Cantora abre o coração ao iG e revela os dramas da adolescência e a dificuldade financeira da vida adulta. Veja galeria abaixo

Preta Gil
Isabela Kassow
Preta Gil
Preta Gil parece viver em estado constante de paixão pela vida. “Sempre fui muito passional. Eu me apaixono pelas pessoas, pelas coisas, pelos lugares, pelo amigos e vivo isso intensamente”. Aos 37 anos, ela diz que, apesar das declarações polêmicas dadas ao longo da vida, não levanta bandeiras e assegura que prega o respeito à diversidade seja ela sexual, religiosa ou cultural. “Sou uma mulher múltipla”, define-se.

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“Sempre segui muito a minha intuição, a minha vontade. Ouço as pessoas, mas acabo fazendo o que eu quero e sinto”, conta Preta em entrevista ao iG , no Sheraton Rio Hotel & Resort, após uma noite em claro por causa de uma insônia crônica. Cansada, mas esbanjando simpatia, a artista revela que foi salva pelos pais após desenvolver compulsão por compras e se endividar a ponto de ter que vender bens para reestruturar a vida.

Também contou sobre a maternidade precoce, os quatro casamentos, a rebeldia da adolescência que a fez abandonar os estudos e aceitar o convite de Nizan Guanaes para trabalhar em São Paulo; e a coragem para iniciar a carreira de cantora aos 27 anos. “Sempre fui metida desde que nasci e, ao invés de me fazer de coitadinha, comecei a tirar proveito de ser muito exibida”.

iG: Preta, você aparenta ser uma pessoa muito extrovertida, mas você quase não está sorrindo hoje. Por quê?
Preta Gil:
Na verdade, sou introspectiva. Existe uma diferença real entre a personalidade que sobe no palco e da que vive no dia a dia. As duas são muito concentradas, mas acho que a artística é a extrovertida. A vida inteira sempre fui muito brincalhona e acho que acabei reservando essas características para o palco.

iG: Você lamenta não ter começado antes?
Preta Gil:
Precisei passar por um momento de aceitação. Antes, precisava me aceitar, me conhecer... Foi um longo processo. Para que o público te aceite, você tem que se conhecer e se aceitar. Eu fui me experimentando. Não existe outra maneira de amadurecer e crescer sem passar pelas situações.

iG: E você já se conhece?
Preta Gil:
Me conheço bastante. Já me conhecia como mulher, mas precisava me conhecer nesse renascimento. 2002 foi um ano de renascimento de tudo. De permitir ser feliz, e ser o que eu sou, não ter medo de fantasmas e pré-conceitos que a gente mesmo se cobra. Será que vou fazer sucesso? Sou filha do Gil, será que vai dar certo?

Não tinha negro na escola. Eu e meus irmãos éramos apontados na escola.”

iG: Você encontrou as respostas para esses questionamentos?
Preta Gil:
Encontrei todas essas respostas e descobri que a base de tudo é ter amor ao que você quer.

iG: Você começou a trabalhar cedo sem ter necessidade...
Preta Gil:
Comecei a trabalhar muito cedo porque eu queria me rebelar contra meus pais e contra mim mesma. Eu queria um tênis da Company e eles me diziam que eu só iria ganhar no Natal. E era não. Quando eu descobri o gostinho por trabalhar, tinha 16 anos. Filho de pais separados sempre vive no meio de uma guerra de força. Um sempre joga para o outro e eu disse: ai, cansei de vocês. Quero ser independente (risos).

iG: Para ser independente precisava abandonar a escola?
Preta Gil:
Comecei a achar a escola chata na adolescência. Meu foco e o das minhas amigas na escola eram os garotos. Era o frisson que a possibilidade de ser notada por um determinado gatinho me causava (risos). A minha primeira fase no Andrews foi bem dramática. Meu pai tinha acabado de lançar 'Realce' e tinha uma lua e uma estrela no cabelo. Não tinha negro na escola. Eu e meus irmãos éramos apontados na escola. O momento risada da minha turma era quando eu ia falar alguma coisa. (risos) Ao mesmo tempo, era uma índia muito queimada de sol e com o cabelo liso. Eu era diferente. Igual a mim não tinha. Para passar por isso numa boa desenvolvi uma personalidade mais extrovertida.

