O comediante e VJ da MTV faz balanço de sua carreira e revela o que vem pela frente em sua vida pessoal e profissional

Marcelo Adnet grava seu novo programa, agora ao vivo
André Giorgi
Marcelo Adnet grava seu novo programa, agora ao vivo
Ele descobriu seu talento humorístico e artístico quando cursava Jornalismo e um amigo o convidou para integrar o elenco da peça Z.É. - Zenas Emprovisadas. Ao subir no palco pela primeira vez há 9 anos, se sentiu muito melhor do que como jornalista. “Eu nunca fiz um curso no teatro, um book com fotos, a coisa foi acontecendo”, explica Marcelo Adnet .

Atualmente suas frentes de trabalho são múltiplas, mas sua meta uma só: ser feliz. “Eu quero fazer TV, teatro, cinema, jornal, sou feliz em todos esses meios. Ter o que informar, esse é o meu principal objetivo”. Após a gravação de seu novo programa, “Adnet Ao Vivo”, na MTV, o carioca de 29 anos recebeu o iG Gent e em seu camarim para uma conversa sobre seu momento atual.

“Estar ao vivo me deixa nervoso. E poucas coisas me deixam nervoso hoje em dia”, admite ele, que vive na capital paulista com a mulher e também colega de trabalho, Dani Giusti . Ou Dani Calabresa, como é conhecida. Sobre a relação dos dois: “É bem mais normal do que se possa imaginar, mas a gente ri muito um com o outro, sim.”

A atração dura 45 minutos e aborda temas da atualidade. Simples e descontraído, o formato permite que ele se solte: canta, dança, não para quieto. “O meu exercício é ser humano e ser humano é errar, é não usar maquiagem, é se vestir de uma maneira mundana e cotidiana, como quem vai na esquina pagar um conta. E falar as coisas de uma maneira popular”, diz. E continua: “Quem faz TV tem uma sensação de estar acima do público: ‘sou maravilhoso, lindo, estou na TV’. E na realidade não é isso, fiz o exercício de descer e dizer: ‘sou igual a vocês’”.

Marcelo Adnet: Podem falar que eu sou feio, faz parte da democracia
André Giorgi
Marcelo Adnet: Podem falar que eu sou feio, faz parte da democracia

Marcelo conta que pretende dar mais prioridade aos assuntos pessoais. “Quero recuperar o tempo livre para colocar a saúde pelo menos junto com o trabalho, amigos e daqui a pouco para a família. Fazer um filho, claro! Ser pai, isso eu tenho que fazer”, revela ele, que adora jogar “altinha” na praia, pôquer com os amigos e entrar no Youtube para descobrir culturas novas. Sobre bom e mau humor: “basicamente o que me irrita são as neuroses urbanas e o que me deixa feliz é o contato com a natureza”, afirma. Em sua carreira, ele quer ir longe, literalmente. “Eu tenho este desejo de ultrapassar as fronteiras e representar o Brasil para o mundo, não como um jogador de futebol ou uma gostosa”.

Zero ego, zero vaidade é difícil, todo mundo tem um pouco, diz Marcelo Adnet em entrevista ao iG Gente
André Giorgi
Zero ego, zero vaidade é difícil, todo mundo tem um pouco, diz Marcelo Adnet em entrevista ao iG Gente

Confira os melhores momentos da entrevista com o comediante:

iG Gente: Como foi a sua trajetória até aqui?
Marcelo Adnet: Eu não sabia o que fazer de faculdade e finalmente eu decidi pela Comunicação que é um curso ótimo para quem não sabe o que fazer. E nesse curso foi onde eu aprendi a dizer sim para muitas coisas. Vamos matar aula e ir para praia? Vamos! A galera da faculdade vai viajar pra não sei aonde, vamos? Vamos! Tem um trabalho de religião que a gente tem que ir num culto de igreja evangélica. Fui também. Vai ter semi-final do campeonato estadual entre Cabofriense e Madureira, vamos! Fui fazer uma peça de teatro improvisada e aí, quando eu subi no palco com o “Z.É. Zenas Emprovisadas” há quase 9 anos, eu me senti me expressando muito mais do que eu poderia como jornalista. Eu me sentia um pouco preso como jornalista.

Como funciona a interação com o público no novo programa?
A gente tem a possibilidade de navegar ao vivo, portanto trazer assuntos ao vivo. E não necessariamente são assuntos que a gente preparou, pode ter como assunto também aquilo que surgiu ao vivo, alguém que tuitou alguma coisa engraçada, bizarra, inusitada, uma notícia que aconteceu realmente ao vivo, como foi a contratação do Luis Fabiano no primeiro programa. Eu entrei e ele tuitou: ‘aí galera, agora é oficial, estou no São Paulo!’.

