Atores abrem os cortinas dos bastidores da comédia de época para o iG Gente

Maria Padilha preparando-se para entrar na pele de Rosália
Beto Lima
Maria Padilha preparando-se para entrar na pele de Rosália
Não é de hoje que bisbilhotar e caluniar sobre a vida dos outros é passatempo dos mais apreciados. A arte de falar da vida alheia é praticada desde os primórdios. “Somos todos seres humanos, capazes de tudo”, opinou o ator Tonico Pereira , em cartaz em São Paulo no papel de Pedro Atiça na peça "Escola do Escândalo", tradução de Miguel Falabella para texto de Richard Brinsley Sheridan, escrito em 1777, que fica em temporada no Teatro Raul Cortez até 18 de setembro.

Pedro Atiça, alvo da maledicência geral, é casado com uma mulher mais jovem - Rosália, interpretada por Maria Padilha -, de quem tem de suportar os caprichos para usufruir de uma companhia formosa e jovem. Tonico, também conhecido do público como o Mendonça, do seriado global "A Grande Família", é casado na vida real com Marina Salomon , 17 anos mais jovem do que ele, e defende que numa relação com diferença grande de idade o tempero é a admiração. "É difícil uma pessoa jovem amar um velho, mas pode admirar e amar a partir daí. Se o homem mais velho não suscitar na mulher mais jovem uma admiração muito grande, vai cair no campo da exploração", opina ele. "Eu tenho isso em casa. Ela me admira muito, diz que eu sou o Mozart da interpretação. Mas são os olhos dela, né?"

UMA DORMIDA, UMA LEVANTADA, UMA FUMADA

No camarim que divide com os cinco atores homens do elenco -- as mulheres, também cinco, ficam em outros dois camarins --, vestindo uma cueca samba-canção, Tonico conversou com a nossa reportagem, tirou sarro de “causos” incontáveis, brincou com os atores e leu, pelo celular, alguns

Tonico Prereira receb massagem da colega de elenco Bianca Comparato
Beto Lima
Tonico Prereira receb massagem da colega de elenco Bianca Comparato
dos textos postados em seu blog, "O Analfabeto que Escreve". “Escrevo sempre que tomo um vinho à noite e aí vai pela madrugada. Sou um filósofo. Tenho uma porrada de artigo que vai virar livro no final do ano”, contou.

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Enquanto se maquiava imitando os colegas que se baseavam em modelos pregados no espelho coletivo – isso mesmo, Tonico não segue um modelo, faz sua maquiagem pela “convivência” –, o ator recebia uma massagem da colega Bianca Comparato , que faz a Maria, sua sobrinha na peça.

Por volta das 8 e meia da noite, uma hora antes do início do espetáculo, Tonico era o primeiro pronto para entrar em cena. Começou então sua particular preparação. “Faço esquentamento nos intervalos. É uma dormida, uma levantada, uma fumada de cigarro para esquentar a voz, e mexo as mãos para melhorar minha articulação. Sou neto de italiano e falo muito com as mãos. Aí entro em cena”, falou.


TOMBOS E ACESSO DE RISO

Maria Padilha, que ocupa o camarim com Bianca, é muito zelosa com a sua caracterização. Depois de fazer a maquiagem e cachear os cabelos, para misturá-los à peruca, a atriz vestiu um dos modelos do figurino, que, apesar do volume, jurou não ser pesado. “Não tem arame para dar suporte ao vestido, então fica mais fácil”, disse. A atriz revelou que o maior cuidado é com o manuseio das perucas. “Era prevista uma troca de perucas que nós abolimos, porque é muito difícil de colocar. E eu sou neurótica, tenho pânico da peruca cair, coloco 150 mil grampos”, confessou ela, que já presenciou dois acidentes no palco. “Tivemos um acesso de riso quando a peruca da Rita (Elmor) caiu. A peça acabou. Ficar careca em cena não dá, né?”, relembrou a atriz, falando do infortúnio acontecido durante a temporada da peça no Rio de Janeiro. “Às vezes vejo umas meio tortas”, acrescentou.

A atriz revelou outros "perigos" que os atores correm no palco. “No começo dos ensaios foi um desespero. Levamos tombos brutais, mas ninguém se machucou”, comentou ela, sobre a adaptação do elenco aos três discos giratórios que movimentam o palco. O improviso também faz parte do enredo. “Eu já troquei algumas palavras por sinônimos. Esquecer frases nunca esqueci, mas já dei cola pro povo que esquece. Aliás, dei e continuo dando”, revelou.

Bruno Garcia dá o toque final na pesada maquiagem
Beto Lima
Bruno Garcia dá o toque final na pesada maquiagem

Atrasado por questões pessoais, Bruno Garcia foi o último a chegar ao teatro - faltava uma hora para o início do espetáculo, pouco tempo para tanbta preparação. Mesmo assim, o ator foi positivo quanto à sua apresentação. “É sempre bom pedir proteção aos deuses do teatro, conversar com a energia do lugar, que o espetáculo corra sem problemas”, falou o ator que interpreta José Fachada, um aproveitador de todas as situações na trama que relata a vida fútil da alta burguesia europeia do final do século 18.

Está quase na hora de as cortinas se abrirem e Maria Padilha pede para ficar sozinha, para se dedicar ao seu ritual pré-espetáculo. “Qualquer intenção de se conectar com a peça sempre dá certo. Faço uma concentração muito particular, acho que só serve pra mim. Eu que inventei. Não sou partidária da concentração pela tensão. Eu tento relaxar”, contou.

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