais caros no seu guarda-roupa?
Isabella: Acho que as bolsas. Não sou de comprar joia, essas coisas, mas sou viciada em bolsa. Adoro Balenciaga, Chanel, Hermès.
Socialite lista os 10 mandamentos da verdadeira mulher rica
iG: Já fez alguma loucura porque queria muito alguma coisa?
Isabella: Não muito. Até porque meus pais sempre deram limites para nós em tudo. Cartão de crédito, mesada, tudo, desde criança, tinha um limite. Sempre foi assim. A gente ia num shopping e tinha um limite para comprar as coisas. É assim que eu educo meu filho. Só ganha quando precisa, só compra no aniversário, não tem 10 jogos de vídeogame. É um ou dois. Meus pais sempre nos deram tudo o que precisávamos, mas não podíamos ir na Louis Vuitton comprar 10 bolsas. Era uma e era aquela bolsa. Tem que ter consciência.
iG: Quais os seus maiores luxos?
Isabella: Acho que viajar para fora, Itália, Paris, e ficar em bons hotéis. Acho que é um bom investimento. E viajar bem. Comer em bons restaurantes, por exemplo. Acho que se você pode absorver a cultura é muito legal.
iG: Tem algum sonho de consumo?
Isabella: Tenho vários! Primeiro quero comprar um carro novo. Não sei marca porque não me ligo muito nisso, em nome de carro. Eu vou, gosto do carro e compro. Relógio quero um Cartier ou Rolex. E mais bolsas.
"Ninguém anunciava que ia para os Estados Unidos. Fomos criados assim. Porque quem mostra muito ou é inseguro ou na verdade não tem"