A apresentadora revela sua paixão pela atuação, posa em ensaio inspirado no "Cisne Negro" e comenta os polêmicos temas do filme

Carol Quintanilha
"Não tenho nenhuma vontade de fazer novela, talvez porque eu já estou na televisão. Faria filme, curta ou longa, e teatro, claro"

O corpo esguio, delicadamente torneado, e a postura ereta enganam. A apresentadora Daniela Albuquerque não tem a menor intimidade com pas de deux e plié. "É a primeira vez na vida que eu coloco sapatilha", repetia toda vez que tentava acertar uma pose para o ensaio fotográfico inspirado no filme "Cisne Negro", de Darren Aronofsky . Adepta da ioga, Daniela se empenha para dar veracidade e delicadeza a cada clique. "No interior do Mato Grosso do Sul, balé era uma coisa elitizada. Não tinha em escola pública, então eu nunca fiz ", conta a mulher de Amilcare Dallevo , presidente da Rede TV!,

A escolha do tema da sessão de fotos partiu da própria entrevistada. "É a realização de um sonho", confidenciou, enquanto se maquiava no camarim do teatro Frei Caneca, em São Paulo. Mais do que um capricho de menina em colocar tutu e sapatilha, recriar o papel da estrela isralense Natalie Portman , que rendeu o Oscar de Melhor Atriz, em cima de um importante palco é um divisor de águas: Daniela deixa de ser apenas apresentadora e assume sua paixão pela dramaturgia.

Sou muito disciplinada, eu me cobro muito. Muitas vezes tenho medo de errar
Carol Quintanilha
Sou muito disciplinada, eu me cobro muito. Muitas vezes tenho medo de errar

Há três anos, ela encara com afinco as aulas de teatro do Célia Helena, uma das mais respeitadas escolas do País. Mas logo avisa: "Não tenho nenhuma vontade de fazer novela, talvez porque eu já estou na televisão. Faria filme, curta ou longa, e teatro, claro". Se pudesse escolher uma personagem para encenar, seria Blanche, de "Um Bonde Chamado Desejo", de Tennessee Williams. "Amo, tenho muita vontade de fazer essa montagem, a personagem é totalmente diferente de mim."

Carol Quintanilha
"Meu sonho é ser uma grande comunicadora, quero cada vez mais crescer, adquirir cultura", diz a apresentadora

Determinada e focada como a Nina de "Cisne Negro", Daniela planeja dedicar-se ao balé assim que se formar no teatro. Foi assim que começou na dramaturgia. "Estava no último ano da faculdade de Jornalismo e  não queria parar de estudar. Há muito tempo já tinha vontade de fazer teatro. Faço porque gosto, me deixa feliz, e não com a pretensão de realmente seguir a carreira", minimiza.

Enquanto Daniela tem cautela ao dar os primeiros passos como atriz, ela vislumbra sua carreira na TV. "Meu sonho é ser uma grande comunicadora, quero cada vez mais crescer, adquirir cultura", diz ela, que tem como exemplo Hebe Camargo , sua amiga pessoal. Outro incentivo veio de Fausto Silva , numa das pizzadas que o apresentador costuma oferecer em sua casa em São Paulo. "Imagine, eu estava sentada numa mesa entre a Hebe e o Faustão e ele me elogiou: 'Antes você era uma leitora de TP (teleprompter), e agora está bacana'', conta Daniela.

Mas se a interpretação ganhar mais espaço, a apresentadora guarda na manga uma dica que aprendeu com a estrela americana Cameron Diaz . Elas se conheceram e julho de 2010, quando ficaram hospedadas na mesma casa, de amigos em comum, em Southhampton, nos Estados Unidos. "Ela me contou a técnica que usa sua para decorar as cenas, ela relaciona objetos com as falas", entrega. 

Além de ter a determinação da protagonista do premiado longa, Daniela topou fazer uma comparação de sua vida pessoal com os polêmicos temas que norteiam "Cisne Negro". Confira:

Eu estava sentada numa mesa entre a Hebe e o Faustão e ele me elogiou: 'Antes você era uma leitora de TP (teleprompter), e agora está bacana'
Carol Quintanilha
Eu estava sentada numa mesa entre a Hebe e o Faustão e ele me elogiou: 'Antes você era uma leitora de TP (teleprompter), e agora está bacana'


Disciplina

"Sou muito disciplinada, eu me cobro muito. Muitas vezes tenho medo de errar. Acho que agora sou um pouco mais relaxada, mais à vontade porque fui dominando o ambiente, como por exemplo a apresentação do "Manhã Maior" (programa da Rede TV!). Sou muito focada. Quando decido fazer alguma coisa, sou muito dedicada, não faço nenhum trabalho de qualquer jeito. Sou workaholic."

Relação com a mãe

"Minha mãe é muito neutra, acho que é por isso que não fui mimada e não sou deslumbrada com nada. Ela não é mãe de miss, muitas vezes nem fala que eu sou filha dela para as pessoas, é muito tranquila. Mas é sicera, se não gosta de alguma coisa, por exemplo de uma roupa que eu uso na TV, ela fala. Também nunca precisou me cobrar nada, nem na escola, sempre fui muito CDF, daquela que chorava porque não queria faltar à aula quando estava doente."

É a primeira vez na vida que eu coloco sapatilha. No interior do Mato Grosso do Sul, balé era uma coisa elitizada. Não tinha em escola pública, então eu nunca fiz
Carol Quintanilha
É a primeira vez na vida que eu coloco sapatilha. No interior do Mato Grosso do Sul, balé era uma coisa elitizada. Não tinha em escola pública, então eu nunca fiz

Rivalidade

"Quando eu era modelo, existia muito isso, eu morava com oito meninas. Se eu pegava um trabalho, nem comentava em casa porque tinha competição. Mas sou muito fácil de amizade, nunca tive problema com as pessoas. Acho que a única vez que briguei foi para defender meu irmão mais novo: fui lá e encarei a menina que queria bater nele. Mas sempre fui na minha, tímida."

Homossexualidade

"Tinha uma amiga que gostava de mim e eu não sabia. Ela começou a se aproximar mais, a me dar presentes, mas já falei logo que não curtia isso. E ela virou uma superamiga até hoje, conhece o meu marido. Não tenho preconceito, sou bem-resolvida. Mas já dei selinho na Hebe Camargo (risos). E em outras amigas também, não é uma coisa do outro mundo. Mas beijo técnico numa mulher, em cena, ainda não sei se faria. É muito cedo para responder isso, estou estudando ainda, nunca parei para pensar."


Álcool e drogas

"Já tomei porre de tequila uma vez, ainda no Mato Grosso do Sul, quando eu tinha 16, 17 anos, para nunca mais. Não tenho vícios, detesto cigarro, nunca usei droga. Se tomo uma taça de vinho, já fico alegre."

Créditos:

Agradecimento: Teatro Frei Caneca
Maquiagem e cabelo: Marco Diniz
Styling: Claudio Vaz - vestido branco (Brechó Minha Avó Tinha) e vestido preto (Ary Rodrigues)
Assistente de fotografia: Adriano Escanhuela

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