Aos 42 anos, galã da Record fala sobre sua carreira e conta sobre as dificuldades de começar a vida profissional sem o apoio do pai

Sem o apoio do pai, o ator fugiu de casa para tentar a carreira de modelo
André Durão
Sem o apoio do pai, o ator fugiu de casa para tentar a carreira de modelo
Aos 14 anos de carreira e em sua oitava novela, “Rebelde”, da Record, Luciano Szafir conta com a tranquilidade dos anos de experiência na profissão. Ele reconhece que existe a pressão de se desvincular da imagem de modelo e pai de Sasha , de 12 anos, sua filha com a apresentadora Xuxa , mas tira de letra.

“Não entro nessa neurose porque sei que eu tenho que fazer e provar tudo em dobro”, reconhece. Atuando em filmes internacionais desde 2006, quando rodou “Nightmare Man”, o ator avisa que não tem pretensões de seguir uma carreira internacional. “Se rolar, claro, todo mundo quer. Mas eu quero financeiramente e não para o mundo me conhecer”, diz ele, que enfrentou a oposição do pai, Gabriel Szafir, no início da carreira.

Por causa dele, Luciano recusou convites para trabalhos como atuar no seriado americano “Beverly Hills 90210” (série adolescente de grande sucesso que no Brasil era exibida com o nome de “Barrados no Baile”) e a novela “Top Model”. Ele chegou a fugir de casa para ser modelo.

iG: É verdade que fugiu de casa quando era adolescente?
Luciano Szafir: É. Eu trabalhava com o meu pai, Gabriel Szafir. Era um trabalho que não gostava. Até que conheci a dona de uma agência de modelos em umas férias em Nova York. Ela me convidou para ser modelo. Meu pai me deixou fazer um trabalho. Era eu e mais dez modelos maravilhosas junto com uma top model . A Cindy Crawford. Meu trabalho era ficar abraçado com ela tirando foto. Era tudo que eu queria na vida! Fiz isso durante dois anos esporadicamente. A agência falava que eu tinha que ir para Nova York, ia ficar rico. Eu dizia não, porque meu pai tinha um negócio grande aqui. Até que aceitei. Fiz a maior mala que podia levar.

iG: Como seu pai reagiu?
Luciano Szafir: Disse que eu ia voltar porque ele estava mandando. Eu disse que não. Tinha 100 dólares no bolso só. Falei: “Mas pai, e o meu dinheiro?”. Ele disse: “Que dinheiro? Está comigo é meu. Você tem quanto? 100 dólares? Se vira”. Aí falei: “Agora eu não volto”. Mas dei sorte. No dia seguinte peguei a campanha da Calvin Klein. Meu pai ficou um ano sem falar comigo. Liguei antes de voltar e ele perguntou se eu tinha acabado com esse negócio (de ser modelo). Disse que sim. No dia seguinte me ligaram para perguntar se topava fazer aquele “Beverly Hills 90210” (série adolescente de grande sucesso que no Brasil era exibida com o nome de “Barrados no Baile”). Mas eu tinha acabado de fazer as pazes com o meu pai. Aí voltei. Assim que cheguei me ligaram da Globo. Meu pai colocou no viva-voz. Era um diretor dizendo que viu meu comercial da Calvin Klein e queria que fosse fazer a novela “Top Model”. Meu pai bateu na mesa e eu tive que recusar.

iG: Com tanta resistência como conseguiu seguir a carreira artística?
Luciano Szafir: Depois de sete anos eu já não trabalhava mais com o meu pai. Três amigos me convidaram para ser sócio de uma empresa nova de relógios. Topei e resolvi fazer um desfile para divulgar a marca. Aí o Manga (Carlos Manga, diretor) estava assistindo e ia estrear “Anjo Mau” dentro de duas semanas. Faltava um ator para interpretar o Júlio (um mecânico apaixonado pela protagonista, a babá Nice, interpretada por Glória Pires na segunda versão da trama) e ele me ligou. Pensei “Quer saber? Eu quero vender franquia. Vou ficar famoso, não estou nem aí. Não quero fazer outra novela mesmo. Meu negócio é vender relógio. Podem me criticar a vontade”. Só que em uma semana ele me colocou com o Paulo José e eu passava o dia inteiro na casa dele ouvindo as melhores histórias. Na hora em que ouvi meu primeiro gravando, falei: “Meu Deus, é isso que eu quero!”. E por ser um papel pequeno, por mais que se tratasse de “Anjo Mau”, quase não teve crítica negativa. Tiveram em outros trabalhos.