Marcelo Adnet no camarim da MTV, após gravar seu programa: Quem faz TV tem uma sensação de estar acima do público: `sou maravilhoso, lindo, estou na TV
André Giorgi
Marcelo Adnet no camarim da MTV, após gravar seu programa: Quem faz TV tem uma sensação de estar acima do público: `sou maravilhoso, lindo, estou na TV

De que maneira?
Um dia eu vim aqui na MTV divulgar um filme “Podecrer”, eu vim no programa Rock Gol, na época do Marco Bianchi e do Paulo Bonfá. Falei sobre futebol, comédia, sobre o filme. O pessoal da MTV viu, achou interessante e me chamou para um teste. Eu vim para São Paulo fazer o teste e na conversa com um dos nossos gerentes na época, entrei na MTV junto com a Lílian Amarante que está aqui até hoje.

Você tem autonomia editorial?
É uma TV de muita liberdade, que confia em quem contrata. Eles não me impõem uma linha editorial, eu chego com a minha linha editorial. E, por isso, mesmo com vários outros convites, de tevês abertas, eu preferi ficar na MTV por causa dessa liberdade. Por ser uma delícia mesmo falar o que eu quero da maneira que eu quero.

Você se considera ator, comediante, jornalista e músico. Do que gosta mais de fazer?
Acho que o que eu gosto de fazer mais é o que eu não estou fazendo. Acho que eu não faço um esporte há dois meses. Dentre tantas coisas que eu faço, eu tento ficar humano ainda. Não virar um robozinho, me isolar da sociedade, não viver só em área VIP com pulseira, e sim ter uma vida normal. Quando vou ao Rio, faço questão de ir à praia com os meus amigos, jogo futebol, pôquer. Coisas que eu sempre gostei de fazer para ser uma pessoa normal e ter a visão e uma pessoa normal. E não de um cara de TV, de um maluco, de uma celebridade.

Marcelo Adnet: Estar ao vivo me deixa nervoso. Poucas coisas me deixam nervoso hoje em dia
André Giorgi
Marcelo Adnet: Estar ao vivo me deixa nervoso. Poucas coisas me deixam nervoso hoje em dia


Onde busca inspiração?
Eu tenho múltiplas inspirações. Como eu faço coisas muito diferentes, tenho inspirações muito diferentes. Quando eu era criança, meus ídolos eram políticos, o Lula e o Mario Covas. Aos 7 anos eu pedi para os meus para ir na passeata do Covas. Não tinha ninguém na passeata do Covas no Rio, porque lá ele nunca teve muitos seguidores. Mas eu falei com ele, ele me abraçou. Aos 7 anos falando com o Covas, olha que loucura! Tive referências de políticos, de atores como Peter Sellers, Chico Anísio, TV Pirata também foi muito importante.

Quem influencia o seu trabalho?
No rádio, o narrador José Carlos Araújo. Também o Flávio Cavalcanti. Meus pais me cotam que quando ele morreu fiquei na frente da TV horas seguidas. Então as minhas influências são múltiplas e o principal para mim hoje em dia é o popular, é o não-famoso. Todo mundo pode ser estrela, então um moleque grava um vídeo engraçado, bombou no Youtube, então ele é inspiração para mim.

Carrega o fardo de ter que ser engraçado toda hora?
Toda essa crítica existe, essa pressão para ser engraçado. Mas acho que pressão todo mundo sente, é normal. O grande segredo é o quanto de ouvido você dá à pressão. Eu não dou muito ouvido para ela não. Se, mil pessoas me xingarem de babaca, eu vou ouvir. Se um falar, isso é uma coisa isolada. Eu acompanho as criticas e as pressões, mas como desde o começo eu lido com o erro, eu acho que eu erro. Alguém diz: ‘Ah nem foi tão engraçado’. Beleza, não foi mesmo, e daí? Semana que vem vai ser. Eu lido numa boa, não vejo a crítica como algo pessoal. Eu vejo que vários artistas dão ‘block’ no Twitter.

E você, bloqueia?
Nunca dei block em ninguém, porque se quiser falar que eu sou bonito, sou feio, mané, não tenho graça, tudo bem. É parte da democracia. Se eu quero criticar o cara que falou que ser negro e gay é promíscuo, eu não vou criticar o cara que falou que eu sou feio. Ele pode falar que eu sou feio, faz parte da democracia.

Você é uma das grandes audiências da casa. A que atribui tanto sucesso?
Acho que tem uma coisa de falar uma língua diferente. Quando eu entrei na MTV, a MTV tinha uma característica muito paulistana, que falavam com aquele sotacão. E quando eu entrei, era o cara carioca, mal vestido, e eu acho bom ser mal vestido! O sucesso que eu tive na televisão foi muito por conta de pegar o elevador e descer psicologicamente para falar ao nível do público. Quem faz TV tem uma sensação de estar acima do público: sou maravilhoso, lindo, estou na TV. E na realidade não é isso, fiz o exercício de descer e dizer: sou igual a vocês. Vou tentar fazer uma música improvisada, talvez dê certo, talvez não.

