Longe do glamour de Hollywood, atriz quer mudar a maneira como a mulher é retratada nos meios de comunicação

Geena Davis se dedica atualmente à Fundação Geena Davis, nos Estados Unidos
Beto Lima
Geena Davis se dedica atualmente à Fundação Geena Davis, nos Estados Unidos

Pela primeira vez no Brasil, Geena Davis veio a trabalho. Nada de visitar as belas praias cariocas ou curtir  Salvador, como muitos artistas estrangeiros fazem ao aterrissar no País. Fundadora do "Geena Davis Institute on Gender in Media", que se dedica a estudar e mudar a maneira como as mulheres são retratadas nos meios de comunicação, a atriz veio participar do lançamento do site "Tempo de Mulher", idealizado pela jornalista Ana Paula Padrão .

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Diante de uma plateia ávida por informações sobre o perfil da mulher da "nova classe média brasileira", entre empresárias, artistas e políticas, uma bem-humorada Geena arrancou risos ao relembrar de como sua altura a incomodava na adolescência - a atriz mede 1.83m -, e como o longa "Thelma & Louise" mudou sua maneira de ver a vida . "As pessoas me falavam: 'esse filme mudou minha vida'. Como assim? Minha personagem se suicidou!", brincou ela.

Alta e magra, aos 54 anos, Geena teria tudo para ser considerada uma sexy symbol do cinema, mas ela rejeita o título. "Não, eu não penso nisso". E até luta contra isso. Há seis anos, ela decidiu levantar a bandeira contra a hipersexualização da mulher na mídia. Na conversa, ela também fala sobre sua relação com os astros Susan Sarandon e Brad Pitt , seus parceiros no grande sucesso de 1991. Confira...

Geena Davis:
Beto Lima
Geena Davis: "Sempre tive a sensação de que eu seria bem sucedida"

Thelma & Louise

"Esse ano, é o 20º aniversário de 'Thelma & Louise'. Esse filme teve um impacto gigante na minha vida, muito mesmo. Em parte, porque marcou culturalmente uma época. Teve um reação muito grande na sociedade americana, não sei o que aconteceu globalmente, mas realmente mudou minha vida e me fez pensar sobre as mulheres e o papel delas nas sociedade. As pessoas me paravam e falavam 'esse filme mudou minha vida'. Eu fiquei feliz porque sempre quis que as mulheres saíssem do cinema felizes e inspiradas. Mas se for pensar, no filme nós matamos um cara, roubamos uma loja, fizemos sexo com desconhecidos e cometemos suicídio."

Amigos Susan e Brad

"Susan e eu somos muito amigas, ela mora em Nova York e eu vivo em Los Angeles, mas continuamos muito, muito amigas, nos falamos quase todos as semanas. Eu não consigo encontrar o Brad muito, mas quando o vejo, ele continua sendo o amigo fofo e legal de sempre. "

Carreira

"Foram três grandes personagens que interpretei e que me ajudaram a me transformar na mulher que sou hoje. Quando aprendi a jogar beisebol no filme 'Uma Equipe Muito Especial', uma dona de casa em 'Thelma & Louise', e interpretar a primeira mulher presidente dos EUA no seriado 'Commander in Chief'. Outro papel muito importante na minha vida é ser mais de três crianças pequenas."

Confiança

" Na minha primeira aula no curso de interpretação, o meu professor falou que apenas 1% dos alunos iriam ganhar dinheiro como atores. Eu olhei para os outros alunos e pensei: oh, meu Deus, pobrezinhos! (risos). Eu sempre tive a sensação de que eu seria bem sucedida no que eu estava fazendo. Todos nós temos algo que nos torturou quando éramos crianças. E para mim sempre foi que eu era alta demais. Todo mundo queria que eu jogasse basquete. Mas eu não tinha ideia de como jogar! E elas diziam, mas fique apenas ali, parada!"

Em 1989, Geena Davis ganhou o Oscar na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante por
Beto Lima
Em 1989, Geena Davis ganhou o Oscar na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante por "O Turista Acidental"

Renascimento

"Aos 20 e poucos anos, eu nunca tinha me sentido produnfamente confortável com meu corpo e não achava que merecia ter sucesso. Quando me chamaram para interpretar a jogadora de beisebol Dottie, me disseram que teria que ser a melhor de todas. Eu treinei e acho que me tornei sim uma ótima jogadora. E isso transformou minha vida. Comecei a me aceitar do jeito que eu era. Foi quando comecei a querer ajudar outras mulheres a se aceitarem do que jeito que elas são. Foi como um renascimento. Eu tinha 36 anos quando aconteceu isso. "

Fundação Geena Davis

"Os meios de comunicação mostram mulheres e meninas em personagens que são menos importantes que homens e meninos, como se sexo feminino fisesse coisas menos importantes. Hoje há uma personagem feminina para três masculinos, ou até cinco homens para cada mulher. Parte do meu trabalho é reduzir a sexualização dos personagens, principalmente para crianças pequenas. Não existe uma diferenciação nos filmes para crianças de 11 anos, por exemplo. Mas sim uma grande hipersexualização, com roupas sexy e provocantes. Principalmente em animações, onde eles podem desenhar os personagens do jeito que querem."

Beto Lima
"Sempre tive a sensação de que eu seria bem sucedida no que eu estava fazendo", diz Geena Davis

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