Depois de 14 anos de carreira, hoje eu tenho um salário que é relativamente bom
André Durão
Depois de 14 anos de carreira, hoje eu tenho um salário que é relativamente bom

iG: Ficou chateado com as críticas?
Luciano Szafir: De início sim. A gente escuta umas bobagens... Mas depois não.

iG: Você nunca entrou na neurose de ter que provar que não é só o modelo, ou o pai da Sasha?
Luciano Szafir: Não entro nessa neurose porque sei que tudo tenho que fazer e provar é em dobro. Então, não estou nem aí. Se gostar ótimo. Senão gostar que mude de canal.

iG: Atuar é uma paixão?
Luciano Szafir: Totalmente. Eu atuo porque amo. Tanto que não consigo me imaginar fazendo outra coisa e hoje não faço quase mais nada além de atuar.

iG: Você vive do salário como ator?
Luciano Szafir: Sim. Tenho um contrato sólido com a Record. Claro que a maioria das pessoas pensa que salário de ator é uma fortuna. Até eu pensava. Quando me falaram quanto eu ia ganhar falei: “Jura? Por dia?”. Aí na renegociação de salário falei: “Fala sério, não tem a menor condição. Se você me pagar isso para eu continuar na televisão deixa que eu te pago. Porque na boa, isso não paga a minha gasolina”. Depois de 14 anos de carreira, hoje eu tenho um salário que é relativamente bom. Não é que vá ficar rico. Mas você consegue sustentar uma família tranquilamente.

iG: Com a saída de nomes como Gabriel Braga Nunes e Marcelo Serrado, hoje se sente o grande galã da Record?
Luciano Szafir: Não acredito mais em galã. Galã existia na época do Antônio Fagundes, do Tarcísio Meira, da Susana Vieira. Porque as novelas eram outras, tudo girava em torno dos protagonistas. Hoje existem muitos núcleos, não tem um protagonista só. Na Record existem muitos atores maravilhosos. E hoje está na Globo, amanhã está na Record. Eu, pelo menos, saí da Globo numa boa e fui abraçado na Record. Não tenho a menor intenção de sair de lá. Além do Gabriel e do Serrado, lá tem ótimos atores. Talvez eles não estivessem felizes lá, mas eu estou.

iG: Não pensa em voltar para a Globo?
Luciano Szafir: No momento, não.

O ator diz que não se incomoda mais com as críticas ao seu trabalho
André Durão
O ator diz que não se incomoda mais com as críticas ao seu trabalho

iG: Como é o Franco, seu personagem em “Rebelde”?
Luciano Szafir: Estou adorando fazer. Ele é pai da Sophia Abrahão, uma das protagonistas, e a personagem dela é a Alice. Ele tem uma coisa mal resolvida com a filha porque a mãe morreu no parto. Se distanciou, mergulhou no trabalho, se tornou um dos maiores empresários de moda do país e, ao invés de dar amor, dá dinheiro. É um pai ausente. Ela quer amor e ele nunca está lá para ela. Daí a rebeldia. E cada rebelde tem a sua história, tem o seu problema. E na sinopse diz que ele é um pouco mulherengo, mas eu ainda não vi isso. Ele já tem um caso com a personagem da Adriana Garambone que faz uma diva bipolar. Ela é muito engraçada. Faz o personagem passar vergonha porque ela é super escandalosa e ele, introvertido.

iG: Você fez três filmes no exterior e agora fará o quarto (“The Reapers”). Está investindo na carreira internacional?
Luciano Szafir: É muito difícil. Até hoje o único que conseguiu foi o Rodrigo Santoro. O Wagner Moura agora está começando a fazer muita coisa boa. Eu fui para o exterior estudar e fiz filme porque me chamaram. Não tenho a menor pretensão. Se rolar, claro, todo mundo quer. Mas eu quero financeiramente e não para o mundo me conhecer. Aliás, isso deve ser horrível. Você não ter privacidade no seu país tudo certo, mas imagina que a cada lugar do mundo que você vai é assim? Eu acho demais.

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