Preta Gil
Isabela Kassow
Preta Gil
iG: Até quando você viveu com essa personalidade?
Preta Gil:
Até os 27 anos e me cansei. Nessa época, já estava trabalhando na Duetto e era muito bem-sucedida.

iG: O que era ser bem-sucedida para você?
Preta Gil:
Eu tinha dinheiro. Minha produtora bombava, tinha mais de 120 empregados. Vivia e me sustentava daquilo. Tinha carro, apartamento. Ajudava meus empregados e meus amigos. E aquilo foi durante um tempo muito prazeroso. E num determinado momento começou uma angústia que eu não conseguia detectar o que era.

iG: Você procurou tratamento para saber o motivo dessa angústia?
Preta Gil:
Ela foi para uma compulsão por compras, onde eu comprava, comprava, gastava, gastava... E só na terapia fui descobrir que essa minha necessidade de gastar era para esconder algo que eu queria ser o que eu não era. Eu nasci para estar à frente das câmeras e não atrás como eu estava naquele momento da minha vida.

iG: A terapia foi a tábua de salvação...
Preta Gil:
Me ajudou a descobrir que eu estava fugindo de mim mesma. Fugindo do meu dom, do meu talento. Foi uma crise existencial. Não digo que foi uma depressão porque eu não fiquei em casa me lamentando. E com três meses de análise, meu terapeuta me disse que eu estava no lugar errado, que eu era uma artista e que eu precisava mudar minha vida.

Não dá para criar meu filho com a mesma liberdade com que eu fui criada. São outros tempos.”

iG: Você encontrou apoio nos seus pais?
Preta Gil:
Muito. O apoio que eu não tive quando estava com os meus 17 anos, tive aos 27.

iG: Por que você não teve o apoio deles quando adolescente?
Preta Gil:
Minha família estava dilacerada nessa época. Meu irmão Pedro tinha morrido num acidente de carro. Eles não estavam conseguindo focar. Minha mãe estava tentando respirar, sobreviver. O Pedro era filho, ídolo, super-herói. Era o símbolo da felicidade para meus pais e amigos. Ele era dez vezes mais carismático e gente boa do que eu. Era tipo um mega-irmão, um superfilho. Eles não prestaram atenção que a Preta estava deixando a escola para trabalhar numa agência de publicidade em São Paulo com o Nizan Guanaes.

iG: Você guardou alguma mágoa de seus pais?
Preta Gil:
Não. E nem tenho como cobrar nada. Ninguém cobra nada de pais que perderam um filho.

iG: Com o que você gastava dinheiro?
Preta Gil:
Roupas, sapatos, bolsas, amigos, viagens. Acordava um dia e dizia: vamos todos para Nova York. Dinheiro não tinha valor para mim. Ele vinha de uma maneira muito suada, mas eu não dava valor algum a ele.

iG: Como você se livrou das dívidas?
Preta Gil:
Foi nesse momento que eu tive que crescer no tranco. Eu fui ao fundo do poço! Tive que vender o apartamento que comprei da minha ‘prima’ Patrícia Pillar . Com uma parte desse dinheiro paguei todas as minhas dívidas e com a outra vivi por dois anos porque comecei a cantar.

iG: Você realmente foi interditada por seus pais?
Preta Gil:
Meu pai e minha mãe me deram um basta, me pararam. Estava sem controle da minha vida financeira e eles me disseram que não confiavam mais em mim e que eu não podia ter um cartão de crédito sem limite. Então, eles assumiram o controle. Eu trabalhava que nem uma louca e recebia mesada de mim mesma. O dinheiro ia direto para a Monique Gardenberg , minha sócia, que administrava minha vida.

iG: Você é uma mãe muito rigorosa?
Preta Gil:
Chego a ser até um pouco demais. Tenho muita confiança nele. A gente foi desenvolvendo uma relação de amizade e de diálogo. Filho precisa confiar na mãe. Confiar que eu não vou julgar, não vou criticar. Vou educar. Não quero ser uma carrasca. Ele tem que viver e eu quero mostrar a vida pra ele. Não posso oprimir um adolescente. Quando a gente diz não é que eles querem de qualquer maneira. Eu digo não, mas explico os motivos. Ele tem 16 anos e está no auge das adolescência. Meu filho me ensina muita coisa.

