Com glamour e pompa, dinastia Grimaldi é o que preserva o principado

Príncipe Albert II e Charlene Wittstock
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Príncipe Albert II e Charlene Wittstock

Grace Kelly conheceu o príncipe de Mônaco, Rainier Grimaldi no Festival de Cannes, em 1955. Um ano depois, eles se casaram e ela se tornou um ícone das princesas modernas
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Grace Kelly conheceu o príncipe de Mônaco, Rainier Grimaldi no Festival de Cannes, em 1955. Um ano depois, eles se casaram e ela se tornou um ícone das princesas modernas
Segundo menor país do mundo e reduto do príncipe Albert II , que se casará neste fim de semana, o principado de Mônaco conseguiu em poucas décadas atrair um nível de atenção midiática desproporcional ao tamanho de seu território, economia e real influência graças à notoriedade da família real Grimaldi.

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Após as mudanças constitucionais de 2002, afastado o perigo de o país voltar à soberania da França caso seu governante não tivesse descendência masculina, o principado encravado em um território rochoso e acidentado na costa mediterrânea registra confortáveis índices de qualidade de vida, alto padrão social e influência midiática internacional.

O histórico casamento da atriz Grace Kelly com Rainier , pais do atual príncipe, emplacou em 1956 a realeza monegasca no mundo do glamour hollywoodiano e promoveu ainda mais a grandeza desse pequeno país, de charmosas construções e apenas 1,95 quilômetro quadrado de superfície, maior somente que o Estado do Vaticano.

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REFÚGIO DE FORTUNAS

Desde então, Mônaco passou a ser associado a luxo, beleza, estilo de vida despreocupado, Fórmula 1, jogo de cassino e evasão fiscal, embora neste último aspecto o país tenha adotado práticas para combater a lavagem de dinheiro. O próprio principado investe em sua imagem associada ao dinheiro proveniente do exterior. O Estado é o principal acionista da sociedade que administra o lendário Cassino de Monte Carlo e, além de paraíso fiscal, é praça financeira com dezenas de bancos submetidos à tutela do Banco da França.

Mônaco sabe que vende notícias de celebridades e mantém o privilégio de ter alguns dos nomes e rostos mais divulgados na imprensa internacional, todos com o mesmo sobrenome, o mesmo do guerreiro disfarçado de monge Francesco Grimaldi que, em 1297, ocupou a fortaleza "Le Rocher" (A Rocha), dando origem à dinastia. Os atuais representantes da casa real monegasca têm pouco a ver com aquele antepassado. Muito diferente do guerreiro e comerciante oriundo de Gênova, os Grimaldi contemporâneos, sobretudo nas últimas seis décadas, destacam-se pelo brilho nas colunas sociais da imprensa, onde celebridades como Caroline e Stephanie dispensam sobrenome.

Charlene ao lado de Albert e da irmã do noivo, Caroline
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Charlene ao lado de Albert e da irmã do noivo, Caroline

LUXO X DRAMA

Casamentos fracassados, mortes trágicas, escândalos familiares e inconvenientes façanhas sexuais estampadas pela imprensa, ou ainda reações iradas contra os paparazzi, são alguns dos detalhes da vida mais recente de alguns Grimaldi que deram o que falar. Para a eternidade, ou quase, ficam imagens como o selo real da mítica Grace Kelly, uma beldade de Hollywood - portadora de um Oscar de Melhor Atriz pelo filme "Amar é Sofrer" - transformada em princesa de Mônaco em 1956, um ano depois de conhecer Rainier durante uma sessão de fotos da revista "Paris Match".

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A íntima relação entre luxo e drama produziu em poucas décadas no principado uma concentração de eventos noticiosos de densidade incomparável, que fez de Mônaco por anos um ícone de emoções entre os leitores da editoria "Celebridades", embora para muitos o país seja um mistério geográfico de se encontrar no mapa. Mas o principado de Albert II e da discretíssima ex-nadadora sul-africana Charlene Wittstock entra nos anos 2010 com um perfil muito menos associado às paixões que marcaram o seio da família real no século XX, numa aparente mistura de amadurecimento e ofuscação.

Plataforma de investimentos e refúgio de fortunas, com a bênção internacional às recentes medidas de transparência fiscal, o principado parece atravessar um período de 'normalidade emocional' e de maior presença em debates internacionais, com influência discreta, mas efetiva. Os discursos de Albert II em foros esportivos - como membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) -, políticos e econômicos sinalizam a pretensão do país de ser levado a sério em assuntos talvez mais tediosos, mas que podem garantir a existência dos Grimaldi como dinastia e de seus poucos súditos como cidadãos de um principado único e privilegiado.

A cerimônia do casamento acontecerá em Mônaco no dia 2 de julho, no Palácio Real. No dia seguinte, Charlene Wittstock e Albert II se casarão no civil
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A cerimônia do casamento acontecerá em Mônaco no dia 2 de julho, no Palácio Real. No dia seguinte, Charlene Wittstock e Albert II se casarão no civil

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