A cantora fala sobre a declaração racista de político reacionário que a chamou de promíscua em programa de tevê

Preta Gil com a TV portátil no camarim: show só depois do programa
Reprodução/ Twitter
Preta Gil com a TV portátil no camarim: show só depois do programa
O show de Preta Gil só começou depois do término do Big Brother Brasil, nessa terça-feira (29), na festa de 35 anos da marca Equus, em São Paulo. Em seu camarim, ela acompanhou a vitória de Maria por uma televisão antiga e com imagem chuviscada. “Onde já se viu show na final do BBB?”, brincou ela. Desde o início, a sua torcida era por Daniel e a cantora passou o dia votando nele. “Acho genial a Maria ganhar, é o primeiro BBB que uma mulher gostosa ganha. Além da espontaneidade, ela tem muitos atributos: se entregou, pagou mico e foi ela mesma”, declara a fã assumida do reality, após saber o resultado.

Diversão à parte, Preta também falou sobre outro dos assuntos mais comentados da semana: o racismo e intolerância que sofreu por parte do deputado Jair Bolsonaro .

Nessa segunda-feira (28), ao participar do quadro “O povo quer saber”, do programa “CQC”, Preta, uma das convidadas do quadro em que uma série de pessoas enviou perguntas ao deputado do PP pelo Rio de Janeiro, conhecido por ser de extrema direita, foi ofendida quando o questionou sobre o que faria se um de seus filhos namorasse uma mulher negra.

ASSISTA: BOLSONARO TENTA REMENDAR A OFENSA A PRETA GIL

“Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como, lamentavelmente, é o seu”, respondeu Bolsonaro. O comentário decepcionou a cantora de uma forma que ela diz nunca ter imaginado: “Estou muito triste porque sou sempre disponível para participar dos poucos programas de humor que eu admiro, e o "CQC" é um deles. Fiz a pergunta sabendo do histórico dele, mas esperava uma resposta digna e prudente de um deputado”.

Preta Gil e Ana Hickmann, convidada da festa onde se apresentou em São Paulo
Reprodução/Twitter
Preta Gil e Ana Hickmann, convidada da festa onde se apresentou em São Paulo
Ela conta não assistiu ao programa, estava em casa fazendo suas coisas. Mas quando entrou no Twitter, ficou pasma com a avalanche de comentários sobre a declaração do deputado. Em menos de 10 minutos, o vídeo estava no You Tube.

Disse que ficou em estado de choque do início ao fim do quadro: “Eu que sou filha de um tropicalista, que foi exilado político por lutar pela liberdade cultural e artística. Essa pessoa é apegada a valores que não são os meus”.

A filha de Gilberto Gil não deixou por menos. “As providências foram tomadas, está tudo nas mãos do meu advogado. Vou lutar na Justiça, que espero que esteja do meu lado, que é o lado dos negros e homossexuais. Ele colocou o dedo na ferida e eu não sou mulher de levar desaforo para casa! Vem me chamar de promíscua, falar sobre a idoneidade da minha família?”

E continua: “Tive um impulso contra a pessoa que ele é, homofóbico. Ele está contra a evolução do cenário político, contra os Direitos Humanos. Foi exagerado, ele pegou pesado com os gays, negros, com as cotas, e chegou a atacar a própria presidente, dizendo que a Dilma roubava", desafabou Preta. "Ele deveria ser mais tolerante neste momento de evolução da sociedade e o que ele fez foi um retrocesso. Sua atitude foi retrógrada, inadequada e agressiva. Como parlamentar não pode ter pensamentos tão reacionários, isso é uma vergonha para casa”, completou, indignada.

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