Roupas, sapatos, bolsas, amigos, viagens. Acordava um dia e dizia: vamos todos para Nova York. Dinheiro não tinha valor para mim.”

iG: Você se arrepende de ter sido mãe muito cedo?
Preta Gil:
Acho que fui mãe precocemente sim. Mas isso foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Ser mãe muito nova me ajudou a ser determinada e focada.

iG: Você conversa sobre tudo com seu filho?
Preta Gil:
Sobre tudo. Sexo sempre com camisinha. Ele já tem vida sexual ativa e é muito responsável. Sou do tipo que compra e dá pra ele usar.

iG: Você já declarou em algumas entrevistas que foi criada com muita liberdade. Você educa seu filho, Francisco, com essa mesma liberdade?
Preta Gil:
Não dá para criar meu filho com a mesma liberdade com que eu fui criada. São outros tempos. Meu filho sabe o que tá acontecendo no mundo inteiro 24h por dia plugado num celular. A informação chega de uma maneira precoce pra essa geração. Vivi a infância e o lúdico de uma maneira mais intensa que ele. Minha casa vivia de portas abertas. Era uma liberdade sem duplo sentido e sem nada que uma criança não pudesse, ver, viver, conviver ou sentir.

iG: Você já foi casada com Otávio Müller, Rafael Dragaud e Caio Blat. Atualmente, está casada com o mergulhador Carlos Henrique. Esse é até o fim da vida?
Preta Gil:
Em momentos muito diferentes fui casada. Fico bem sozinha, mas gosto de estar casada e ter um parceiro. Meu atual casamento é completamente diferente de todos os outros. Encontrei o Cacau num momento muito especial da minha vida. Ele é o grande amor da minha vida! Ele é um homem de verdade. Somos muito diferentes um do outro, mas a gente se ama e optou por passar por essas diferenças juntos.

iG: Vocês pensam em ter filhos?
Preta Gil:
A gente vai ter. É mais do que uma vontade. É uma certeza. A gente só tem que esperar o momento certo que não é agora.

Preta Gil
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Preta Gil
iG: Você tem algum tabu na sua vida?
Preta Gil:
Nem sei se é um tabu. Mas droga é uma coisa que não tolero na minha vida. Nunca usei drogas e nunca fez parte da minha vida. Converso sobre isso com o Francisco. Quando ele for maior de idade e quiser experimentar, vai ser com ele. Mas enquanto ele estiver embaixo da minha asa, não. Sou muito careta nesse ponto.

iG: Você está feliz com seu atual momento profissional?
Preta Gil:
Estou num momento muito especial para o que eu sonhei para tudo que eu trabalhei arduamente, acho que estou no momento de colher os frutos. A colheita é eterna. Minha agenda está lotada de shows, posso empregar muita gente, viajo o Brasil todo, fico perto dos meus fãs.

iG: Você acreditava que sua carreira iria fazer sucesso rapidamente?
Preta Gil:
Vivo hoje exatamente o que eu sonhei há 10 anos. Até mais. Achei que fosse demorar, ser mais difícil. Para mim, era mais utópico do que real. Nada na minha vida foi fácil. Comecei a carreira artística muito tarde.

Encontrei o Cacau num momento muito especial. Ele é o grande amor da minha vida! Ele é um homem de verdade.”

iG: Em 2012, você vai comemorar 10 anos de carreira. Quais são seus planos para os próximos 10 anos?
Preta Gil:
Tenho muitas vontades.  Hoje eu tenho 4 e sou muito feliz com eles. A gente faz um som incrível, mas eu quero ter metais, percussão, bailarinos. Batalho para que eu possa crescer, meu nome, minha estrutura possam crescer. Quero que o show fique cada vez mais espetáculo. Sou filha de artista, nasci e vivi dentro de um grande espetáculo, acho que a Noite Preta é um espetáculo muito espontâneo e verdadeiro.

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