André Giorgi
"Quero representar o Brasil para o mundo. Não como um jogador de futebol ou uma gostosa", diz Marcel Adnet


Não tem vaidade alguma?
Zero ego, zero vaidade é difícil, todo mundo tem um pouco. Eu tenho um pouco, mas acho importante que isso não venha em primeiro lugar. Hoje em dia a gente tem várias categorias de artistas: os que se destacam por opinião, os que se destacam por habilidade e os que se destacam por beleza. Fica bonito no close às 8 horas da noite. Mas não é o meu caso.

O que tira o seu bom humor?
Várias coisas me dão mau humor. Dormir pouco me dá mau humor, gosto de dormir legal, oito horinhas, acho importante. Trânsito pesado me tira o humor. E me irrita quem vai tirar foto e diz: eu não sei quem tu és não, mas me falaram que tu és artista. Também é chato. São neuroses urbanas.

E o que te deixa feliz?
O que me deixa de bom humor é a natureza que me relaxa. Fechar o olho na praia me deixa muito feliz, cair no mar. Quando eu posso sentar no sofá de casa e ver futebol na tevê, fico muito feliz. E quando estou com as pessoas que eu gosto no dia a dia.

Como é na sua casa, com a sua mulher, Dani Giusti?
É bem mais normal do que se possa imaginar, mas a gente ri muito um com o outro. A gente gosta de ver TV junto. A gente estava vendo “CQC” junto. Na hora do (Jair) Bolsonaro a gente se olhou de boca aberta! A gente vê “CQC”, vê o “Pânico”, MTV, ri dos nossos amigos. Adoro ver com a Dani o Bento (Ribeiro), tudo o que o Bento faz. Ele cai e a gente sabe que é de verdade, sabe que ele é real, que realmente caiu. A gente adora ver coisa boa na televisão falar: caramba, que bom! E ver coisa ruim e falar que é horrível. As coisas vão lado a lado, é uma troca de experiências. Ela diz para mim o que ela acha e ela é muito intensa também. Então rola um debate do dia a dia ao vivo um com o outro: live blogging.

É amigo dos outros comediantes?
Eu conheço uma galera que faz stand-up. Quando cheguei na MTV, a Dani me convidou para vê-la com o Fábio Rabin. Aí eu fui e eles me chamaram de surpresa no palco, foi um barato. Desde então, sempre fiz com eles. Existe uma competição velada, como com os galãs de novela, âncoras de jornal, repórteres e fotógrafos, existe sempre uma rixa.

Adnet grava com Charles Henrique, o homem enciclopédia do Pânico
André Giorgi
Adnet grava com Charles Henrique, o homem enciclopédia do Pânico


Quais suas prioridades na vida pessoal?
A Dani e eu temos muita vontade de filhos, mas também sabemos que é um momento nosso importante. Ano passado fomos pela primeira vez para a Europa: França, Itália, Croácia, Bósnia. Eu nunca tinha ido à Disney e ela me levou. Eu nuca tinha saído do Brasil, fui à Nova York uma única vez. Agora a gente está descobrindo o mundo. Fomos para Aruba e Curaçao, nas Antilhas Holandesas. Tenho um desejo de fazer um trabalho mais universal, o Brasil é imenso, cheio de oportunidades, mas o mundo é mais ainda.

Qual o seu plano?
Eu falo inglês, falo espanhol, falo a língua do Caribe, então tenho este desejo de ultrapassar as fronteiras e representar o Brasil para o mundo, não como um jogador de futebol ou uma gostosa, e estar representando o Brasil. Também é um desejo.

Tem algum lado seu que ninguém conhece?
Uma faceta que as pessoas não conhecem é que eu sou um cara sério na maioria das vezes. Eu levo os assuntos a sério e faço piada exatamente para criticar. Um exemplo: passou no Amaury Junior eu falando sobre a profissão celebridade, que é aquele que tem uma permuta, um clareamento, que sai na “Caras” segurando uma cafeteira. Isso é uma coisa, ser sério e ter a crítica por trás da graça.

Marcelo Adnet: Estar ao vivo me deixa nervoso. Poucas coisas me deixam nervoso hoje em dia
André Giorgi
Marcelo Adnet: Estar ao vivo me deixa nervoso. Poucas coisas me deixam nervoso hoje em dia
Novidades?
Eu acabei de fazer o filme do “Agamenon”, o jornalista carioca do Jornal Globo, eu fiz ele jovem. Foram 9 diárias, mais quatro de preparação, ao todo 13 dias com 12 horas de trabalho. Foi muito difícil filmar no Rio, acordar às 4h30 da manhã, chegando em casa 7 da noite. Farei outro com o José Wilker. Quando ele me ligou, achei que fosse um amigo zoando, mas era ele mesmo. É uma participação pequena no filme “Giovanni Improta”, mas eu não li o roteiro ainda.

Mais uma imagem de bastidor com Adnet e Charles Henrique
André Giorgi
Mais uma imagem de bastidor com Adnet e Charles Henrique

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